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14/9/2009 17:02:00
A poesia eletrônica, quem diria, faz 50 anos



Por Álvaro Kassab e Jorge Luiz Antonio
 



O livro/cd-rom Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais, recém-lançado pelo pesquisador Jorge Luiz Antonio, já foi chamado de quase-enciclopédia da poesia eletrônica, gênero cuja primeira obra data de 1959 com o engenheiro alemão Theo Lutz. O autor, porém, não vai parar por aí: além de manter um blog para as devidas atualizações, decidiu aprofundar suas incursões na modalidade em pesquisa de pós-doutorado no Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, cujo tema é Tecno-arte-poesia: mapeamentos e leituras. Na entrevista que segue, Antonio fala sobre o papel da ciberpoesia.


Álvaro Kassab – Seu livro Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais parte da premissa de que a poesia eletrônica acaba de completar 50 anos. Qual foi, digamos, o “marco cronológico” da obra?

Jorge Luiz Antonio – Toda afirmação desse tipo necessita de uma justificativa: de acordo com o resultado de minhas pesquisas, até o presente momento, a poesia eletrônica teve seu início em 1959, ou talvez no ano anterior, com uma experiência textual, denominada “Stochastische Texte” (Textos estocásticos), cujo relato-manifesto foi publicado na revista alemã Augenblick, de outubro/dezembro de 1959.

Theo Lutz escolheu as cem primeiras palavras de Das Schloss (O Castelo), de Franz Kafka, e criou novos textos a partir delas, usando um programa computacional que produzia frases na estrutura da língua alemã.

Essa data e esse aspecto vêm sendo corroborados por outros estudiosos do assunto no Brasil e no exterior. Vale ressaltar que a preparação dos textos estocásticos aconteceu antes da publicação, mas isso é assunto que preciso pesquisar. Cada país tem seu precursor: EUA (1960), Itália (1961), Canadá (1964), Brasil (1966 e/ou 1972) etc.

As primeiras experiências, feitas com os grandes computadores, me parece que são lembradas por poucos estudiosos, mas a segunda – por ocasião do surgimento do computador pessoal – e a terceira – criação da rede digital – tornaram a poesia eletrônica mais conhecida.

Prehistoric Digital Poetry: An Archaeology of Forms, 1959-1995, de Chris Funkhouser, é uma das boas obras que trazem uma pesquisa muito significativa desse primeiro tempo.

No momento, vamos estabelecer o ano de 1959 como início. Se pesquisas posteriores me indicarem uma data anterior, farei as modificações na próxima edição do livro cd-rom.


A.K. – Existem muitas denominações para esse tipo de poesia. É possível estabelecer um nome geral?

J.L.A. – Até o presente momento, não pude fazer isso. No primeiro momento das pesquisas, fui listando os nomes que os poetas e criadores vinham conceituando. Muitos deles criaram outras palavras. A lista tem mais de oitenta denominações. Todo esse garimpo me permitiu chegar à conclusão que cada nome corresponde a um estágio da tecnologia, o que me levou a considerar nove tipologias não estantes.

De um modo geral, há termos mais comumente usados como computer poetry em muitas línguas, com exceção dos franceses, que preferem poésie numérique; poesia digital, de uso mais popular; ciberpoesia, especialmente usado nos primeiros momentos; o termo “poesia eletrônica” é o mais usado nos meios universitários norte-americanos, especialmente porque é o nome de um festival internacional, o E-Poetry, e porque um dos seus presidentes, Loss Pequeño Glazier (EUA), escreveu Digital Poetics: The Making of E-Poetries.


A.K. – Como foi seu trabalho de prospecção das diferentes vertentes e plataformas da modalidade? Trata-se de mapeamento inédito do gênero no país? Se sim, você teve a intenção de preencher essa lacuna bibliográfica?

J.L.A. – O trabalho de pesquisa foi lento, exigiu diferentes estratégias de busca, mas foi gratificante.

A pesquisa foi despertada quando fiz em 1997 o curso de Infopoesia e Poesia Sonora, com E. M. de Melo e Castro, e foi sendo aprofundada principalmente a partir de 1999, quando preparei o projeto de pesquisa para o doutorado (2000-2005) e está se desdobrando na pesquisa de pós-doutorado, no DTL-IEL-Unicamp, sob a supervisão do professor Paulo Franchetti, com bolsa Fapesp (2009 a 2011), cujo tema é: “Tecno-arte-poesia: mapeamentos e leituras”.

O livro cd-rom apresenta três grande partes – teoria, história, antologias –, cujo encadeamento lógico se completa com uma tipologia contendo exemplos comentados.

É preciso explicar o termo “mapeamento inédito do gênero no país”. Para não me estender na resposta e também não correr o risco de reduzi-la ou truncá-la, vou considerar dois tipos de publicações: livros e periódicos impressos ou eletrônicos.

A primeira obra brasileira sobre o assunto de que tenho conhecimento é Ensaio sobre o texto poético em contexto digital, de Antonio Risério (1998). O estudo panorâmico e particular que o autor realizou continua válido e é de boa qualidade.

