03/09/2006 Número de leitores: 1113

Liberdade Not Found

Fábio Oliveira Nunes Ver Perfil

 

A instalação multimídia The File Room (1994) de Antoni Muntadas.

 

Antoni Muntadas é considerado um dos pais da web arte espanhola, atuando desde quando os artistas, que buscavam estabelecer uma “rede artística”, se utilizavam da arte postal (ou mail-art) para tornar suas faturas artísticas circuláveis em amplo aspecto, transnacionalmente. Aliás, muitos dos artistas da arte postal migraram com o advento e popularização das redes computacionais, para sistemas como o Videotexto e mais tarde, para a Internet, pois além da difusão ampliada, as redes oferecem outras possibilidades como a instantaneidade de envio e resposta, além da instauração de percursos múltiplos do hipertexto, por exemplo. Muito mais do que simplesmente dispor uma imagem fixa num site – como é o que nós estamos mais acostumados a ver como “arte da internet” – os artistas passam a ver a Internet como canal para produções de caráter coletivo/colaborativo – como apresentado no trabalho Mosaico de Vozes, de Martha Gabriel ou como um espaço em que se pode propor caminhos efetivos de leitura, os labirintos – como na pesquisa de Andrei Thomaz, Pacman e o Minotauro.

 

Então, fechado o parêntese para explicar o universo em questão, retornamos para observar Muntadas.  O artista contribuiu especialmente para o surgimento de um pensamento crítico em torno dos novos meios, já que assim que a rede Internet foi tornada pública – na metade da década de 90 – ele estava lá questionando a tão esperada liberdade do meio recém-criado. Um dos exemplos mais evidentes dessa postura do artista é seu trabalho The File Room de 1994 (veja em: http://www.thefileroom.org/), onde o artista propõe catalogar e disponibilizar várias ações de censura a trabalhos artísticos de diferentes meios e épocas – possibilitando também a contribuição de internautas para o enriquecimento do banco de dados. Com The File Room o artista propõe reconstruir uma história oficial das artes e por conseqüência, emerge um espaço social e político. Mas levando adiante a questão central – liberdade – que já foi tida como palavra-chave com ardor pelos entusiastas da rede Internet, hoje já não brilha como antes. Na contemporaneidade, se formos observar os esforços desmedidos das indústrias fonográficas e cinematográficas na tentativa de barrar o fluxo de dados nas redes sob o pretexto dos direitos autorais, bem como, as restrições de países como a China, que exerce uma forte censura sobre conteúdos políticos na rede – fazendo até com que programas de busca (como o Google) em chinês ignorem determinados conteúdos contrários ao regime – vemos que o oásis da informação e expressão livres é uma mera utopia. 

 

 

 

Fábio Oliveira Nunes