Por Rafael Rodrigues
Entre pessoas e livros
Para que serve uma Bienal de Livros? Bem, existe uma série de respostas para essa pergunta. Vamos a algumas delas.
Se você perguntar a um escritor que foi convidado para participar da Bienal, é muito provável que ele diga que é uma ótima oportunidade de divulgar sua obra e falar para seus leitores.
Um literato responderia essa pergunta dizendo que é sempre bom assistir escritores dissertando informalmente sobre seus livros, sua carreira, seu processo de escrita, ainda mais se isso for feito pessoalmente. E que também é uma boa ocasião para comprar livros baratos.
Há ainda aqueles que não são escritores ou que não consomem literatura regularmente. Estes vão passear, assistir palestras por curiosidade, tentar impressionar alguém, enfim, várias possibilidades.
Durante três dias de Bienal, foi isso que pude sentir. É um evento que agrega diversos tipos de pessoas, com finalidades diferentes. Consegue também reunir um grande número de livros e editoras num só local, facilitando o acesso a obras difíceis de ser encontradas, além de causar uma concorrência de preços, o que beneficia tanto a escritores quanto a leitores.
É uma excelente e providencial apologia à literatura.

Prosa x Poesia
Para bem aproveitar uma Bienal de Livros deve-se despir de preconceitos. Não ficar restringido a apenas uma programação. Ou seja, não fazer como eu.
Talvez este seja o mais informal e pessoal dos textos que escrevi sobre a Bienal. Isso porque gostaria de prevenir aqueles que porventura pensam como eu, e quem sabe, podem cometer os mesmos erros.
Na verdade, não são erros. E sim, erro: subestimar. Prosador que sou, poeta de araque e de ocasião, só me preocupei em assistir ao Café Literário. O Porto da Poesia, deixei pra lá. Só fiquei de passar por lá para prestigiar o querido João Filho.
Acontece que o Porto da Poesia foi, talvez, o mais animado dos espaços da Bienal. Seria engraçado se não fosse irônico: justamente a poesia, que quase não vende no Brasil, rendeu mais ouvintes durante o evento. As sessões do Porto, que eram basicamente os poetas recitando seus poemas, sempre estavam cheias, e a platéia atenta prestigiava os poetas que ali estavam.
Já o Café Literário, não obteve tantos visitantes. E, além disso, houve outro problema: algumas pessoas iam ao Café para realmente fazer um lanche e conversar. Ou seja: prestigiar o escritor ali presente não era prioridade de todos que ali estavam. Não estou aqui querendo menosprezar o Café, não façam esse julgamento. Apenas é intrigante o fato de que o espaço que foi dado à poesia, gênero que tem menos leitores, obteve mais espectadores que o espaço dado à prosa.
Também não é uma idéia genial deixar de aproveitar o último dia da Bienal, no qual se pode encontrar mais ainda que nos outros dias, livros bons e baratos, pois sendo o último dia, os livreiros querem vender o máximo possível, e acabam dando bons descontos.
Enfim, lições que ficam para a próxima Bienal. Que venha!

Café da manhã literário
Imprevistos me impediram de chegar na Bienal à tempo de assistir ao Café Literário com Marcelino Freire na sexta-feira dia 02 de setembro.
Desencontros me impediram de encontrar o mesmo Marcelino sentado algumas cadeiras a minha frente no mesmo Café Literário, desta vez no sábado, dia 03.
Insistência e cara-de-pau possibilitaram meu encontro com o escritor que lançou recentemente o livro “Contos negreiros” (Record, 2005, 109 págs) no sábado, dia 04, no hotel em que estava hospedado.
Cheguei cedo, por volta das 9 horas da manhã. Marcelino estava no saguão do hotel, esperando Adrienne Myrtes, editora do portal literário Cronópios, para fazerem seu desjejum.
Enquanto Adrienne se preparava, conversamos um pouco. Os assuntos foram diversos. Sobre literatura falamos pouco.
Já na mesa, e já com Adrienne, continuamos nosso bate papo. Pouco tempo depois chegou Walcyr Carrasco para também tomar seu café da manhã. Convidado para sentar conosco, gentilmente aceitou.
E a conversa rolou solta e bem humorada sobre novelas, literatura, processo de criação.
Carrasco participaria do Café Literário da Bienal naquele domingo, dia 04. Justamente o dia no qual eu retornei para casa. Infelizmente perdi o Café Literário com ele e com Marcelino.
Mas ganhei um café da manhã com os dois.

A Bienal em números
Visitantes
O segundo fim de semana da Bienal do Livro Bahia – que terminou no dia 11 de setembro – foi bem mais movimentado que o primeiro.
Nos primeiros dias a Bienal não foi muito movimentada. Os últimos dias do evento contaram com um trânsito bem maior de pessoas.
Até o fechamento deste artigo não existiam dados finais da Bienal, mas até a quarta-feira dia 07, 100 mil pessoas visitaram a Bienal do Livro. 40 mil foram estudantes. Segundo a assessoria de imprensa, a expectativa era ultrapassar o número de 200 mil visitantes da edição anterior. Em vendagens de livros, o número seria de pelo menos 240 mil exemplares.

Vendas
Para os representantes de livrarias e editoras o maior problema durante a Bienal foi o atraso na instalação das máquinas de cartão de crédito. Até a quinta-feira, dia 08, poucos eram os stands que vendiam livros no cartão de débito crédito.
Somente na sexta-feira, dia 09, a situação melhorou, e mais stands estavam com o sistema de compra a prazo. Antes disso, só a vista (em cheque ou em espécie), o que acabava desmotivando muitos compradores, inclusive este que vos escreve.
Jorge Leite, representante da Editora Record, nos informou que até aquela sexta-feira, dia 09, foram vendidos algo em torno de 2.500 livros no stand da editora. Segundo ele, a não chegada das máquinas desde o início da Bienal fez com que as vendas ficassem 60% abaixo do esperado. Com a chegada das máquinas, Jorge esperava recuperar ao menos parte das vendas perdidas.
(Fotos de Rafael Rodrigues)
Rafael Rodrigues mora em Feira de Santana(BA) é estudante de Letras, escreve mas não se diz escritor. Ainda. Idealizador do blog 3 Vozes, que divide com mais dois literatos e colaborador de alguns sites, como Pessoas do Século Passado e Simplicíssimo.