Café Literário Cronópios











Um Poeta do Genocídio
por Márcio Souza





 
Coluna: NAS DOBRAS DA LÍNGUA
Solange Rebuzzi


Na língua materna
por Solange Rebuzzi




Antes e depois
por Solange Rebuzzi




Carta ao amigo desconhecido
por Solange Rebuzzi




Ficção carioca
por Solange Rebuzzi




Uma cena de inverno?
por Solange Rebuzzi




Mãos
por Solange Rebuzzi




Entrevista com a poeta argentina Tamara Kamenszain
por Solange Rebuzzi




Vitela assada e batatas ao murro
por Solange Rebuzzi




Laure Limongi Rio/São Paulo
por Solange Rebuzzi




O azul de Portinari
por Solange Rebuzzi




Retrato
por Solange Rebuzzi




Vacas sem pasto
por Solange Rebuzzi




Cidade gris
por Solange Rebuzzi




Janela e chão
por Solange Rebuzzi




A mulher e o chapéu
por Solange Rebuzzi







 


Micheliny Verunschk


Sebastião Nunes


Carlos Emílio C. Lima


Marcelo Tápia


Bráulio Tavares


José Aloise Bahia


Márcia Denser


Jussara Salazar


Glauco Mattoso


Solange Rebuzzi


MEZANINO


Gustavo Dourado


Paula Valéria Andrade


José Inácio Vieira de Melo


Caetano Waldrigues Galindo


Eliana Pougy


Ray Silveira


Maria José Silveira


Maurício Paroni de Castro


Jair Cortés


Guido Bilharinho


Italo Moriconi


Antonio Maura


João Filho


Eduardo Milán


Abreu Paxe


Gonzalo Aguilar


Amador Ribeiro Neto


Márcio Souza


Leda Tenório da Motta


Laure Limongi


Frederico Füllgraf


Lau Siqueira


Mathilda Kóvak


Marcelo Barbão


Cláudio Soares


Alfredo Suppia


Artur Matuck
    
17/1/2008 23:12:00 
Retrato


Por Solange Rebuzzi

 


    O poeta Michel Deguy  - foto: Rafael Viegas

 

 

                                                                               A alma

                                                               É Dom Quixote                              

                                                                                        M. Deguy

                                  

 

 

                                                    

O poeta passa 

- a (cicatriz) – tensiona

uma escrita pulsional ?

O vento do inverno enerva

a energia do desespero

(L’énergie du désespoir)

 

 

Um passo transitório. Hoje é sábado?

A paisagem sem hora

pede um cenário

em três tons

Paredes envelhecidas

no restaurante

Um pedaço de luz cai no colo da mulher ao lado

O pássaro da esquerda,

entre os montes que se avolumam no céu,

tece um arco de plumas alvas

Na manhã, bem no alto de Santa Teresa,

o homem de andar pesado

come palmito branco assado com alecrim e molhado no azeite

Après,

ele sobe escadas íngremes antes de partir

(mas há outros poetas por perto

e qualquer um que repare em seu olhar enrugado

perceberá que gosta de brincar)

 

No corredor-penumbra do hotel

(a perna da estátua quer deixar o mármore)

Ele anseia o descanso do Corpo

e sonha que em Paris anda de bicicleta

mas no Brasil carioca passeou de barca até Niterói

 

 

Mais tarde:

como está a noite lá fora ?

Os mendigos catam lixo nos restaurantes-boteco das esquinas de Copacabana

Nem sempre em frente ao mar

De lado, o homem fuma Marlboro (2 reais)

Na fumaça – imagine

Ele espera o táxi chegar pelas mãos de um outro homem

que não tem sequer bicicleta

(e fuma cigarros Hollywood)

 

 

Quando não houver mais este dia

Ele, de certo, nem se lembrará

Mas a verdade é múltipla

 

 

 

 

 



 

Solange Rebuzzi é carioca, poeta e psicanalista. Publicou Leblon, voz e chão e o ensaio Leminski, guerreiro da linguagem (7Letras). E-mail: solrebuzzi@uol.com.br

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