Café Literário Cronópios

O seu coração
por Jovino Machado





 
Coluna:
O MENTIROSO
Maurício Paroni de Castro


Renato Borghi e Nelson Rodrigues, o casamento eternamente feliz
por Maurício Paroni de Castro




Tio Vanja brasileiro
por Maurício Paroni de Castro




Grand Guignol, o gênero degenerado
por Maurício Paroni de Castro




Influenza solitária de palco
por Maurício Paroni de Castro




Ruínas de uma arquitetura teatral em São Paulo
por Maurício Paroni de Castro




O corte da tarja preta
por Maurício Paroni de Castro




O desenho angustioso do limite
por Maurício Paroni de Castro




O velório indecente
por Maurício Paroni de Castro




Satyros, Sons, Furyas
por Maurício Paroni de Castro




Devedores de Pirandello
por Maurício Paroni de Castro




O Aleph, uma vela e um olho
por Maurício Paroni de Castro




A mão do gato
por Maurício Paroni de Castro




Do Filme A Via Láctea -
por Maurício Paroni de Castro




O Mentiroso Mergulha em Shakespeare de Verdade
por Maurício Paroni de Castro




Mini-artigo sobre a malvadeza (complementar a “Quando a vida se liberta da obra”)
por Maurício Paroni de Castro







 


Carlos Emílio C. Lima


Marcelo Tápia


Bráulio Tavares


José Aloise Bahia


Jussara Salazar


Glauco Mattoso


Solange Rebuzzi


MEZANINO


Gustavo Dourado


Paula Valéria Andrade


Caetano Waldrigues Galindo


Eliana Pougy


Ray Silveira


Maria José Silveira


Maurício Paroni de Castro


Jair Cortés


Guido Bilharinho


Italo Moriconi


Antonio Maura


Abreu Paxe


Gonzalo Aguilar


Amador Ribeiro Neto


Leda Tenório da Motta


Frederico Füllgraf


Mathilda Kóvak


Marcelo Barbão


Alfredo Suppia


Artur Matuck
01/05/2006 19:51:00 
Mini-artigo sobre a malvadeza (complementar a “Quando a vida se liberta da obra”)


Por Maurício Paroni de Castro

 

 

Em Milão, ano 1997, uma atriz machucou-se seriamente no dia da estréia de um espetáculo meu. Gravei suas falas com a voz dela, ela recebeu o seu salário integralmente e mais um prêmio de seguro (seguro, contrato, salário: os artistas e não-artistas de minha companhia tinham o que o Governo Italiano obriga a ter). Achava indigno substituir o seu corpo, queria uma marca daquela atriz.

 

Introduzi no espetáculo uma loira (de verdade), amante (de verdade), e não-atriz (de verdade). Ela repetia todos os seus movimentos. Inventei uma personagem muda que usava o gravador para dizer as próprias falas.

 

Houve revolta de parte do elenco. Moralismos, Hypocrisias e sindicalismos emergiram. Na verdade, eles sentiram o emprego deles ameaçado, mesmo que eu respeitasse o trabalho deles.

 

Protestos não conseguiram sufocar o fato incontestável: ela era o melhor de tudo o que o espetáculo oferecia e o público o reconhecia através de aplausos evidentes. A sua tocante opção obrigada pela sinceridade me fez rever muita coisa e repensar a lição de Pirandello.

 

Mais fatos: ela casou-se com um milionário alemão (e milionário na Alemanha tem mais que simples dez milhões de Reais que muito “rico” se orgulha de possuir por aqui); a parte indócil do elenco casou-se e faz pouco teatro; três ou quatro que continuaram a trabalhar são hoje conhecidíssimos atores; eu trabalho ainda internacionalmente, mas, por ser malvado, voltei a morar no Brasil.

 

Além de chato e mentiroso, sou malvado.

 

 

 

 

 

 

 

Maurício Paroni de Castro, 44, é diretor teatral, professor residente na RSAMD (Royal Scottish Academy of Music and Drama) e associado à Companhia Suspect Culture de Glasgow, Escócia. Ensina e dirige regularmente também no Brasil e na Itália. É co-autor do roteiro de Crime Delicado, de Beto Brant. Dedica-se apaixonadamente à culinária histórica e regional italiana. E-mail: paronidecastro@hotmail.com

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