come palmito branco assado com alecrim e molhado no azeite
Après,
ele sobe escadas íngremes antes de partir
(mas há outros poetas por perto
e qualquer um que repare em seu olhar enrugado
perceberá que gosta de brincar)
No corredor-penumbra do hotel
(a perna da estátua quer deixar o mármore)
Ele anseia o descanso do Corpo
e sonha que em Paris anda de bicicleta
mas no Brasil carioca passeou de barca até Niterói
Mais tarde:
como está a noite lá fora ?
Os mendigos catam lixo nos restaurantes-boteco das esquinas de Copacabana
Nem sempre em frente ao mar
De lado, o homem fuma Marlboro (2 reais)
Na fumaça – imagine
Ele espera o táxi chegar pelas mãos de um outro homem
que não tem sequer bicicleta
(e fuma cigarros Hollywood)
Quando não houver mais este dia
Ele, de certo, nem se lembrará
Mas a verdade é múltipla
Solange Rebuzzi é carioca, poeta e psicanalista. Publicou Leblon, voz e chão e o ensaio Leminski, guerreiro da linguagem (7Letras). E-mail: solrebuzzi@uol.com.br
Publicações de um autor no Cronópios
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