Embora não trate exclusivamente de poesia digital, encontramos a teorização e bom mapeamento em Processos criativos com os meios eletrônicos: poéticas digitais, de Julio Plaza e Monica Tavares (1998).

No período de 2000 a 2008, há uma série de livros que tratam de ciberespaço, literatura, informática, tecnologia, hipertexto, sempre abordando muitos temas, não especificamente a poesia eletrônica. Os nomes dos organizadores e dos autores desses textos estão na bibliografia do meu livro cd-rom, que é, por sinal, bastante extensa.

Luz e letras: ensaios de Arte, Literatura e Comunicação, de Eduardo Kac (2004), traz um registro importante dos anos de 1980, tanto da obra do autor como de outros pioneiros.

Arteciência: afluência de signos co-moventes, de Roland de Azeredo Campos, é uma obra que traz boas relações entre poesia e Física.

Há autores, na área da Teoria Literária, que trataram do assunto: Literatura e comunicação na Era da Eletrônica (Fábio Lucas, 2001), Novo Manual de Teoria Literária (Rogel Samuel, 2007). Acabei de receber, por exemplo, Teoria da Literatura: criatividade e estrutura, de Francisco Soares –professor português, radicado em Angola, e que já viveu em Campinas.

No estudo da videopoesia, com muitas referências à poesia eletrônica, temos Comunicação tecnoestética nas mídias audiovisuais, de Denise Azevedo Duarte Guimarães (2007).

Há dissertações e teses que precisam ser mapeadas. Tenho algumas, mas a lista continua a crescer.

Não teria como abordar os capítulos e trechos de livros, cujos primeiros registros que encontrei são de 1964 (Algumas reflexões sobre poética de vanguarda e 22 e a poesia de hoje, ambos de Cassiano Ricardo), 1967 (Melo e Castro, Italo Calvino, Octavio Paz), 1970 (Dick Higgins), 1973 (Richard Bayley), 1976 (Pedro Barbosa) etc.

Também fica difícil fazer uma síntese de periódicos. Não foi, na verdade, um mapeamento específico, por isso refiro-me apenas à entrevista de Erthos Albino de Souza (1932-2000) a Carlos Ávila em 12 de janeiro de 1983, no jornal Estado de Minas, Belo Horizonte.


A.K. – Quais são, em sua opinião, os pontos que separam a poesia eletrônica da convencional? O ciberleitor é diferente do leitor de obras impressas? Ele interage mais?

J.L.A. – A poesia eletrônica é uma continuação da poesia até então existente. Ela é uma poetização da tecnologia computacional.

O adjetivo “eletrônica”, “digital”, “cibernética” etc. particulariza o tipo de poesia, pois indica uma linguagem híbrida, que envolve poesia, artes e tecnologia.

De um modo geral, há uma espécie de “realização” daquilo que, ao lermos, um poema nos desperta: imagens, sons, movimentos, interatividade ao nível de ideias e imaginário etc. Além dessa “realização”, essa linguagem tecno-artística-poética produz novos significados. Ela se torna um tipo de poesia contemporânea, formada de palavras, formas gráficas, imagens, grafismos, sons, elementos esses animados ou não, que são, na maior parte das vezes, itnerativos, hipertextuais e/ou hipermidiáticos e constituem um texto eletrônico, um hipertexto e/ou uma hipermídia.


A.K. – O sr. afirma que seu livro investiga “as negociações semióticas da poesia com as tecnologias computacionais (mediação, intervenção e transmutação)”, ressaltando em seguida que essa mediação gera trocas e partilhas. Quais são as mais relevantes e como elas se dão?

J.L.A. – As trocas e partilhas ocorrem em três momentos. Nem sempre e não necessariamente esses momentos são sequenciais ou obedecem a uma continuidade cronológica. Nem sempre são os mesmos poetas que alcançam esses momentos.

Parece-me adequado exemplificar com poemas que sejam anteriores à poesia eletrônica ou que estejam em época próxima. O primeiro momento é quando os neologismos e conceitos tecnológicos são assimilados para uso social e profissional e passam a ser a temática das poesias. “Máquina”, de E. M. de Melo e Castro, de 1950, é um caso interessante em que o eu-poético fala de um ciborgue. Como é um poema curto, vale transcrevê-lo:


                                              MÁQUINA

                                   Luzes de mais
                              ofuscam os meus olhos.
                                   Luzes de menos
                                  fazem-me doente.
                              Dêem-me um dispositivo
                                      automático
                                 para regular o sol
                             ao nascer, no zénite e
                                     no poente.


Eno Teodoro Wanke (1929-2001), poeta, historiador e engenheiro, publica o soneto “O computador”, no qual explica o que é um computador da sua época e o apresenta em forma de verso rimado e metrificado. Usar o soneto para falar da “mais humana máquina inventada” faz lembrar a programação a que o soneto está submetido: número de estrofes e de sílabas métricas, tipos de rimas etc. E curiosamente o soneto faz parte do livro O acendedor de sonetos, que, de certa forma, é uma referência a uma outra questão da tecnologia, a exemplo do soneto “O acendedor de lampiões”, de Jorge de Lima, publicado em XIV Alexandrinos, de 1914, que evoca o lampião de gás, anterior à luz elétrica, que modificou a paisagem noturna das cidades no final do século XIX.

