Café Literário Cronópios

Assassinado pelo céu (seis poemas de García Lorca)
por Claudio Daniel





 
MEZANINO


É isso aí, picho!
por Mathilda Kóvak




Chacrinha, buscapé e imbecybers
por Mathilda Kóvak




Flor Bella Espanca Que Eu Gosto
por Mathilda Kóvak




Páscoa com conteúdo
por Mathilda Kóvak




Passamentos
por Mathilda Kóvak




Dando férias ao ego
por Mathilda Kóvak




Apesar de você
por Gabriela Kimura




Samba e fúria, fado e credo, gozo e remelexo
por Gabriela Kimura




Desabamento (na falta de melhor perspectiva)
por Gabriela Kimura




O inferno de Dante, antes
por Gabriela Kimura




Um passeio pelo bosque da repetição
por Gabriela Kimura




Um horizonte cortado ao meio – Impressões sobre Leo Gilson Ribeiro & Bento Prado Junior
por Nilson Oliveira




Atravessar o deserto negro dessa página
por Nilson Oliveira




O Observador do litoral: a retina atravessada em constelação de saliva
por Nilson Oliveira




No limiar do ocaso: impressões sobre o ano literário
por Nilson Oliveira







 


Carlos Emílio C. Lima


Marcelo Tápia


Bráulio Tavares


José Aloise Bahia


Jussara Salazar


Glauco Mattoso


Solange Rebuzzi


MEZANINO


Gustavo Dourado


Paula Valéria Andrade


Caetano Waldrigues Galindo


Eliana Pougy


Ray Silveira


Maria José Silveira


Maurício Paroni de Castro


Jair Cortés


Guido Bilharinho


Italo Moriconi


Antonio Maura


Abreu Paxe


Gonzalo Aguilar


Amador Ribeiro Neto


Leda Tenório da Motta


Frederico Füllgraf


Mathilda Kóvak


Marcelo Barbão


Alfredo Suppia


Artur Matuck
11/02/2007 20:04:00 
Desabamento (na falta de melhor perspectiva)


Por Gabriela Kimura

 

“Meu coração, como um cristal, se quebre;

O termômetro negue a minha febre

Torne-se gelo o sangue que me abrasa,

E eu me converta na cegonha triste

Que das ruínas assiste

Ao desmoronamento de outra casa!”

(“Poema Negro” de Augusto dos Anjos)

 

 

 

 

Semana tumultuada essa. Deu zebra. Na tela. Net e sexo, literatura e blog, gente dividida, enquanto a dona literatura – a nossa baratinha querendo casar – ficou com os olhinhos para cima, suspensa assim no ar.

 

É. Esse assunto dá o que falar. Em debate, encontro literário, mesa de bar, e pronto. Desanda. Tem coisas, meus caros, que parecem que são feitas para isso. Para criar polêmica. Para segmentar. Para criar redoma, ora essa, que santa nunca foi essa nossa literatura. Sim, minha e sua. E de ninguém.

 

Agora, ficar botando atadura é que não dá. Essa pressa de adiantar o futuro e um medo crescente do que vem pela frente (e o que vem pela frente, afinal?) é medo e não argumento. É fofoca mesmo, boato, folclore, medo do bicho-papão. E, ainda cria, uma ação desoladora.

 

Mas não acredito em culpa, em bem e mal. No quadro infantil que se desenha, esse cenário futurista e triste, o vazio é quem demanda o trabalho do preenchimento. Do traço. Do reconhecimento. E isso, vem lá de trás. Porque não é o computador que assusta, as páginas virtuais. A palavra assusta a partir do exato momento que toma corpo, cara e nome dos que a reconhecem como tal. Explico: há nisso, um exercício constante e explícito de um luxo, uma esquizofrenia, um maquinário egoísta dos que acreditam lutar em nome de certas causas. O radicalismo quase sempre é descrente da verdade do outro. Um aceno ao conchavo nas partes cabíveis, cada um com a sua pequena propriedade.

 

O fato é que discutir sobre o rumo que a literatura está tomando, se é válido ou não, tornam essa mesma literatura uma figura solitária. Será sempre uma nova polêmica cada vez que outros meios se entrelaçarem, na defesa da pureza das castas e isso seria e é uma grande bobagem. A mesma bobagem que às vezes chega aos nossos ouvidos, nas nossas telas, nos nossos jornais. Bobagens que implicam julgamentos infundados, que se estendem até outros assuntos, que acabam ditando moda, que recomendam isso ou aquilo, que apontam o dedo para o nariz que está sempre na roda, ou para o nariz que costuma aparecer mais do que aquele outro nariz, que por sua vez merecia mais atenção.

 

Sem contar na ignorância das discussões intermináveis sobre os pobres autores, que deveriam ser sempre pobres, quase nobres, sem selos patrocinadores, sem bolsas ou carteiras e que, segundo a etiqueta pregada por algum desavisado, cult e inveterado, não deveriam oferecer seus serviços a outros segmentos, e nem mesmo transar com a publicidade, o jornalismo, a política, a medicina, o comércio. Mesmo que seja trabalho e não literatura. Outra praia. Entende? Outra grana. Entende? Talvez não.

 

A casa é alta. Encoste a porta. Que caia então.

 

 

 

 

 

 

 





 

 

 

Gabriela Kimura é escritora e formada em Produção Editorial. Fez parte da antologia de contos Doze (Demônio Negro) e publicou em outubro de 2006 seu primeiro livro “Dona Estultícia” (Editoras Alaúde e Eraodito). Mantém (ainda e um pouco desatualizado) o blog: www.donaestulticia.blogspot.com E-mail: gabrielakimura@yahoo.com.br

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