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O mundo em progresso
por Bráulio Tavares





 
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Micheliny Verunschk


Novidade que permanece novidade – Parte 2
por Micheliny Verunschk




Sobre o tão falado orgulho de ser pernambucano
por Micheliny Verunschk




Novidade que permanece novidade
por Micheliny Verunschk




Um poeta enorme (do tamanho incalculável de um abraço)
por Micheliny Verunschk




Um poeta me chegou pelos correios – a poética de Luís Serguilha
por Micheliny Verunschk




Os sapatinhos diabólicos (ou sobre ser mulher)
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2006 um ano sem começo
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Caleidoscópio
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Paraty
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Cinco Livros de 2005 e um para 2006
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Um Novíssimo Evangelista
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Um Cadáver Suspenso
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Micheliny Verunschk


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13/10/2007 17:24:00 
Um poeta enorme (do tamanho incalculável de um abraço)


Por Micheliny Verunschk

 

E então é isso. Morreu Alberto da Cunha Melo. Poeta pernambucano que o Brasil não conheceu e azar do Brasil, pois Alberto era grande, imenso, maior do que as leis que regem o que está na moda midiática de editoras e adaptações para o cinema e a tv, dos carrosséis das homenagens sem sentido.

 

Não conheci Alberto pessoalmente. Conheci sim, sua poesia intensa, capaz de comover, incomodar, capaz de provocar outros poemas. Durante esse ano, acompanhei seu calvário e juro que acreditei que o poeta enganaria a morte. Não enganou. Noves fora, fica Alberto em sua poesia, sua poesia em nós e fica também a imensa falta dos poemas que ele ainda faria.

 

O poema que se segue é um dos que chamo poema-amigo. Me acompanha há tanto tempo que às vezes acho que está comigo desde que nasci. Para vocês, o presente de Alberto.

 

 

  O Presente

                                               Alberto da Cunha Melo

 

  O que hoje recebes

  e não podes pegar, guardar

  em panos e papéis laminados,

  é imperecível,

  presente onipresente.

  Estás com ele na chuva

  e não temes que se desfaça.

  Estás com ele na multidão

  e não o escondes dos mutilados.

  O que não existe para os homens

  deles estará protegido,

  o que os homens não vêem

  não poderão espedaçar.

  Eis o que não te denuncia

  porque não tem face

  nem volume para ser jogado no mar.

  Eis o que é jovem a cada lembrança

  porque não tem data

  e série, para envelhecer.

  O que hoje recebes

  não pode ser devolvido.

 

 

 

 

 

 






 

 

Micheliny Verunschk, poeta pernambucana radicada em São Paulo. Lançou Geografia Íntima do Deserto, Landy, 2003. Mantém o blog http://www.ovelhapop.blogspot.com/

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