Uma outra fase, ou segundo momento, não necessariamente posterior, do ponto de vista cronológico, compreende a partilha de procedimentos da tecnologia e da ciência que passam a ser imitados ou aproveitados para o fazer poético.

Esses dois primeiros momentos não podem ser denominados de poesia eletrônica, no sentido que foi conceituado no livro cd-rom. É por isso que dediquei o segundo capítulo – Poesia, arte, ciência e tecnologia – a um panorama histórico desde a Grécia Antiga à atualidade.

C(r)omossomos”, de Paulo Bruscky, de 1995, é um exemplo em que a fotografia microscópia dos cromossomos é apropriada pelo título: “como” “somos”, “cromossomos”, ou mesmo, “cromo” “somos”.

Num terceiro momento ocorre a intervenção do poeta na tecnologia, transformando a linguagens artísticas e tecnológicas. Um dos muitos exemplos é “vita4pm” – disponível em: http://warnell.com/real/four04.htm –, de Ted Warnell (Canadá), que faz uma homenagem ao poeta brasileiro Philadelpho Menezes, utilizando o código linguístico (os dados biográficos) como um tecido que, com cores, compõe o retrato do poeta.


A.K. – A poesia eletrônica se relaciona fortemente com as artes plásticas, a ciência e a tecnologia. Quais foram as contribuições que essa imbricação trouxe para a renovação da linguagem?

J.L.A. – A resposta anterior mostrou três momentos e três exemplos, dentre os muitos que o livro cd-rom apresenta.

O conhecimento científico e a sua linguagem específica trouxeram novos elementos ao fazer poético. A assimilação dos procedimentos das diversas artes permitiu que a poesia se transformasse de evocadora – de sons, de imagens – em um produto híbrido capaz de produzir novos significados. De igual forma, a tecnologia ofereceu algumas realizações não possíveis anteriormente, mas igualmente imaginadas. Quem diria, por exemplo, que a máquina de produzir textos, imaginada em As viagens de Gulliver, aconteceria nos anos de 1960 e 1970?


                 Das reflexões ciberestéticas ao robô
                 que
pede esmola e retribui com poesia



A.K. – No Brasil, os concretistas foram de uma certa forma pioneiros nesse diálogo. Entretanto, foram – e ainda são – alvo de críticas de determinados setores. A que o sr. atribui essas críticas? Elas se estendem também ao campo da poesia eletrônica?

J.L.A. – Essas críticas parecem ocorrer quando um estudioso quer a poesia de uma época atual com os critérios de uma época anterior.

Na poesia eletrônica, há vários tipos de críticas, que implicam em determinadas abordagens.

Há estudos que se fixam nos precursores e não chegam à poesia eletrônica propriamente dita. Há boas contribuições na busca de antecedentes históricos, mas pouca, ou nenhuma, para a poesia que se pretende estudar.

Outros enfoques valorizam apenas procedimentos tecnológicos, o uso de determinados programas e produzem uma espécie de malabarismos tecnológicos, pois, em muitos exemplos apresentados, os tecnólogos têm pouco conhecimento do fazer poético.

Críticas e comparações com estéticas do meio impresso e experiências de poesia eletrônica às vezes esbarram na obsolescência da tecnologia empregada, sem o necessário cuidado de datá-la.

Também há abordagens que usam apenas um vocabulário da tecnologia computacional, como se parecesse uma exibição de conhecimento atualizado, mas que se mostra vazio, numa leitura mais atenta.

E existem os apocalípticos, lamentando a frieza que a tecnologia computacional trouxe à literatura.

Os cinquenta anos de existência da poesia eletrônica não significam exatos cinquenta anos de reflexão e produção ininterrupta, mesmo em alguns países, como a Alemanha e os EUA. Por isso, todos os silêncios, críticas e enfoques incorretos estão contribuindo para a produção e aprimoramento da poesia eletrônica. Mesmo os poetas eletrônicos, com todas as suas tecnologias computacionais, são sensíveis e atentos às reflexões.
 

A.K. – Não são poucos os que dizem que a poesia está em crise, a começar da dificuldade de se mapear a produção contemporânea, tida como difusa e de baixa qualidade. Em que medida a produção poética em plataformas híbridas e hipertextuais, como parece ser o caso da poesia eletrônica, lança luz sobre essa produção e, consequentemente, abre novas frentes?

J.L.A. – A crise da poesia significa que os processos criativos existentes estão sendo questionados e novos procedimentos estão sendo gerados, sob as mais diversas motivações.

Uma das características da cibercultura é o excesso de informações. Há mais quantidade do que qualidade, mas isso é um fenômeno que está ligado à cibercultura, mas também existia anteriormente, especialmente a partir da “geração mimeógrafo” e das editoras alternativas que proliferaram a produção literária.

