Sobre Sísifo
Poemas inéditos de Luis Dolhnikoff
ESPERANÇA, BOSTA E OVOS
“ovo caipira?”
ouço no mercado:
“significa
ovo fecundado”
ovo de galinheiro de fato
com galinhas, galos
caipiras e pintinhos
pintinhos de galos
que os põem nas galinhas
que então põem ovos caipiras
com pintinhos dentro
os demais
são industriais:
ovos sem ovos dentro
empty dumpts
como o velho jeca tatu
sentado calado
ao lado da estrada
enquanto passa
outro jeca
levado num jegue
e comendo jaca
com carne de tatu
portanto
ou por tão pouco
os caipiras põem
punham
seus pintinhos
até os ovos
dentro das galinhas
pois não mais havia
escravas
as galinhas d’angola
d’antanho
metade pondo
metade tomando
um país todo
pela metade
pelo meio
das pernas
cozido entre curras
e cuscuz de galinha
mucama é para mugir na cama
cozinheira para cuzinhá
pois o cu sinhá não dá
cadinho de culturas
mas com caldo de galinha
pois coitados dos fodidos
pois fodidos, os coitados
os mesmos
sempre
a mesma
coisa:
coito é foda
essa vida
que nunca muda
(pois o mundo
divide-se em duas tribos:
os metíncolas
e os levíncolas
segundo ouvi
de um levíncola)
como os ovos
de codorna
e então noto
uma diferença:
têm mais gema
proporcionalmente
que o ovo de serpente
tal o partido nazista
ou o ovo da serpente
era a fome de weimar?
a fome de weimar
foi o ovo do partido nazista
que foi o ovo da serpente
e o ovo da fome de weimar
foi a fome de versalhes:
comeram o pão
os brioches e os ovos:
mastiguem as migalhas
verdade que os hindus
comem vento
há muito tempo
e nem por isso
chocaram o nazismo
por causa do carma
que os faz ir com calma
se você está fodido
é porque fodeu alguém
em outra carne
já para os alemães
se estão fodidos
alguém os está fodendo
por exemplo
um povo pequeno
sem cristo nem exército
depois da omelete
que os aliados lhes fizeram
na primeira guerra
depois que a ela
os alemães se atiraram
no pé
mirando a galinha dos ovos de ouro
do quintal da europa
chiqueiro de trincheiras
ovos estrelados
com porcos trinchados
então a grande depressão
e uma frustração enorme
enorme
a fome
de ascensão
vôo de águia
über alles
fome de urubu
afinal já comiam tudo que se pode
em 39
quando tentaram outra vez a sorte
quando tentaram outra vez a morte:
muito pão
muito porco
e muitos ovos
à chacun
son boche
ovos que vinham
vivos de outros ovos
de outros mortos
o ovo que o pássaro
futuro
dentro do ovo porá
quando fora
quando não gorado
como agora
um ovo
que é então um o
com um v no meio
– o das asas –
com outro o
dentro, logo
logo à frente
no tempo:
Ovo
o maior
e o menor
o mega
e o micron
e o alfa do recomeço no meio:
remeio
o fim e o começo no meio
então o que veio
antes não foi nem o ovo
nem a galinha
porque vieram ambos
ab ovo
não o ovo
de galinha ao menos
pois o ovo
todas as aves
o herdaram dos répteis
de que descenderam
os répteis
dos anfíbios
os anfíbios
dos peixes
os peixes
e para trás
emerge-se do ovo
da biogênese
para a gênese inorgânica da vida
e para trás
do ovo de tudo
para a galinha do nada
que dele não nasceu
pois que o botou
chocando o negro sáurio
do caos
ao menos de um ovo
de galinha
sempre vem um pintinho
e se fora
de gansa, de andorinha
de pata ou de pomba?
