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16/12/2009 02:17:00
"Escrever é um grande prazer"



Por Jovino Machado

 




1: Quem é Jana Lauxen?

Um organismo vivo, metódico e caótico, que escreve para conseguir pensar.


2: Nunca é confortável ter um Rimbaud por perto. O que a sua família acha de ter uma candidata a Edgar Allan Poe dentro de casa?

Eles gostam, por incrível que pareça. E não somente gostam, como apóiam e aplaudem, rarara. De qualquer maneira, agradeço a exagerada comparação. Ainda não dou um ovo do Rimbaud e do Poe, mas me alegrei, é claro.


3: Rebordosa? Cazuza? Angela Rorô? Cassia Eller? Tim Maia? Raul Seixas ou Maica Jéssica? Quem é Jess Renoah? Porque ela não foi ao próprio velório?

Jess Renoah é uma grande sacana, que se aproveita de seu imenso talento para azucrinar a vida de todo mundo sem nunca levar esporro nem ser abandonada. E ela não foi ao seu próprio velório, obviamente, só para sacanear – é o que ela faz melhor. Entre os artistas citados, diria que Jess é uma prima de segundo grau do Tim Maia.


4: Qual é o retorno afetivo do seu romance Uma Carta por Benjamim? Qual é o tipo de prazer ou desprazer que você teve na hora de elaborar o livro?

Imenso, incomensurável, incondicional. Escrever é um grande prazer. Até o desprazer de ter de reescrever, cortar, reler e refazer para mim é extremamente prazeroso. Claro que, às vezes, eu empaco e não consigo encontrar uma solução para um problema que eu mesma criei na história, e isso me deixa bastante incomodada. Mas é sempre uma grande diversão.


5: O que te move? O que te inspira? O que te interessa quando escreve para os sites Cabeças Cortadas, Beco do Crime e Blogue da Jana?

Escrever é a maneira que encontrei de pensar. Como creio que acontece com todo mundo, meus pensamentos são um tanto bagunçados, desordenados, desorientados. Escrevê-los é um jeito saudável de colocá-los em ordem, de mantê-los sob controle. Mesmo que seja um controle bastante remoto, como de fato é.

6: Sei que você aderiu a uma campanha anti-crack no seu blog. O que está acontecendo? Fale sobre a situação do avanço do crack no Brasil.

TODOS CONTRA O CRACK! é uma campanha virtual que busca a adesão de dez mil blogues, que precisarão tão somente colocar o selo da campanha em seu site ou blogue e escrever sobre o assunto. É só acessar www.todoscontraocrack.blogspot.com ou entrar em contato pelo e-mail todoscontraocrack@gmail.com . Como todo mundo aqui já sabe, o crack se tornou uma epidemia das mais graves, e justamente por estar à espreita, o tempo todo - nunca escolhendo classe social, cor ou sexo - é que precisamos nos mobilizar de alguma maneira, e rápido. E, enquanto blogueiros e internautas, podemos fazer a nossa parte falando sobre o assunto. É preciso colocar o crack na frente dos holofotes, as pessoas precisam parar de experimentá-lo. Porque a recuperação de um viciado em pedra é praticamente impossível, pelo menos das maneiras que tentamos até agora. Então, convido todo mundo a acessar o site, ler o texto que está lá publicado, e entrar nessa luta com a gente. Se não for por amor ao próximo, que seja por amor ao seu próprio pescoço.

7: Você torce pelo Internacional. O que mais te emociona na arte e na beleza do futebol?

Eu não sei a resposta para esta pergunta, juro. Futebol é o tipo da coisa que ou você ama ou odeia. Eu amo.

8: Como foi ver o seu ídolo Fernandão jogar pelo Goiás no Campeonato Brasileiro?

Foi dureza, para não dizer coisa pior.


9: Cite 10 artistas importantes na sua formação intelectual e artística.