Outra é a disponibilidade de publicar livremente, sem nenhum critério estético, por exemplo. Isso parece se tornar uma falsa democracia. Todas as pessoas podem publicar num sítio, gratuitamente ou não. Todos podem ter um blog. Isso funciona como uma forma de divulgação e valorização da rede digital e me faz lembrar os programas simples, de fácil uso, que produziam tipos de poesia, nos anos de 1980, quando surgiu o computador pessoal.

Essa produção difusa e de baixa qualidade, como você afirma, me faz lembrar O elogio da mediocridade, de Amadeu Amaral. O texto “Carta a um crítico”, que dá o título ao livro, afirma que o crítico, “que ferozmente agride as pessoas medíocres, procede como o sujeito que pretendesse deitar abaixo o pavimento inferior de uma casa de vários andares, para só conservar o resto”.

Há autores que produzem muito, mas divulgam pouco, como se fizessem uma seleção de suas próprias obras. Há outros que publicam tudo o que fazem e, por isso, apresentam uma obra de valor desigual.

O mesmo acontece na poesia eletrônica. Parece sempre haver um embate entre uma tecnologia de alto nível com um trabalho vocabular poé­tico de mesmo valor.

De todo esse volume de textos na rede, alguma coisa especial vai ficar e sobreviverá à obsolescência da tecnologia, ao “desaparecimento” de trabalhos devido à desativação de sítios gratuitos, como o IG, ou devido à falta de emuladores e conversores de arquivos e programas. Até um certo modismo de escrever na rede pode ser que passe a ser repensado.


A.K. – O fato de a poesia eletrônica existir no espaço simbólico do computador, como você mesmo diz, não pode ser restritivo à sua difusão? Ou se dá exatamente o contrário?

J.L.A. – Há duas épocas para considerar na resposta: os primeiros tempos do computador até 1989 (criação da WWW); e o momento do computador em rede, a partir de 1990 até os dias de hoje.

Há menos produções desse tipo de poesia no primeiro tempo do que no segundo. Era difícil obter uma parceria com um programador ou engenheiro de computação e, quando ocorria, o custo era bem alto. Melo e Castro conta que, em 1965, foi à IBM, em Lisboa, mas não foi bem recebido. Daniel Santiago relatou-me sobre a dificuldade que teve para fazer com o programador fizesse o “Soneto só prá vê”.



                                  "Soneto só pra vê" de Daniel Santiago


O computador em rede facilitou o acesso a um maior número de pessoas, mas continua sendo restritivo, pois a cibercultura, como a estuda Eugênio Trivinho, em seus artigos e livros, não é democrática, apesar de todo o discurso ideológico que afirme o oposto.

O meio impresso, com muitos séculos de desenvolvimento, oferece um acesso mais fácil, embora reduzido a duas dimensões. O meio digital pressupõe a mediação de máquinas, de um conhecimento tecnológico e um poder aquisitivo.

Mas a poesia, de um modo geral, também é restritiva à falta de conhecimento e técnica para entendê-la e ao desenvolvimento de uma sensibilidade aprendida para apreciá-la. Sob esse ângulo, a restrição pode ser dupla.


A.K. – Os blogs e sites voltados à produção literária ganharam a rede e vêm, nos últimos anos, gerando antologias e debates na mídia impressa. Que avaliação o sr. faz dessa tendência. A qualidade vem na mesma proporção da quantidade?

J.L.A. – Os blogs e sites me fazem lembrar o tempo da produção em mimeógrafo e em xerox. Muita coisa boa ficou dessa produção teimosa, contra a imposição do mercado editorial seletivo.


        Poema feito por Paulo Leminski em 1978 homenageia Erthos Albino de Souza
 


                       Uma das partes de “Le Tombeau de Mallarmé” (1972), de 
                       Erthos Albino de Souza: primeira poesia computacional brasileira



As antologias eletrônicas e os debates na mídia impressa, e também na digital, são válidos e merecem ser incentivados.


Há coisas boas e outras nem tanto, mas isso é natural. É desse conjunto de tentativas é que emergirão obras que podem se tornar clássicos da literatura eletrônica.

Essas antologias indicam, na maioria das vezes, quantidade e pouca qualidade, mas são espaços virtuais que preparam futuros poetas, digitais ou não, e futuros escritores, em seus momentos de aprendizagem.


A.K. – A propósito, o sr. criou um blog para a atualização/complementação da obra impressa e do cd-rom. Quais são os caminhos futuros de seus estudos na área?

J.L.A. – A criação de um blog permite um diálogo com o leitor. Meu tema é atual e eu preciso estar sempre ampliando. Por exemplo, dias atrás, um poeta e teórico da Espanha encomendou meu livro cd-rom e me informou seu texto teórico. Ao lê-lo, descobri informações interessantes, dentre as quais destaco a criação do robô PaCo (Poeta Automatico Callejero On Line), criado numa parceria entre o escultor Carlos Corpa e a engenheira de computação Ana Maria García-Serrano: http://www.isys.dia.fi.upm.es/PaCo/. É uma obra de 2004, lembro-me de alguma referência sobre isso, mas somente agora pude estabelecer algumas relações entre Poesia Digital e Inteligência Artificial. O robô pede esmola e, em agradecimento, fala um poema e depois o imprime.