da pomba vem o ovo
via de regra
o ovo delas
o ovinho delas
o óvulo
o ovulozinho delas
e é para a pomba delas
que atiramos nossos ovos
em homenagem
em ovação
nossos ovos
com um pintinho no meio
via de regra
é boceta
disse alguém
a um sujeito que
via de regra
usava a expressão
tinha culhões
como se diz
ou colhões
como se escreve
culhões começa com cu
e os colhões começam no cu
ou quase
mas colhões tem dois oo
como os colhões
têm dois ovos
fossem quantos
ou como feitos
ela jamais os quer
de manhã cedo
como os americanos
caviar, ovo de peixe
como os suecos
muito menos
mesmo os ovos com açúcar
em meio a coisas inúmeras
do voraz desjejum alemão
além de pão
e de uma palavra meiga
muita manteiga
como os holandeses
como as holandesas
sua pele branca
como leite holandês
ou brasileiro
branco como leite holandês
porém mais ralo
e mais raro
parco para poucos
porque se mistura
com mijo de vaca
ou água da chuva
leite ralo que vem com mijo
vira urina e vai pelo ralo
fala-se mesmo em formol
o que não há de ser
conforme confirmam
os coliformes fecais
que, aliás, são secos
mas seria melhor
para manter a forma
conter a deformação
do leite e da carne
da carne leitosa dela
por isso não se deve comer
uma shiksa?
é o que me dizia
uma tia
com outras palavras
certos olhares
e muita sotaque
não é nada kasherr
misturrarr leite e carrne
mas se já vêm misturrados?
milkshaked
como as americanas
brancas
como as holandesas
falta de sol
leite em excesso
porque têm peitos grandes
as que ordenham
e as que se ordenham
a produtividade leitífera
do hemisfério norte
é de fato exuberante
principalmente nos países baixos
tudo geográfico
geológico
geogênico
carne, gel de géa
da gema da geena
geléia de terra
de onde viemos
e para onde vai
goela abaixo:
de morango
a que devora
como outros devoram ovos
mucosa cor de geléia de morango
de mamilo
que dá leite branco
de boca mucosa
que bebe leite
e come geléia de
leite branco como os dentes dela
nas gengivas cor de cereja dela
dentes que saem da carne
como a carne da terra
e comem carne e geléia
como a terra os há de
como a carne gestando um dente
geram carne e dentes no seu ventre
dentes para quem tem fome
ainda que poucos os dentes
para tanta fome
ainda que tantos os ovos
pois todos os animais os põem
uns poucos
os põem para dentro
como os mamíferos
incluindo
os marsupiais
a maioria, porém
os põe para fora
como as aves
os répteis
os anfíbios
os peixes
e os moluscos
muitos
sequer se acercam do parceiro
com quem então não se fundem
nem por um segundo
quem se funde
são os ovos
na mar mais profundo
no fundo de um poço
na poça mais rasa
mesmo se jamais se possa
da mesma forma
que todos põem ovos
chocar senão moluscos
os moluscos
que são os fetos
dentro dos ovos
como um molusco adulto
dentro da casca
dentro da casca da casa:
bebês são moles como moluscos
molhados como moluscos
inermes como moluscos
ao vir à luz baça
de seu quartinho decorado
ou à luz fosca
de seu cantinho descorado
não fora silenciosa
e amorfa
como um molusco
diria, quiçá
a maioria
poder-se dividir a casca
e permanecer
ao menos parecer
um
indivíduo
porém não era isso
que pareciam
querer
mas o calor informe
uniformemente
envolvente
portanto protetor
de seu próprio grande gastrópode
que logo logram germinar
posto haver um parceiro disposto
à sua criação
por fusão
os homens, então
molemente se emasculam
como certos quelicerados
que perdem o pinto
enquanto copulam
como se o seu espírito
que em algum instante
pretendera estender-se
até onde seus olhos
sua imaginação ou vontade
alcançassem
se encolhesse de repente
como os olhos dos caracóis de jardim
ao serem tocados
