Café Literário Cronópios











O querido das mulheres
por Franklin Jorge



 
MEZANINO


É isso aí, picho!
por Mathilda Kóvak




Chacrinha, buscapé e imbecybers
por Mathilda Kóvak




Flor Bella Espanca Que Eu Gosto
por Mathilda Kóvak




Páscoa com conteúdo
por Mathilda Kóvak




Passamentos
por Mathilda Kóvak




Dando férias ao ego
por Mathilda Kóvak




Apesar de você
por Gabriela Kimura




Samba e fúria, fado e credo, gozo e remelexo
por Gabriela Kimura




Desabamento (na falta de melhor perspectiva)
por Gabriela Kimura




O inferno de Dante, antes
por Gabriela Kimura




Um passeio pelo bosque da repetição
por Gabriela Kimura




Um horizonte cortado ao meio – Impressões sobre Leo Gilson Ribeiro & Bento Prado Junior
por Nilson Oliveira




Atravessar o deserto negro dessa página
por Nilson Oliveira




O Observador do litoral: a retina atravessada em constelação de saliva
por Nilson Oliveira




No limiar do ocaso: impressões sobre o ano literário
por Nilson Oliveira







 


Micheliny Verunschk


Sebastião Nunes


Carlos Emílio C. Lima


Marcelo Tápia


Bráulio Tavares


José Aloise Bahia


Márcia Denser


Jussara Salazar


Glauco Mattoso


Solange Rebuzzi


MEZANINO


Gustavo Dourado


Paula Valéria Andrade


José Inácio Vieira de Melo


Caetano Waldrigues Galindo


Eliana Pougy


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Maurício Paroni de Castro


Jair Cortés


Guido Bilharinho


Italo Moriconi


Antonio Maura


João Filho


Eduardo Milán


Abreu Paxe


Gonzalo Aguilar


Amador Ribeiro Neto


Márcio Souza


Leda Tenório da Motta


Laure Limongi


Frederico Füllgraf


Lau Siqueira


Mathilda Kóvak


Marcelo Barbão


Cláudio Soares


Alfredo Suppia


Artur Matuck
    
13/8/2005 23:04:00 
Fuego no Mezanino


Por Andréa del Fuego












José Aloise Bahia fez no último Mezanino um raio x do site: entre outras coisas, questionou a interatividade, a super população de colunistas, a possível inibição dos leitores por conta do cadastro. É nesse último que me estendo.

 

O Café tem platéia, e seus atores mais apaixonados sabiam disso quando, anônimos, espargiram gotas de ácido. Alguns quase entraram em auto-combustão, tamanho prazer. Até que ponto um anônimo é anônimo? Por trás de um nome falso ele adquire a possibilidade de ser todos. Um torna-se todos, sua força vem daí. Força sim, que por eles o Café agora é mediado.

 

Já se falou desse desconforto. Pediu-se mais classe, educação e vergonha. Volto a este ponto, que acho ser o fígado do site, já que os textos são o coração. Não é no Café que se vê filtrado o fluxo do conteúdo, que separa o joio do trigo na opinião dos leitores?

 

Quando leio um texto, quero vê-lo reverberar também no outro. Porque esta reverberação dá continuidade ao texto. Sou leitora voraz de comentários, entro num mesmo blog 3 ou 4 vezes ao dia para ler os comentários. Ver como o autor responde, como outros leitores se comportam. Meu caso não é isolado, não requer tempo para aqueles que acham que o tenho de sobra. Basta um clique e você vê, pela fresta, o que fulano achou de sicrano.

 

Sou capaz de dizer quando beltrano apagou um comentário, mesmo que o tenha feito assim que o recebeu. Pois eu estava lá no momento em que foi publicado. Fascinante a liberdade de quem comenta, de quem permite tal coisa e a do leitor; me esbaldo.

 

Você se lembra do Prêmio Jaburu, promovido por Marcelino Freire em seu blog EraOdito? Uma versão irônica do Prêmio Jabuti, em que se premiaria o pior livro do ano. Aquilo foi um quiprocó de nego doido pra votar no pior escritor. Foi voto pra tudo que é lado, pro meu inclusive; tive três tortas na cara. Foi tanta volúpia, quase luxúria na liberdade do voto, que copiei e tenho até hoje todos os votos num arquivo de Word - duvido que Marcelino tenha isso. Eu mesma votei com pseudônimo, como se pra votar na Fernanda Young precisasse de anonimato.

 

Experimente o anonimato, é explosivo.

 

Fui ler novamente o arquivo Jaburu e notei linguagens parecidas com a que surgiu aqui no Café. A maioria dos autores permite felicitações pelo post ou texto. As críticas, quase todos apagam. Por que? O site vira quitanda com as frutas expostas na calçada. Passa moleque, passa dama, passa boiada.

 

Eis uma questão: até que ponto o texto somos nós?

 

Até que ponto os comentários são eles?

 

A internet é simulacro começando pelo navegador. É um conflito de linguagens, a que foi pretensamente elaborada (poema, conto, artigo), e a linguagem de janela de ônibus, do recado de porta de geladeira. Há verdade quando o simulacro se apresenta? A linguagem já não é um simulacro? Ninguém está nu em absoluto. Com exceção da literatura, que antes de ser exposta na rede, foi forjada na intimidade do Word e não nas ferramentas da alta rotatividade dos blogues e sites.

 

Comentário livre deixa o site aberto, significa transformá-lo em refúgio, um abrigo da opinião. Muito filtro, filtra até a opinião mais embasada. Passando por um editor, vira um castelo fortificado. Tem muita gente armada pro ataque, porque faz disso sustento do monólogo, e não do diálogo que ele sugere.

 

É preciso amadurecer não só o calabouço, mas o coração do Rei, que escreve seu verbo, publica e tem cavalaria treinada para deixar entrar os bons vizinhos. O Rei não vai abrir mão de sua propriedade, que é o que se tornou um espaço na internet. Mas há convidados do baile que não quer apenas uma taça de vinho, quer dar uns tapas na princesa. Ser da família a todo custo.

 

Ideal seria, se houvesse, um meio que contemple a civilidade e a espontaneidade, que aliás, também é construída.

 

O fôsso foi necessário, mas os crocodilos são mansos.

Que voltem os anônimos, agora sem o capuz. Cronópios desce a ponte para a sua travessia; venha de espada embainhada, aqui o banquete é pra todos, é só dar o nome. Diga o que pensa e não esconda a identidade, é tua legitimidade como leitor e opinante.

 

 

 

 

 

 

 

Andréa del Fuego é escritora paulistana. Publicou Minto enquanto eu posso. Bloga no http://delfuego.zip.net/  E-mail: delfuego@uol.com.br





OBS.: Desnecessário dizer, que as observações contidas nesta coluna são de responsabilidade da autora.

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