Neste caso, a atualização no blog vai ser muito boa. Vou pedir alguns ciberpoemas de PaCo e vou conversar com a professora Ana Maria, a respeito de sua concepção de poesia.

Durante as pesquisas de pós-doutorado, estou reunindo material – livros, periódicos e documentos – para fazer um arquivo de poesia digital. Ao relatar minha intenção ao meu supervisor, professor Paulo Franchetti, que tem sido um constante incentivador dos meus projetos, ele me sugeriu encaminhar uma proposta ao Centro de Documentação Alexandre Eulalio (Cedae/IEL). O prof. Jefferson Cano, que me recebeu muito bem, acatou a ideia, que está se concretizando. 
 



                   O poema concreto (B)ABEL (1965), de Pedro Xisto, que deu origem
                   a trabalho computacional mostrado em festival no Canadá, em 1968



Cronologia da poesia eletrônica no Brasil


1964
Décio Pignatari relata duas experiênci­as, em parceria com Luiz Angelo Pinto, a respeito de análise estatística do estilo literário por meio do computador.

1966
Erthos Albino de Souza usa o computador para levantar o vocabulário de autores co­mo Gregório de Mattos, Pedro Kilkerry e Carlos Drummond de Andrade.

Pedro Xisto, Erthos Albino de Souza e Bernardo C. Kamergorodski publicam o “Vogaláxia”, utilizando linguagem de programação para a produção de poesia. Esse mesmo livro-poema foi transformado em espetáculo de multimídia na Universidade de Buffalo em março de 1968, no Festival de Primavera.


1968
Waldemar Cordeiro cria o “Beabá”, uma experiência artística e computacional com letras, em parceria com o físico Giorgio Muscati, da USP.

Dezembro - E. M. de Melo e Castro, poeta português que atua com freqüência no Brasil, cria a videopoesia “Roda Lume”, em preto e branco, nos estúdios da RTP.


1969

Gilberto Gil cria a letra da música “Cérebro eletrônico”.


1972
Le Tombeau de Mallarmé”, de Erthos Albino de Souza (1932-2000), gráfico, poeta, engenheiro e editor da revista Código, que circulou de 1974 a 1989/1990, com doze números. É considerada como a primeira poesia computacional brasileira


1973/1974

Erthos Albino de Souza publica “Cidade/City/Cité” na revista Código. Trata-se de um poema visual feito com cartões perfurados e, depois, pintados.

1974
Mallarmé, tradução e estudos de Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos. Além do texto de Un Coup de Dés, em francês, numa separata, o livro contém dez variações do poema “Le Tombeau de Mallarmé”, datado de 1972, de Erthos Albino de Souza.

1978
Paulo Leminski publica “Poesia”, reunindo conceitos poéticos variados, entre os quais um que homenageia Erthos Albino de Souza.

1980
Silvio Roberto de Oliveira inicia suas experimentações poéticas com o computador, primeiro com um CP-200 e, depois, com um SHARP Hotbit.
Albertus Marques começa a trabalhar com um micro da IBM e a linguagem Basic, e a criar poemas em que as palavras formam sentidos múltiplos em aparições aleatórias programadas.


1982
Não”, primeiro poema digital (eletropoesia ou poesia em videotexto) de Eduardo Kac.

- 5 de novembro - Daniel Lima Santiago, poeta, artista e performer, inicia suas experimentações poéticas com o computador, produzindo o “Soneto Só Pra Vê”, elaborado com o auxílio do programador Luciano Moreira, no Sistema Cobra 400/II, em Recife (PE).


1983
Holo/olho”, primeira holopoesia de Eduardo Kac. O termo “holopoesia” foi cunhado pelo autor nesse mesmo ano.

Início das atividades de João Fernando de Oliveira Coelho, quando se aproximou do computador e dos manuais de BASIC, por curiosidade.

1984
Início do uso do computador Macintosh por Augusto de Campos.
Eduardo Kac inaugura o projeto “Eletropoesia” no Centro Cultural Cândido Mendes, RJ, no qual integra o display de eletrotela, o circuito interno de rádio e dois monitores de vídeo.

22 de novembro a 2 de dezembro – “Pulsar”, primeiro videopoema brasileiro, de Augusto de Campos, com música de Caetano Veloso, é apresentado na mostra Level 5, realizada no MASP e organizada por José Wagner Garcia e Mário Ramiro.


1986
Outubro – Participação de Augusto de Campos com o poema CODIGO no evento “Sky Art Conference”, organizado por Wagner Garcia, durante o qual mensagens artísticas via satélite foram enviadas entre São Paulo e os EUA (MAC-USP e CAVS-MIT), utilizando o sistema “slow scan”.