com um graveto
já não crendo
em sua ou em qualquer grandeza
cujo vislumbre não fora
agora, o eco inominado
e inconsciente
ainda que assim pressentido
do passado da raça
ao tempo em que seus antepassados
eram iniciados
em ritos de sangue
e medo
nos dias de medo e sangue
porém um hesitante
êxito juvenil
excitante profissão
de hormônios em profusão
que logo deixavam
leves e aliviados
atrás como um molusco
larga o próprio rastro
então encolhidos
julgam-se mais sólidos
mais ajustados
a si mesmos
e mesmo mais justos
consigo e com o mundo
mais adequados
e mais concretos
com desejos mais concretos
e mais adequados
ainda que mínimos
minuciosos, domésticos
a serem imediata
e diariamente satisfeitos
ao que, diários e satisfeitos
consagram-se, alheios a tudo
atentos a tudo
principalmente ao próprio envelhecimento
e administrando seu tempo
e sua casa
com o mesmo zelo
e tanta determinação
com que administrariam um império
acaso o houvessem conquistado
pois todos trabalham
ou são desempregados
ou aposentados
fora os que vivem de renda
ou de renda-se
fora os que têm certeza
da completa incompatibilidade
entre como ganham a vida
e como têm gana de não a perder
atrás de balcões de farmácia
guaritas de banco
bancas de fruta
bancos de fábrica
bancando outros por um salário
ninguém sabe
ao certo a profundidade
de sua relação com seu meio
de ganhá-la e perdê-la
vida que, por acaso
prefeririam comprar a prazo
porém não parecem assim preocupados
pois uma vez num caminho
melhor mesmo segui-lo
impassível como um molusco
até o mais longe possível
para não perder o trecho atravessado
e o tempo transcorrido
havia infinitos caminhos
todos sabiam
mas não eram todos finitos?
não seriam, então, talvez
todos igualmente estreitos?
e não eram, ao fim
sempre o mesmo
rígido traçado
da necessidade
de escolher um
e excluir os outros
incluir um
e esquecer todos?
logo
consulte logo
nosso catálogo:
ele é nosso
todo nosso
de nós que estamos aqui
e agora
e é agora ou nunca
tudo está em liquidação
(à exceção
talvez, dos ovos
bem mais baratos
quando de galinheiros de fato)
e em liquefação
portanto, meu caro
é não perder tempo
antes que o tempo
talvez o dinheiro
escape como um ovo quebrado
por entre os dedos
ou um molusco
em meio ao lodo escuro
A SEGUNDA VINDA
nossos ideais
eram mais altos que nossos prédios
aumentamos os prédios
sem sequer arranhar o céu
começaram a ruir os ideais
nossos prédios porém
enfim altíssimos
quando derrubaram os prédios
alguns quiseram
realçar os ideais
eles, no entanto, eram antigos:
já não sabíamos reconstruí-los
entre o pensamento e a ação
pende a mão
porém refaremos os prédios
(nossas máquinas são ideais)
o que agora ali se ergue
vê, não sendo a esperança
é a poeira
pronto descerá a neve
já é outono
nos jardins do ocidente
longos serão os meses
cinzas as vidas curtas de homens baixos
desde pequenos no trabalho
para poder manter-se
a trabalhar e a adoecer:
olhos jamais erguidos
a se proteger da atenção
dos que estão no alto
enquanto murmuram pelo arbítrio
dos deuses distraídos
nos jardins do ocidente
suas sombras tão doces
para o desjejum e o ócio
já não encontrarão abrigo
as folhas estão caindo
estão caindo
as lágrimas
nos jardins do ocidente
onde plantamos fundo a idéia de abrigá-los
iluminamos o mundo
mas o mundo iluminado
é mais escuro
que a antiga ilusão sombria
somos menos injustos
mas é a nossa injustiça
que injustiça o mundo
nossa força maior
que nossa crença em nós:
morreremos fortes
mas jamais o suficiente
para poder matar o inexistente:
não matamos, portanto, deus
se, porém, não o fizemos
deus não houvera
por que motivo outro
estaria morto?