Não sei se vou lembrar de dez, mas facilmente me vem à mente o Maurício de Souza (cresci com os gibis da Turma da Mônica nas mãos, o que me ensinou a gostar de ler e escrever e o resto da história vocês já sabem). E tem o Raul Seixas, claro, pelo conjunto da obra, e o Monteiro Lobato (especialmente com o Sítio do Picapau Amarelo), o Mário Quintana (minha mãe tinha o Quintanares, numa edição especial sensacional) e a banda Camisa de Vênus, que me ensinou a gostar de rock. Para ser mais popular, teve Os Trapalhões (era fã do Mussum e do Zacarias, e não entendia porque o Didi era mais importante que eles), novelas (todas. Assumo, sou noveleira de berço) e o filme Ferris Bueller`s Day Off (no Brasil: Curtindo a Vida Adoidado) – clássico maior da Sessão da Tarde. Minha formação intelectual e artística é popular até demais.


10: Cite 03 canções que você adora e 03 que você detesta.

Difícil. No momento, três músicas que tenho ouvido bastante são: Pagando Brabo, do Raul Seixas, Ballad Of A Thin Man, do Bob Dylan e Vermelha, dos Locomotores. E que eu detesto: sertanejo universitário, música eletrônica e qualquer padre ou crente com um microfone na mão. Considero-os intoleráveis.

11: O que você falou em linhas gerais sobre a moça que foi agredida na "uni ( tali ) ban", em São Paulo, porque estava usando um vestido curto?

Basicamente que as festas dessa universidade devem ser um saco.


12: O que você gostaria de ser se não fosse escritora? Por quê?

Se eu não fosse escritora gostaria de ter um emprego bem formal, com chefes, horários fixos, reuniões e, claro, um salário todo dia 30 do mês e carteira assinada. Rarara. Só para experimentar uma estabilidade que a literatura nunca poderá me dar.


13: O que é o amor pra você? O que é o sexo pra você? Acredita em amor romântico?

O amor acontece de fato quando você é capaz de amar mais a outra pessoa do que a si próprio - e isso não acontece tão facilmente. Sexo é fundamental, com ou sem amor, mas nunca poderá ser uma das três coisas mais importantes da tua vida.

Já amor romântico é um conceito um tanto relativo, pois varia dependendo do que cada um considera romântico. Eu acredito em amor sem autoridade, e acho mais importante fazer do que falar. Dizer que ama, qualquer um diz. Mostrar que ama já é outro departamento.

14: O que te faz feliz? O que te faz infeliz?

Feliz: meus cachorros, Zé e Freddie.
Infeliz: Intransigência e ditadores que, se formos pensar, são sinônimos.


15: Como é a rotina de Jana lauxen? O que você faz para driblar a rotina?

Na verdade não gosto de driblar a rotina. Adoro a rotina, ela me mantém dentro de um mínimo de equilíbrio. E a minha é bem normal, o que muda é que às vezes ela acontece de noite, e noutras de dia.


16: O que é literatura?

... a melhor maneira de ignorar a vida”, segundo palavras do próprio Fernando Pessoa.


17: Porque você escreve? Para ter sucesso, fama e dinheiro? Para ser feliz? Para humilhar os que não gostam de você? Para se divertir? Ou porque não pode viver sem escrever?

Escrevo, antes de tudo, para organizar meus pensamentos. Depois porque gosto, e tenho uma dificuldade imensa em desempenhar funções que me desagradem. Fazer o que gosto, é claro, me deixa feliz. Sucesso seria bacana – quem não o quer? – e a fama é relativa, além de complicada e perigosa. A vaidade tá sempre à espreita, e nosso ego tem uma facilidade impressionante para engordar. Por dinheiro? Rararara. Se quisesse dinheiro tinha feito Medicina ou casado com um Sheik Árabe explorador de petróleo. Escrever apenas para humilhar quem eu não gosto seria de uma estupidez e mesquinhez absurda, além de imensa perda de tempo. Não, obrigada. E, sinceramente, até acho que conseguiria viver sem escrever. Mas seria uma pessoa extremamente amarga e infeliz.

