02/04/2009 Número de leitores: 918

Mulher é linguagem

Rubens Jardim Ver Perfil

Por Rubens Jardim

 

 

Toda mulher é uma viagem
ao desconhecido. Igual poesia
avessa ao verso e à trucagem,
mulher é iniciação do dia,

promessa, surpresa, miragem.
De nada adiantam mapas, guias,
cenas ensaiadas ou pilhagens.
Controverso ser, mulher é via

de mão única, abismo, moagem.
É também risco máximo, magia,
caminho íngreme na paisagem.

Simplificando: mulher é linguagem,
palavra nova, imagem que anistia
o ser, o vir-a-ser e outras bobagens

 

 

PIETÁ

Tão longe do meu olhar
fechada em si
e a si mesma devotada
a pedra, na Pietá
adentra o gesto
adensa a face
no apedrar-se da luz
no apiedar-se da pedra

(Roma/outono 2006)

 



JANELAS

 

Nesta janela aberta
meu olho devassado
meu espírito movediço

meu gesto imperfeito.
Nesta janela aberta
minhas celebrações

minha província

minha referencialidade.

Através disso
consagro a travessia:

o dever de ir

e o devir

 

 

 

GLAUBERIANA

Não existe the end

Existe toujours

Ou devenir

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rubens Jardim, 62 anos, é jornalista e poeta. Publicou poemas nas antologias: 4 Novos Poetas na Poesia Nova (1965, SP), Antologia da Catequese Poética (1968, SP), Poesia del Brasile Doggi (1969, Itália), Vício da Palavra (1977, SP), Fui Eu (1998, SP), Poesia para Todos (2000, RJ), Antologia Poética da Geração 60 (2000, SP), Letras de Babel (2001, Uruguai), Paixão por São Paulo (2004, SP), Rayo de Esperanza (2004, Espanha), Congresso Brasileiro de Poesia (2008, RS). É autor de dois livros de poemas: Ultimatum, Espelho Riscado e Cantares da Paixão. Promoveu e organizou o ANO JORGE DE LIMA em 1973, em comemoração aos 80 anos do nascimento do poeta), evento que contou com o apoio de Carlos Drummond de Andrade, Menotti del Pichia, Cassiano Ricardo, Raduan Nassar e outras figuras importantes da Literatura Brasileira. Organizou e publicou Jorge, 80 Anos, uma espécie de iniciação à parte menos conhecida e divulgada da obra do poeta alagoano. Integrou o movimento Catequese Poética, iniciado por Lindolf Bell, em 1964, cujo lema era: o lugar do poeta é onde possa inquietar. O lugar do poema são todos os lugares. E-mail: re.jardim@uol.com.br  

Rubens Jardim