21/09/2006 Número de leitores: 1103

Sexo, mentiras e Internet

Fábio Oliveira Nunes Ver Perfil

A mais nova solução em sexo remoto: FuckU-FuckMe

Quem tem mais de 25 anos deve se lembrar de um famoso comercial de um xampu anticaspa, em que o slogan era “parece, mas não é”. Isso me lembra uma prática especialmente recorrente no conceitualismo artístico, e por extensão, na arte das redes: um reconhecimento-desreconhecimento. Essa prática foi bastante difundida com a intenção de criar um estranhamento naquele que recebe o trabalho artístico. Bom, mas especialmente na rede Internet cria-se uma outra proporção já que estamos necessariamente fora do circuito artístico convencional. Qualquer coisa que esteja dentro de um museu, você terá a certeza que é arte, mas e aqui? Como fica? Na dúvida é melhor levar a sério, não é? Um dos sites de web arte mais célebres nesse sentido é FuckU-FuckMe (1998), do artista russo Alexei Shulgin, que criou um suposto site de e-commerce que divulga e “vende” drivers genitais que – hipoteticamente - proporcionam uma relação sexual efetiva entre indivíduos fisicamente distantes, como  “a última solução em sexo remoto”. O nome da “marca” foi inspirada em um dos aplicativos mais famosos em videoconferências nos anos 90: o CU-SeeMe – agora ver e ser visto não é mais o bastante.

Em um mundo telemático em que milhares de pessoas se ocupam com o chamado sexo virtual, um dispositivo como esse parece ser o encaixe perfeito para efetivar o que antes ficava entre a imaginação e os dedos no teclado. EmFuckU-FuckMe há uma interessante relação entre o limite do possível – já que tecnologicamente falando um dispositivo como esse pode existir – e o bizarro – a cópula com um terminal de computador. Daí, Shulgin discute intimidade, o mercado pungente do sexo na Internet e a própria prática amoral da economia de mercado. No fundo ele é um crítico extremamente perspicaz. O mais interessante é que por não possuir qualquer aviso de que se trata realmente de um trabalho artístico há quem jure (ou sonhe) de pés juntos que o bendito aparelho verdadeiramente exista: afinal, o site é tão sério e completo (incluindo até as famosas F.A.Q. – questões mais freqüentes dos sites comerciais) que consegue criar aquela estranha sensação entre ficção e realidade.


Adquira já o seu GenitalDriver e usufrua deste prazer: www.fu-fme.com/. Para saber mais sobre Shulgin, há uma interessante pesquisa de Hélia Vannucchi em:

 www.actualis.com.br/mestrado/alexei.html 

  

 

Fábio Oliveira Nunes