Dezembro - Holograma RISCO (projeto de Augusto de Campos, com arte-final de Julio Plaza e Omar Guedes, realização holográfica de Moysés Baumstein), na exposição TRILUZ, inaugurada em 2/12/86 no Museu da Imagem e do Som (SP).

1987
Primeiras experiências de Luís Dohlnikoff com poesia digital, usando um Macintosh, nas primeiras versões de PageMaker.

1987/1988
“Quando? / When?”, primeiro holopoema digital de Eduardo Kac.


1990
André Vallias cria o poema “Nous n’avon pas compris Descartes”.
Arnaldo Antunes começa a usar o computador para fazer um trabalho gráfico com poesia, o que resultou no livro Tudos (1993).

1992
Agosto - Realização de ilustrações gráficas computadorizadas de Augusto de Campos, em colaboração com Arnaldo Antunes, para o livro Rimbaud livre.

Janeiro de 1992 a maio de 1994 - Trabalho desenvolvido no LSI - Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP, São Paulo, com o título de “Vídeo Poesia - Poesia Visual”. Seis poemas, que foram originalmente pensados na bidimensionalidade do papel e em preto e branco, fizeram parte desse projeto: “Bomba” e “SOS”, Augusto de Campos; “Parafísica”, Haroldo de Campos; “Femme”, Décio Pignatari; “Dentro”, Arnaldo Antunes; “O arco-íris no ar curvo”, Julio Plaza. O resultado final foi uma edição em fita Betacam de todos os poemas.

1993
Arnaldo Antunes, Célia Catunda, Zaba Moreau e Kiko Mistrorigo publicam Nome, projeto que envolve vídeo de animações computadorizadas, cd e livro.
Neide Dias de Sá, uma das fundadoras do Poema-Processo, dá continuidade ao projeto Poemãos, iniciado anos anos 70 e que não se esgotou até os dias atuais, com o auxílio do computador. Nos anos 90, ela participa, com um grupo de seis artistas, da discussão sobre as possibilidades do uso das imagens digitais na arte. Foi uma troca de 180 imagens, que foram enviadas por CD-Rom e pela internet. Quando a troca de imagens foi finalizada, uma exposição aconteceu no SESC de Copacabana.

1995
Lucio Agra inicia a produção de poesia digital, com obras como Mais ou menos (1995-2001), poemas em disquete 3 ¼, depois em cd-rom, e o uso do Microsoft Powerpoint. A partir de de Explosão sem som (1995-2002), buscou tornar sistemática a pesquisa com meios digitais, impondo-a como exercício o uso de software que não fossem originalmente destinados à autoria, particularmente o Power Point. Seu sítio Agrarik tem início em 2002.

Segundo semestre - “Moebius”, primeiro poema digital feito por Alckmar Luiz dos Santos e Gilbertto Prado. Outras criações foram surgindo e formaram o sítio Poemas em computador.

Novembro – Philadelpho Menezes coordena na web o “Verso Universal”, um projeto de poema infinito que usa a potencialidade de expansão comunicativa das redes informacionais. O poema se desenvolve com a contribuição da cadeia de poetas de diferentes países, em diferentes línguas.

1995/1996
Poemas animados em Macintosh por Augusto de Campos.

1995-1997
Elaboração de .Gif poems: coletânea eletrônica de poemas visuais digitais, de Elson Fróes, publicado em cd-rom em 1996. O kit de acesso STI (ao sistema BBS, na época em uso no Brasil) foi publicado em cd-rom em 1997.

1996
Goulart Gomes - Fractais - primeiro livro virtual de poetrix, que se encontra atualmente acompanhado de Trix, Poemetos Tropi-kais, 27 poemas Powerpoint, de 1999.
Elson Fróes inicia a distribuição dos gif poems na BBS nº 1 e em cd-rom.

Junho – Blocos on Line: Portal de Literatura e Cultura, coordenado por Leila Míccolis e Urhacy Faustino, um ciberespaço de divulgação e um arquivo de diferentes tipos de poesia.

Outubro - EPE - Estúdio de Poesia Experimental – PUC-SP - coordenado por Philadelpho Menezes. Pesquisadores participantes: Alessandra Vilela, Ana Aly, Carolina Tenório, Marcus Bastos, Sabrina Rosa e Wilton Azevedo. Trata-se de um arquivo de poesias visuais, sonoras e digitais e de videopoesia.

Gilberto Gil cria a música e letra “Pela Internet”.

1997
Clip-Poemas”, instalação com 16 animações digitais de Augusto de Campos, na exposição Arte Suporte Computador, na Casa das Rosas (SP).

Março a julho – Curso de Infopoesia e Poesia Sonora, na PUC SP, por E. M. de Melo e Castro.

18 a 25 de junho - Exposição de uma seção de Infopoesias na Biblioteca Central da PUC SP, sob a curadoria geral de Ana Cláudia Mei Alves de Oliveira, e coordenação de E. M. de Melo e Castro.