18: Fale sobre a coletânea de contos policiais Assassinos S/A que você organizou.

A Assassinos S/A é organizada por mim e pelo escritor Frodo Oliveira em parceria com a Editora Multifoco. Final do ano passado, Frodo (que foi meu colega na compilação Caminhos do Medo, da Andross Editora, e atualmente é meu editor) me convidou para o projeto e eu topei na hora. Já estamos em nosso segundo volume, que desta vez será ilustrado por oito grandes desenhistas, entre eles Shiko e Mario Cau, e está sendo muito ótimo. Dar oportunidade para novos escritores terem a chance de publicar, e ver seu trabalho reconhecido, não tem preço. Principalmente porque primamos muito pela qualidade: tudo é detalhadamente pensado, e nunca publicamos mais de 25 autores, para não criar uma coletânea-varejão. E o mais bacana é que os autores não precisam pagar para participar, muito pelo contrário. Eles enviam o texto e, se aprovado, recebem por consignação sua cota de 15 livros em casa, sem pagar um tostão, e ainda ganham 30 dias para comercializar estes exemplares, podendo embolsar 20% do preço da capa. Se não conseguirem, podem renegociar os prazos ou mesmo devolver os livros para a editora. Eu, que já participei de muitas coletâneas, posso dizer que esta é, realmente, uma oportunidade de verdade. Para saber mais, é só acessar nosso blogue: www.assassinos-sa.blogspot.com.


19: Quem você gostaria de ser se não fosse Jana lauxen?

Qualquer um que fosse invisível.


20: O que é mais importante na vida para Jana Lauxen?

Saúde. A minha e a dos meus. Sem ela, todo o resto não faz o menor sentido.







                                               * * *

Jana Lauxen, 24 anos, é escritora, autora do livro Uma Carta por Benjamin (Ed. Multifoco, 2009, 136 páginas, R$25). Também colabora com a revista independente Café Espacial, de São Paulo, e o Jornal Vaia, de Porto Alegre. Publica seus textos em diferentes sites, como o Blog Cabeças Cortadas e o Beco do Crime, além de seu blogue pessoal, o www.janalauxen.blogspot.com. É e-ditora do portal de arte e cultura E-Blogue.com, e da revista virtual 3:AM Magazine Brasil – versão brasileira do site inglês 3:AM Magazine. Organiza, ao lado do escritor Frodo Oliveira, a coletânea de contos policiais Assassinos S/A, que já está em seu segundo volume. E-mail: 3am.jana@gmail.com





Jovino Machado (Belo Horizonte/MG). Formado em letras (UFMG). Atua como restaurateur. Publicou 10 livros, entre eles Trint´anos Proustianos (Mazza Edições, 1995), Disco (Orobó Edições, 1998), Samba (Orobó Edições, 1999), Balacobaco (Orobó Edições, 2002) e Fratura Exposta (Anomelivros, 2005). Recentemente, 2009, também publicou a plaquete poética Meu Bar Meu Lar. Próximo lançamento: Cor de Cadáver (Anomelivros, 2009). Participações em Dimensão (Revista Internacional de Poesia, Uberaba, MG, 1998), A Poesia Mineira no Século XX (Imago, Rio de Janeiro, 1999), A Cigarra-Revista de Poesia (Santo André, SP, 2000), O Melhor da Poesia Brasileira – Minas Gerais (Joinville, SC, 2002), antologia poética O Achamento de Portugal (Fundação Camões, Lisboa, Portugal e Anomelivros, 2005), Suplemento Literário de Minas Gerais (2007) e Rascunho (2008). Menção honrosa na revista literária da UFMG (1991) e terceiro prêmio de Poesia Falada de Campos dos Goytacazes (RJ, 2002). E-mail: jovinomachado@yahoo.com.br   Blog: http://jojomachado.zip.net  

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