01/04/2006 Número de leitores: 252

Bill Wyman

Bráulio Tavares Ver Perfil

Por Braulio Tavares






Ele foi o baixista dos Rolling Stones desde o começo em 1962 até 1991.  Embora Mick Jagger e Keith Richards sejam considerados não apenas a cara mas também a alma da banda, diz-se que o coração da banda era a dupla silenciosa e introspectiva formada pelo baixista Wyman e o baterista Charlie Watts.  Wyman abandonou os Stones depois de uma fase conturbada: choques com o egocentrismo de Jagger & Richards (que se recusavam a incluir canções suas nos álbuns), uma relação amorosa longa e problemática com uma garota de 13 anos ? tão problemática que o filho de Wyman, Stephen, acabou casando com a mãe dela, que tinha 46.

 

Vi no ano passado uma série de especiais para TV a cabo sobre a história do Blues, em que Wyman funcionava como âncora e co-roteirista.  Era um sujeito grisalho, suave, de fala mansa e bem-humorada.  Nada nele fazia supor o roqueiro a quem era atribuída a façanha de ter conhecido biblicamente 265 mulheres num período de três meses de uma turnê..  Ele explica: ?Mick e Keith ficavam trancados compondo; Charlie era fiel à esposa; sobrava pra mim e Brian Jones?. 

 

Wyman tinha complexo de inferioridade por sua origem operária (seu pai o tirou da escola quando ele começou a tirar notas muito boas).  O rock foi uma fuga ao ambiente estreito e mesquinho onde nasceu.  Era William Perks; depois que entrou na banda trocou oficialmente seu nome para Wyman, em homenagem a um colega do exército que, segundo ele, era o melhor jogador de futebol que ele já tinha visto. ?Isto mudou totalmente minha vida?, diz ele.  ?Eu me sentia auto-confiante, tinha orgulho do meu nome?.

 

Quando os Stones passaram alguns meses no sul da França para gravar ?Exile on Main Street?, Wyman gostou do lugar e ficou morando.  Sua casa era vizinha à do pintor Marc Chagall; os dois se tornaram amigos, e Wyman publicou um livro (?Wyman shoots Chagall?) com textos e fotos narrando a sua convivência.  Ele é também autor de ?Rolling with the Stones?, um gigantesco livro ilustrado sobre a história da banda, no modelo da ?Anthology? dos Beatles.  Meticuloso, Wyman manteve um diário detalhado da história da banda durante todo o tempo em que foi um Stone (ver em: http://www.billwyman.com/index.asp).

 

Hoje é dono de um restaurante em Londres (?Sticky Fingers?), toca numa banda chamada Rhythm Kings (o CD ?Just For a Thrill? é bem divertido).  Outro passatempo seu é a arqueologia amadora, e ele publicou um livro chamado ?Treasure Islands?, sobre tesouros arqueológicos encontrados nas Ilhas Britânicas.   Vai completar 70 anos em outubro próximo.  Wyman é mais típico da geração do rock do que os outros Stones, que continuam fazendo discos, turnês, arrastando milhões de pessoas.  Estes são a exceção.  Os grandes roqueiros dos anos 1960 vivem hoje confortavelmente, dedicando-se à família e aos hobbies.  Tocam, cantam e gravam quando lhes dá na telha.  São os sobreviventes de um furacão, e transformaram o furacão numa escultura.  Palmas para eles. 
























Braulio Tavares é escritor e compositor, e este artigo foi publicado em sua coluna diária sobre Cultura no "Jornal da Paraíba" (http://jornaldaparaiba.globo.com).

Bráulio Tavares