Não sou flipeiro e nem nunca fiz planos de visitar alguma das 10 Flips. Esta viagem aconteceu de forma inesperada e improvisada. Os amigos Ricardo Biserra e Tainá Prioste me convidaram para um bate volta fotográfico na Flip. Partimos no sábado às 22h40 de São Paulo. A chegada em Paraty foi às 4h30 da madrugada. A pequena rodoviária da cidade virara um dormitório de pessoas e malas, e um curioso círculo de cachorros dormindo juntos.
Chegamos com sede de café e pão com manteiga. Mas nada feito. Só depois das 7 horas da manhã é que teríamos permissão a essas dádivas preciosas. Enquanto isso, chuva... vagamos à procura do centro histórico da cidade e descobrimos como suas pedras são inesquecíveis para os nossos pés.
Chegando com chuva, eu que sou caipira do interior paulista, achei que a cidade estava alagada em alguns trechos. Pura burrice de quem não vai se lembrar de algo chamado maré provocada pela Lua. Por essa, para mim, a viagem já estava valendo a pena. É emocionante para um caipira do mato presenciar a comunhão terra–água–Lua numa cidade litorânea.
Levei minha Sony 3D para registrar a viagem e quem sabe montar um relato visual. Não da Flip organizada e oficial, mas do seu entorno, mirando seus frequentadores e a cidade que acolhe todos esses forasteiros. Fazer um road movie estava na minha cabeça. Um road movie não pode ter roteiro, tem que ser escrito pelo acaso, o roteiro é pegar a estrada e partir. Eu gosto muito dessa abordagem num documentário.
Neste relato audiovisual sobre a nossa viagem a Paraty, resolvi não usar a palavra, não entrevistar ninguém e nem falar das palestras das mesas. Seria mais um passeio mental, um “flanar” pelas ruas, becos e águas da cidade. Por “pura coincidência”, lá estaria acontecendo um festival de literatura. A primeira resposta a uma pergunta sobre o por quê dessa abordagem seria: porque não?? (com duas interrogações). Para saber tudo sobre o evento, tem muitos canais oficiais à disposição na internet.
A trilha sonora é essencial nesse tipo de montagem. Ela conduz e a narrativa. Infelizmente eu não sou músico, mas acho que sei escolher bem a trilha para os meus vídeos. A música certa para uma cena, uma sequência de filme, é ciência desconhecida. Sempre tive sorte.
Defendendo o 3D para road movies
O uso do 3D reproduz na mente (não é nos olhos que enxergamos) a textura, o volume e a profundidade de cena sensorial. São detalhes que enriquecem a experiência de quem assiste e também de quem está captando e pensando o filme. Não é só mais uma pirotecnia visual como alguns querem destratar. A imagem 3D tem “tato”, ela molha quando chove e queima quando estamos em volta do fogo. Os filmes de viagem deveriam adotar o 3D como norma.
Você não tem os óculos 3D?
Pois então o programa Tea for Two dá de presente para você. Escreva pedindo os seus óculos 3D para: oculos3d@cronopios.com.br Informe o seu endereço completo, com cidade e CEP. Duas vezes por semana postamos nos Correios os presentes do Tea for Two. Os óculos 3D foram produzidos em criativa parceria do Portal Cronópios com a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.