Agosto a dezembro - Curso de Ciberpoéticas de Transformação e de Movimento – PUC SP - E. M. de Melo e Castro.

11 a 18 de agosto – Exposição dos alunos do Curso de Infopoesia e Poesia Sonora (1º sem. 1997), PUC SP.

1997-1998
Cd-rom Interpoesia Poesia Hipermídia Interativa, de Philadelpho Menezes e Wilton Azevedo.

Primeiros videopoemas de Amarildo Anzolin, que foram reunidos em Única Coisa (2000).

1998
Maria Inês Simões cria seu primeiro poema - “C@lice Cibernético”.
Museu imagINário em eTERNo rETorno - Julio Plaza.
Primeiras poesias digitais de Fred Girauta, que foram reunidas no sítio Palavrórios, a partir de 2001.
Entrelinhas, de Vera Mayra (Ierecê Rego Beltrão).

Abril – “Do impresso ao sonoro e ao digital”, curadoria de Philaldelpho Menezes, SP, Paço das Artes. Foi apresentado o cd-rom Interpoesia: poesia hipermediática interativa, de Wilton Azevedo e Philadelpho Menezes.

5 a 29 de maio - Exposição de Infopoesia e Animações Infográficas - Salão Vermelho do Campus Trujillo da Universidade de Sorocaba.

1999
Início de Acarambola, obra de aLe (Alexandre Venera dos Santos), poesia digital.

29 de junho - Rodrigo de Almeida Siqueira cria o sítio Projeto Poesia, uma obra poética coletiva e colaborativa, à semelhança do henka japonês, um poema de versos alternados entre diversos compositores.

Setembro – Lançamento do sítio oficial de Augusto de Campos na Universo OnLine, contendo biografia, poemas, sons, textos, links e clip-poemas.

2000
Hugo Pontes, autor do poema visual “Nós”, de 1978, em parceria com Victor Hugo Manata Pontes, apresenta a versão digital do poema para download.

Única Coisa, de Amarildo Anzolin, videocassete, cd e livro, com apresentação de Ricardo Corona, direção de vídeo de Marcelo Borges, direção musical de Lúcio Machado e projeto gráfico de Amarildo Anzolin e Renato Larini. São 33 videopoesias / poesias verbais no meio impresso / poesias sonoras.

Sígnica: um Balaio da Era Pós-Verso (Apesar do Verso), revista eletrônica elaborada pelos alunos da disciplina Poética e Criação de Textos, do Instituto de Artes da Unesp, Campus de São Paulo, do Prof. Omar Khouri. Foi idealizada em 1998 e lançada em 2000, sob a edição de Omar Khouri e Fábio Oliveira Nunes.

Maio - I Mostra Interpoesia – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo.

Setembro – Criação da revista eletrônica Arte on Line, no Rio de Janeiro, editada inicialmente por Regina Célia Pinto, Marcelo Frazão e Paulo Villela, que depois da quinta edição (2002), se chamou Museu do Essencial e do Além Disso, edição de Regina Célia Pinto.

Novembro – Brazilian Digital Art and Poetry on the Web, coordenação de Jorge Luiz Antonio.

2001
A poética de Philadelpho Menezes / Philadelpho Menezes´s Poetics, filme dirigido por Jurandir Müller e Kiko Goifman, realização da Rede Cultura.

Outubro – II Mostra Interpoesia – Universidade Presbiteriana Mackenzie, Campus SP, organizada por Wilton Azevedo, Priscila Arantes e Jorge Luiz Antonio.

2001/2002
A Fundação Cultural de Curitiba promove, em 2001 e 2002, o Concurso Nacional de Clipoemas, idealizado por Décio Pignatari, com assessoria de Rosana Albuquerque e equipe.

2002
Carlos Vogt publica Ilhas Brasil, seu sexto livro de poesias, contendo um CD-Rom, com desenho e composição visual de João Baptista da Costa Aguiar e preparação da versão digital dos poemas, em programa Flash, de Evelina Azeredo Rios.

Panorama de arte e tecnologia no Brasil, pesquisa de Arlindo Machado, Silvia Laurentiz e Fernando Iazzetta, na qual consta o capítulo “Poesia e novas tecnologías”. – “E-poemas”, de Ferreira Gullar, por volta de 2002, animações digitais de cinco poemas, escritos e publicados em 1958.

16 de maio - Sítio da Imaginação, de Álvaro Andrade Garcia.

2003
I´m not book no! 2.0, palestra-performance de Lucio Agra, com uso de tecnologias computacionais, na Casa da Palavra, em Santo André.

Novíssima Canção do Exílio - Virtualidade Sabiá, de Regina Célia Pinto.

Novembro - Cortex Revista de Poesia Digital, edição de Lucio Agra, Thiago Rodrigues e Guilherme Ranoya, SP.

Artéria 8, revista editada por Omar Khouri e Fabio Oliveira Nunes, faz releituras digitais de poesia visual.

2004
Gabriela Marcondes inicia a produção de videopoesia a partir do aprendizado com o Macintosh, usando o programa LiveType.

