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Cuspindo fogo
O escritor e editor Cláudio Fragata envia-nos dois poemas quentinhos. Confira os inéditos O dragão e Bicho/homem.


Aranha
Você sabia que a teia de aranha é mais forte que o aço? O poeta e escritor Luiz Roberto Guedes escreve sobre esse superpoderoso aracnídeo.


Casa
O escritor Carlos Pessoa Rosa escreve sobre rosas. Não, escreve sobre pessoas. Não, escreve sobre descobertas.


A vaquinha amarela
A. Zarfeg é poeta e também prosador. Hoje ele nos mostra uma de suas poesias.


Ramiro ‘Cabeça de Papel’
A argentina Angela Sánchez conta-nos a história de Ramiro e como ele se tornou um poeta.


A `passarinha`que caiu do ninho
Ayssa Yamaguti Norek mostra-nos o poema fez para a avesinha que foi salva por ela num dia de tempestade.


O rei que virou lenda
O poeta e ilustrador Cláudio Rodrigues apresenta-nos poema épico e xilogravuras sobre a lenda de um rei, muito conhecida no nordeste.


A anta, a ostra, o pato e o polvo
O poeta e escritor Luiz Roberto Guedes nos presenteia com quatro poemas inéditos.


Anjo virtual
Anjinho moderno já usa a internet. A escritora Madalena Barranco envia novo conto para os nossos cibernéticos leitores.


A lenda do girassol
A escritora Tânia Melo nos apresenta um poema sobre a flor mais apaixonada pelo Sol.


Liplixtibum
As palavras têm suas varinhas mágicas. A escritora Vássia Silveira conta a história de uma certa palavra encantada.


Joaninhas & abóboras
A escritora Madalena Barranco conta história de amizade com sabor de doce de abóbora.


Sem nome não come
Edy Lima nos conta uma história pra lá de pra lá de curiosa. Claro, ela é a autora da famosa série A Vaca Voadora!


Poema animal
A palavra tem seus bichos de palavra, é o que mostra o escritor e editor Cláudio Fragata.


O sumiço do Pipoca
A escritora Sônia Barros nos mandou um poema para ver se alguém sabe do paradeiro do seu Pipoca. Tem algum detetive online?


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em Inéditos

10/1/2007 19:03:00

A girafa e a formiga e Um relógio legal




Autora: Ilona Bastos







   A girafa e a formiga



         Era uma vez uma girafa. Curiosa e petulante, interessava-se por tudo o que se passava à sua volta, desde o voo das aves até ao cantar dos grilos e ao correr azafamado das formigas.

         Certo dia, encontrando-se a Girafa à beira do lago, a beber água, aproximou-se, veloz, uma formiga.

         - Deixem-me passar, deixem-me passar! - gritou a formiga, ofegante, debaixo de pesada carga. - Levo mantimentos para o formigueiro.

         - Ora, tanta pressa para quê? - perguntou a Girafa. - Só porque és pequenina e ligeira julgas-te importante? Pensas que podes ultrapassar tudo e todos?!

         A formiga, aflita, sem parar, prosseguia o seu caminho, tentando rodear a Girafa. E nada respondeu. Foi a Girafa quem continuou:

         - Mas também eu posso ser tão pequenina e ligeira como tu, ora essa!

         Perante esta afirmação, a formiga não conseguiu conter uma gargalhada. Olhou para o focinho da Girafa, lá muito em cima, no alto de um compridíssimo pescoço assente sobre umas longuíssimas patas, e ripostou:

         - Ora aqui está uma boa anedota: uma Girafa do tamanho de uma formiga!

         E ria-se tanto, o pequeno insecto, que até se lhe desequilibrou a mercadoria. Mas a Girafa é que não achou piada à brincadeira.

         - Já vais ver! Já vais ver! - gritou ela, furiosa.

         Acontece que a Girafa era Cientista. Foi para o seu laboratório e começou a mexer nos seus pós, líquidos, tubos e balões de todos os tamanhos e feitios. Preparou uma poção mágica e, eufórica, voltou para o pé da formiga.

         - Queres ver, agora? Queres ver? - desafiou a Girafa, começando a experimentar a poção que tinha inventado.

         - Deixa-me cá pousar as compras para me rir melhor. - respondeu a formiga, trocista, interessada em ver onde chegava o disparate da Girafa. - Mas despacha-te, que tenho pressa!

E não é que, perante o espanto da formiga e de todos os outros animais incrédulos que se haviam juntado em redor, a Girafa começou a diminuir, a diminuir, a ficar pretinha, com uma cintura fininha, umas perninhas minúsculas e pequeníssimas antenas? Ao fim de poucos segundos a Girafa era... uma formiga!

         Não podem imaginar a alegria da Girafa, ou seja, da formiga Cientista, que, de imediato, começou a correr, agitando as antenas, trepando agilmente aos ramos e aos arbustos.

         A outra, a formiga, ou melhor, a verdadeira formiga, é que levou um susto de tal ordem que até se esqueceu da risota e do almoço da família. Fugiu a sete pés para o seu buraquinho, onde espalhou a notícia de que vira uma formiga-girafa, o que ninguém acreditou, é claro. Todos pensaram que a formiga tinha era apanhado demasiado sol na cabeça e não estava boa do miolo.