somos culpados por matá-lo
e por não poder matá-lo
pela morte da alma imortal
e por não poder matá-la
educadamente
nos recolhemos às nossas casas
(preferimos, agora, as construções baixas
e os ideais médios)
a torre eiffel não ficará abandonada:
será o minarete
da mais vasta mesquita
ressoarão alto os sermões
contra os animistas
a sombra divina do imperador
ilumina o reerguer da china
e as multidões de olhos no chão
para se proteger da atenção
dos que estão no topo
enquanto murmuram pelo abrigo
dos deuses distraídos
LES PIEDS-NOIRS
sendo a nossa a condição de sísifo
conclui então camus
que a questão decisiva
para a filosofia
é o suicídio:
antes de mais nada é preciso
saber se a vida vale assim ser vivida
para a filosofia moral
naturalmente: não para a da linguagem
apesar de a única restante
– mesmo se afinal menos relevante
para a história humana –
para a história das ciências humanas
de qualquer forma
uma questão natimorta:
porque inexistente
para a filosofia
não para a biologia:
pois não nos suicidamos
por construção
porque nascemos com cabeça
tronco
membros
e instinto de sobrevivência
que é anterior
à consciência
logo, o longo conflito
ante o longo conflito
ou inescapável pesadelo
que é a história
animais porém sobrevivem
para que a espécie
sobreviva
a espécie sobrevive
para que a vida
a vida
para que
seja clara a pergunta
obrigatório é acentuá-la
porém perguntar é tão fácil
(seja qual for a ênfase)
quanto não responder
aos instintos
quase impossível
nem poderia
ser diferente:
frente à inconsciência
da matéria morta
a vida inconsciente
teria de vir à frente
da vida consciente
vida que, inconsciente
de si e da morte
sobreviveria somente
se munida de mecanismos
inconscientes de sobrevivência
sobrevinda a consciência
veio à vida herdeira
de tais mecanismos
sobrevive-se
apesar dos auschwitze
por vir
se sobreviverá
não que valha necessariamente a pena:
apenas que se a alma
ou a consciência é uma pequena
incorporação recente
ressente-se necessariamente de sê-lo
DA NATUREZA DOS CARANGUEJOS
como a palavra câncer
– extirpada a metástase do c –
é carne (câner)
um pouco fora de ordem
câncer é carne
um pouco fora de ordem
(e como o câncer arrasta
a sombra de uma tristeza pesada
a palavra câncer carrega
a sombra circunspecta
de um circunflexo)
até aqui tudo certo:
câncer, como seu nome
é carne um pouco fora de ordem
pois se muito fora
as células de um câncer
não poderiam viver
se nada
não seriam carne
desordenada
mas carne somente
daí a semente
de todo câncer
ser necessariamente
uma célula qualquer
de um corpo
que se altera
um pouco
e pouco
a pouco
passa a proliferar
sendo carne ainda
deve crescer
e se multiplicar
distinta
mas não distante
da que a originara
está
e não está
a ela integrada
desintegrando
a carne materna
feito um feto que matasse
devorada em suas metástases
a própria mãe
desde seu ventre
fetos jamais devoram
a sua mãe
cânceres sempre
por isso fetos
são fetos
enquanto cânceres
cânceres
fetos bastardos
ao acaso incrustados
na carne progenitora
que devoram cedo ou tarde
para não ser por ela devorados
(vários cânceres
são simplesmente ignorados:
pois natimortos
quando sua carne materna
consegue bem rejeitá-los)
o câncer não tem nada
de misterioso:
pois carne
um pouco alterada
(alter: outro)
um pouco alterada
por vários causas:
um vírus – veneno em latim
um gene – origem da carne
um vício – gênese do espírito
mas não pela mente
como tantos crêem
câncer incorpóreo
da carne do cérebro
incorpóreo, não metafísico:
pois feito
de células de idéias
quiçá mais organizadas
que as de um câncer
porém bem menos, é certo
que as de um feto
(idéias
podem também matar
quando se erra
o alvo ou quando
se crê que se acerta
ao matar por elas
mas se causam temores
não geram tumores
além do cisto
aquoso do orgulho)
células de idéias
preexistentes
em outras mentes
como células de carne
fazem-se
a partir de um ovo alheio
o ovo, ao partir, é material alheio
(óvulo da mãe
e esperma do pai
espremido entre a carne
das suas pernas)
até que dele se alheia
enquanto se alia a si mesmo
até se aliar por inteiro
e se alhear por completo
no parto
ovos de idéias
idem
ovos de câncer
ainda
até se alhear por completo
e se aliar por inteiro
à morte
pois não pode
feto feito só de metástases
organizar-se
ou seja, gerar-se órgãos
cânceres são órfãos
cujos pais hajam partido
antes do parto
cujo parto, então
é a própria morte
OS SABEDORES
beleza, saber, poder sobre a natureza
(a saber: o mal, a dor e a doença)
e justiça (ou seja, a paz e a liberdade)
porém não a piedade
(submissão a certa crença
porque a submissão a ela
é a principal crença paterna)
beleza, saber, poder sobre a natureza
(a saber: o mal, a dor e a doença)
e justiça (ou seja, a paz e a liberdade):
eis os quatro pilares
da grandeza humana
que, se tem quatro pilares
há de ser como certos lares
a um só tempo amplos
e belos como tantos templos:
uma espécie de palácio
se erguendo tenda, onde entrem todos
(daí, também, a exclusão da piedade
que contempla apenas os fiéis
e desconfia, impiedosamente
de todos os demais)
saber: porque sem saber não há justiça
verdade
ou poder sobre a natureza
verdade que há muito existe
mais saber que verdade ou justiça
after such knowledge
what forgiveness?
