Tereza Yamashita

O que levou você a se dedicar aos livros infanto-juvenis?
Marcelo Maluf: O imaginário da criança sempre me interessou, tanto pelo universo da fantasia, quanto por certo humor cruel. Outra coisa são as minhas preferências literárias, nos livros da minha estante sempre conviveram Michael Ende com Jorge Luís Borges, Gianni Rodari com Edgar Alan Poe, Roald Dahl com Franz Kafka, etc. Minha aproximação com o fantástico, o maravilhoso, a oralidade dos contos da tradição árabe, sempre estiveram entre as minhas escolhas como leitor. Talvez tudo isso misturado tenha me levado ao encontro natural com a literatura infantil e juvenil, que é por excelência, em minha opinião, o lugar do imaginário fantástico e do poético.
Em sua infância, quais os autores de que você mais gostava e quais os que mais o influenciou?
MM: Primeiramente me tocaram as histórias tradicionais, os contos de fadas via Irmãos Grimm, os contos de Andersen e as fábulas. Também me fascinavam as histórias de lobisomens e sacis que eu ouvia do meu avô, que era um caboclo legítimo, assim como os quadrinhos do Charlie Brown e o Menino Maluquinho, do Ziraldo. Depois conheci os livros do Fernando Sabino e foi aí que tive vontade de escrever, mas já era um menino de 12 anos. O que me interessou no Sabino foi a figura do escritor. Acho que minhas influências vêm daí.
Qual a sua opinião, como escritor, sobre a literatura infanto-juvenil contemporânea?
MM: Acho que temos grandes escritores que se dedicam a literatura infantil e juvenil, tanto no Brasil como fora. Penso que independente do rótulo, esses escritores(a) estão produzindo hoje boa literatura, e isso é o que realmente importa. Acredito mesmo que estamos vivendo um momento bastante interessante na literatura Infantil/Juvenil.Poderia dar uma lista de nomes,mas vou apenas citar dois: Eoin Colfer e Índigo.
Você acha que há preconceito contra a literatura infanto-juvenil, que as pessoas acham a literatura adulta superior?
MM: Acho que eu mentiria se dissesse que não há preconceito. Ele existe sim, o que é uma grande besteira e faz, às vezes, com que ótimos escritores de literatura infantil e juvenil fiquem à margem da chamada grande literatura. A obra literária quando boa pode conquistar leitores de todas as idades, mas é preciso estar aberto para isso. Sou a favor da literatura sem fronteiras para a criação e para a apreciação.
O que diferencia a criança que lê da que não lê?
MM: A criança que lê também pode brincar na décima quinta dimensão, que é a do universo imaginário da ficção. Pode ter a experiência do sensível e do poético. Já a criança que não lê também pode tudo isso, pela possibilidade, mas não tem a chave facilitadora, que é o livro. O mesmo vale para os adultos.


Marcelo Maluf é Mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, escritor e músico. Participou da antologia MOSCAS (Editora Dulcinéia Catadora) organizada por Marcelino Freire, escreveu o e-book CONSTRUÇÃO inspirado no álbum homônimo de Chico Buarque (www.mojobooks.com.br),e as novelas infanto-juvenis: Meu pai sabe voar (FTD)em parceria com Daniela Pinotti Maluf, com lançamento previsto para 2009, e Jorge do Pântano que fica logo Ali (no prelo)também pela FTD. Mantêm o blogue Labirintos no Sótão: http://www.labirintosnosotao.com E-mail: malufmarcelo@gmail.com
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