Sérgio Monteiro de Almeida, passou a usar processos digitais para criação e divulgação de poesia a partir de 2000, cria uma série de poesias digitais com o PowerPoint.

5 a 29 de agosto - Marcelo Mota faz uma exposição de dez poesias digitais no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva, em Bauru.

2005
Quando assim termino o nunca, videopoesias de Wilton Azevedo em DVD.

Outubro - Projeto Di(per)Versões Eletrônicas (Brasi), de Patrícia Ferreira da Silva Martins, Frederico Assunção Martins e Wilton Cardoso Meira, poesia e computador, 44 colagens digitais, apresentação pública, com alguns computadores, na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás.

4 a 18 de novembro – Mostra Internacional de Poesia Visual e Eletrônica, curadoria de Hugo Pontes, Jorge Luiz Antonio e Roberto Keppler.

3 de novembro, a palestra-performance I´m not a book no 2.0, de Lucio Agra, no Museu da Energia, Núcleo de Itu, uma das atividades da Mostra Internacional de Poesia Visual e Eletrônica.

2006
Faixa compartilhada, A preferência é do Poeta, de Regina Célia Pinto, minilivro eletrônico de artista, em que poesia e imagens se tornam um trabalho hipermidiático.

Início de Estúdio U.N.D.E.R.L.A.B., de Wilton Azevedo.

7 abril - Nóisgrande Revista-Objeto Digital, concepção e organização de Fábio Oliveira Nunes.

21 de junho - Folha Online publica a série E-Poemas Inéditos.

Novembro - Kinopoems, de Sylvio Back, e-book (Cronópios Pocket books).

Dezembro - lançamento de 6X, em formato cd-rom e na rede, coletânea de poesias hipermidiáticas colaborativas e interativas organizada por Juliana Teodoro e Alexandre Venera, em Blumenau.

Dezembro - Condomínio Poético, organizado por Joesér Alvarez, projeto aberto de intervenção urbana / site specific que utiliza poemas em grande formato, apropriando-se da linguagem publicitária e propondo uma poesia não só para ler, mas também para olhar.

2007
Videopoesia “A$$alariado” - Goulart Gomes.

Guto Lacaz cria RG enigmático, a partir do poema “Tatuagem enigmática”, de Duda Machado, para a exposição Viagens de Identidades, na Casa das Rosas, SP.

Maio - Cânone, de Amarildo Anzolin, poesia verbal e videopoesia.

8 de maio – Ana Aly faz uma homenagem ao Dia do Artista Plástico, apresentando, em versão animada de Felipe Machado, o seu poema visual “Soma”, como tributo à poética de Philadelpho Menezes (1960-2000) e a Julio Plaza (1938-2003).

4 de dezembro - Trajetória Infopoética: Poeta Experimental E. M. de Melo e Castro, Academia de Ensino Superior, exposição organizada por Maria Virgilia Frota Guariglia, com exposição de infopoemas do homenageado, da organizadora e de alunos.


                                                 *Fonte: Jorge Luiz Antonio


Título: Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais
Autor: Jorge Luiz Antonio
Editoras: Fapesp; Itu, SP: Autor; BH, MG: Veredas e Cenários
Páginas: 198 + CD-ROM

Pedidos: jlantonio@uol.com.br

Ou pela Livraria Martins Fontes:
(consulte usando a ferramenta de busca de livros da parceria Martins Fontes - Cronópios)  

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*Entrevista publicada no Jornal da Unicamp, gentilmente cedida para o Cronópios.

*Assine o jornal on line: www.unicamp.br/assineju

O leitor do Cronópios tem acesso aqui, em PDF, ao "paper" Poesia Eletrônica: negociações com os processos digitais, de Jorge Luiz Antonio, a respeito da concepção e estudo que resultou no livro-CD-ROM. Clique aqui


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    Foto: Antoninho Perri


Jorge Luiz Antonio
é pós-doutorando no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, sob a supervisão do prof. Paulo Franchetti. Doutorado e mestrado em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), Especialização (lato sensu) em Literatura (PUC-SP/COGEAE), Graduação em Biologia e Letras. Autor de Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais (2008), Ciência, arte e metáfora na poesia de Augusto dos Anjos (2004), Um ser humano chamado David Daniels / A Human Beeing Called David David (em parceria com Regina Célia Pinto, 2004), Cores, forma, luz, movimento: a poesia de Cesário Verde (2002), Lago Mar Algo Barco Chuva (em parceria com Regina Célia Pinto, 2001), E-m[ag]inero (em parceria com Fatima Lasay, 2001), Brazilian Digital Art and Poetry on the Web (2000), Almeida Júnior através dos tempos (1983), além de artigos em livros e revistas nos meios impressos e eletrônicos no Brasil e no exterior. Vai lançar, ainda neste ano, o livro Poesia eletrônica no Brasil: teoria, história e antologia. Email:
jlantonio@uol.com.br

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Álvaro Kassab é jornalista e editor do Jornal da Unicamp. E-mail: kassab@reitoria.unicamp.br

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