logo, se sem saber não há justiça
e com saber tãopouco
ou a justiça independe do saber
ou talvez, como a verdade, não exista:
não possa, humanamente
ser construída
a geometria nos auxilia:
três pés ainda mantêm um plano:
portanto
beleza, saber e poder sobre a natureza:
eis os três pilares
da grandeza humana
ou quase:
pois sem justiça
esse templo, esse palácio
por maior que seja
nunca a todos contempla
beleza, saber e poder sobre a natureza:
eis os três pilares
da grandeza quase-humana
saber: porque sem saber não há poder
sobre a natureza
(ou seja, o mal, a dor e a doença)
beleza: porque sem ela
já manco de justiça
(suprema beleza metafísica)
para que qualquer poder
sobre o mal, a dor e a doença
logo, uma vida mais longa?
beleza que é como o tempo
de santo agostinho:
algo que se sabe o que seja
quando não se tem de defini-lo
mas não se sabe, quando se tenha
beleza que no entanto é em essência
a negação do tempo
pois o tempo é a negação
do que quer que seja
e a beleza uma presença
THE SAVANTS
beauty, knowledge, power over nature
(you know: evil, pain and disease)
and justice (that means, freedom and peace)
but not piety
(submission to certain belief
because submission to it
is the principal paternal belief)
beauty, knowledge, power over nature
(you know: evil, pain and disease)
and justice (that means, freedom and peace):
the four pillars
of human greatness
which, with its four pillars
must be like certain places
at a single time wide
and beautiful as so many temples:
a kind of palace
raising as tent, where all enter
(hence also the exclusion of piety
that contemplates only the faithful
and pitilessly suspects
every one else)
knowledge: for without knowledge there is no justice
truth
or power over nature
it's true that for long time there is
more knowledge than truth or justice
after such knowledge
what forgiveness?
therefore, if without knowledge there is no justice
nor with knowledge either
either justice doesn't depends on knowledge
or perhaps, like the truth, it doesn't exist:
it cannot be constructed
humanly
geometry helps us:
three feet still make a plane:
ergo
beauty, knowledge and power over nature:
the three pillars
of human greatness
or nearly:
for without justice
that palace, that temple
however big it be
never contemplates all
beauty, knowledge and power over nature:
the three pillars
of quasi-human greatness
knowledge: for without knowledge there is no power
over nature
(you know: evil, pain and disease)
beauty: for without it
already defective in justice
(supreme metaphysical beauty)
what for any power
over evil, pain and disease
that means, a longer life?
beauty which is like the time
of saint augustine:
one knows what it is
when doesn’t have to define it
but doesn't know, when has to
beauty which is in essence
the negation of time
for time is
the negation of whatever might be
and the beauty, a presence
trad. Crhis Daniels
Luis Dolhnikoff é poeta, etc. Os poemas integram Sobre Sísifo, a sair pela Ateliê Editorial.
E-mail: luisdkf@uol.com.br
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