Quanto à Girafa, a partir desse dia tornou-se ainda mais vaidosa e atrevida. E porque, felizmente para ela, o efeito da poção era apenas temporário, daí a pouco pode retomar a sua vida normal e dedicar-se às suas invenções.

 

 

Esta é a 1ª de uma série de 7 histórias (Anedotas de uma Girafa Cientista)
que está publicada no site
http://br.geocities.com/ilonabastos/

 





 

 

 
   Um relógio legal

 

Num domingo, ao almoço, sem esperar, o Tiago recebeu do avô um magnífico relógio.

- Repara! - disse-lhe o avô. - O relógio tem luz no mostrador, todas as horas estão marcadas com algarismos, é à prova de água e funciona a pilhas, por isso não precisas de lhe dar corda.. .

          - Legal! - exclamou o menino, maravilhado. – Muito obrigado, avô. Vou andar sempre com ele.

E assim fez. O menino colocou o relógio no pulso, empoleirou-se ao colo da mãe para que lhe relembrasse a leitura das horas, e a partir desse dia não mais largou o relógio.

Na escola foi um sucesso, naturalmente, pois de todos os relógios presentes - que nos braços das crianças cronometravam mil e uma tropelias - o relógio do Tiago era o mais fantástico, o mais moderno, enfim, o mais legal... Nunca se atrasava, nem adiantava. E ao menino não dava trabalho algum, pois nem de corda o relógio precisava, sempre enérgico, sempre dinâmico, sempre pontual!

E, também, assim, o Tiago passou a ser o aluno mais pontual da sua sala!

Ora acontece que numa noite, encontrando-se o menino a dormir, começou o relógio a sentir-se indisposto: eram os braços doridos - isto é, os ponteiros sem força; era uma forte dor de cabeça - ou seja, o mecanismo a fraquejar; eram umas tonturas tais que o ponteiro dos segundos - aquele mais veloz e mais traquinas, com uma energia ímpar - dava um passo à frente e outro atrás, sem saber se avançar se recuar.

          O relógio ainda tentou chamar a atenção do menino, soltando pics e tics e tucs - o que nele não era nada habitual.

          Mas o Tiago não acordou, voltou-se para o outro lado e continuou a sonhar.

De manhã é que foi a decepção, quando o menino percebeu que o relógio parara. Já  o sol ia alto, inundando de luz toda a casa, e os ponteiros marcavam as três horas da madrugada, como se ainda fosse noite e as estrelas cintilassem no céu.

          - O relógio não funciona! O relógio está doente! - gritou o Tiago, aflito.

O pai e a mãe correram para ver o que se passava, e observaram atentamente o mostrador. O pai aproximou o relógio do ouvido, verificou os botões da luz e de acertar os ponteiros, e abanou a cabeça, muito sério.

- É grave? - perguntou o menino, ansioso.

- Está muito fraco. - diagnosticou o pai. - Precisa de alimento.

          - Alimento?! - exclamou o menino, aliviado. - Se é só isso, resolve-se já!

          E, de um pulo, correu em direcção à cozinha.

Do quarto, os pais ouviram-no espreitar a geladeira, bater as portas dos armários, abrir e fechar gavetas, mexer em loiças e talheres. Daí a pouco, o Tiago regressava, vitorioso.

          - Cá está! Leite com cereais! – anunciou. - O alimento próprio para um relógio legal!

Os pais caíram na gargalhada e a mãe, sem parar de rir, dirigiu-se à escrivaninha do escritório, trazendo uma peça pequenina e prateada, semelhante a um botão, que entregou ao pai.

- Não estou a perceber a razão de tanta risota... - disse o garoto, meio queixoso, meio divertido.

- É que o alimento do relógio é esta pilha. - esclareceu o pai. – Vou colocá-la aqui e o relógio fica como novo...

- Ou seja, volta a ser um relógio legal. - concluiu o menino.

- Exactamente! - aprovou a mãe. - Mas agora que o relógio já está em forma, precisamos de dar alimento, também, a um garoto legal...

- Pilhas! - gritou o Tiago, maroto.

- Errado! - corrigiram os pais, risonhos. - Leite com cereais!

 

 

 

Nota: esta história tem o título original de “Um relógio fixe”, que foi adaptado para o português do Brasil como “Um relógio legal”, o mesmo acontecendo com alguns termos utilizados no texto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ilona Bastos nasceu em 1959, na cidade de São Paulo, Brasil. Frequentou o Curso de Formação de Professores da primeira à quarta série do primeiro grau, no Rio de Janeiro. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1983. Exerce advocacia em Lisboa. Publicou: Poemas no JL e na Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea, vol.X, da Editorial Minerva, 1998;”A Espantosa História do Dinossauro de Fraldas e outras misteriosas narrativas", Editorial Minerva, 1998 (infantil); Entre Outubro de 1998 e Janeiro de 1999, na Revista Rua Sésamo, os contos infantis: "A Menina-Alfacinha", "A Partida", "A Chuva" e "O Eléctrico de Natal". Mantém os sites: “À Aventura!– site de Histórias  Infanto-juvenis - http://br.geocities.com/ilonabastos/; Anões e Gigantes, Princesas Dançantes - Histórias de Encantar  - http://br.geocities.com/ilonabaptista/; “Poesia” -



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