
Hogenério - foto de Toninho Almada
A nova figuração brasileira de Rubens Gerchman, Carlos Vergara, Antonio Dias, Cláudio Tossi, Wesley Duke Lee, Wanda Pimentel, Raymundo Collares e Nelson Leirner têm algo em comum com Hogenério!? Mantêm os intercâmbios necessários, usam elementos gráficos - como as histórias em quadrinho e páginas de jornal - e a apropriação do Pop, semelhante a Andy Warhol, Robert Rauschenberg, Jasper Johns, Claes Oldenburg, Peter Blake e Roy Fox Lichtenstein, para criar a ilusão representativa, alertar o espectador e mostrar que, por trás de cada traço, há uma crítica aos desvios do tempo.
Se por um lado a vertente brasileira estava imersa numa atmosfera histórica e política nebulosa da década de 1960, Warhol & Cia., ao romperem com a sacralizada divisão entre arte culta e arte menor - crítica sobre a cultura do século 20 - legitimaram o movimento ao abrir caminhos para uma certa democratização e reflexão sobre a massificação, o consumo, a arte como objeto de consumo das imagens e produtos.
Hogenério dialoga e brinca incessantemente com esta vertente que vem de AW & Cia., Marilyn Monroe, Elvis Presley, Branca de Neve, Carmem Miranda, Coca-Cola, Chacrinha e o beijo do cinema. São asas na imaginação do artista. Suas pinceladas simbólicas, cores vivas e contornos põem a nu os mecanismos de ilusão da indústria do espetáculo. Os personagens da sociedade são brinquedos imagéticos numa serialidade que chama a atenção pelo impacto ampliado e questionamentos de uma geração que levou a sério - muitos ainda levam - seus ídolos, sejam da infância, juventude e até mesmo da maturidade.
A recriação de imagens e lembranças, a partir de uma garrafa de Coca-Cola e super-stars, produzem mudanças de sentidos e a produção de significados que, conscientemente, exercem o seu fascínio, subversão e provocam em qualquer cidadão da Aldeia Global, o delírio e a possibilidade latente de recolocar ou rejeitar qualquer tentativa que converge para a espetacularização.
O espetáculo, já falava Guy Debord, consiste na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa para transmitir a sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia. Hogenério enfatiza, através da arte, uma manifestação oposta. De maneira crítica, apresenta os contrastes e aparências para que todos fiquem alertas sobre os enganos. Todavia, a Pop Art nas contemporaneidades, ainda é um terreno fértil para críticas. Entretanto, indo um pouco além, atire a primeira pedra aquele que nunca viu a imagem ou não se encanta com a musicalidade de um Elvis, a beleza de uma Marilyn e a criatividade do Chacrinha. [José Aloise Bahia, Belo Horizonte, MG, Brasil, jornalista, escritor, ensaísta, pesquisador, curador, colecionador e crítico de artes plásticas e literatura]

Marilyn and Coke | Interferência sobre papel | 40x30cm | 2010

Carmem Miranda | Acrílica sobre Caixa | 20x16 cm | 2001
Coleção Particular

One More Kis Dear | Acrílica sobre Papel | 80x100 cm | 2009

Passaporte para o Japão | Técnica Mista
Pintura e Bordado sobre Papel | 51x40 cm | 2009

Prontas para o Abate | Acrílica sobre Papel | 80x50 cm | 2009
Coleção Particular

White in Red | Acrílica sobre Papel | 80x50 cm | 2009

Chacrinha | Acrílica sobre Caixa | 21x17 cm | 2002
Coleção Particular

Elvis (The Faces) | Óleo sobre Tela | 65x15 cm | 2010

Beijos (Zéfiro) | Acrílica sobre Papel | 80x35 cm | 2010

La Miranda | Acrílica sobre Tela | 65x37 cm | 2009

Warhol Love Love | Acrílica sobre MDF | 50x40 cm | 2010

Quem Não Comunica... | Acrílica sobre Papel | 53x36 cm | 2009
Coleção Particular
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Hogenério (Belo Horizonte/MG). Artista plástico autodidata. Em mais de 20 anos de carreira, realizou várias exposições individuais e coletivas. Destaque para as coletivas: Mostra 5 Anos, Grupo VHIVER, Associação Mineira de Imprensa, BH, MG, 1997; Vibez Brasil, Centro de Cultura Belo Horizonte, BH, MG, 1998; 3ª. Mostra do CRAV, BH, MG, 1999; Mostra do Gabinete de Arte e Lançamento do Catálogo, Museu Abílio Barreto, BH, MG, 2000; Coletiva Natal, Quadrum Galeria de Arte, BH, MG, 2001; Vitória Pró-Underground, Fábrica 747, Vitória, ES, 2002; Uma Viagem de 450 Anos, SESC Pompéia, São Paulo, SP, 2004; 7ª. Mostra João Turim de Arte Tridimensional, Curitiba, PR, 2005; Casa Cor, BH, MG, 2007 e Bienal de Arte do Triângulo, Uberlândia, MG, 2007. Principais individuais: Personalidade com uma Visão Pop Arte, Espaço Agora, BH, MG, 1994; Wearable Art by Hogenério, Galeria do Mercado da Lagoinha, BH, MG, 1998; O Beijo, Galeria de Arte Sesiminas, BH, MG, 2002; Batman 65 anos, Livraria Saramago da Faculdade Estácio de Sá, BH, MG, 2004; Super Heroes, Uberlândia, MG, 2008; Sagrado Coração ou Tráfico de Órgãos, Galeria de Arte da Copasa, BH, MG, 2008; Universo Pop, Galeria Guimarães Rosa, Câmara dos Vereadores de BH, MG, 2010. Prêmio FCU (Fundação Cultural de Uberaba), Uberaba, MG, 2004 e Prêmio pela exposição Super Heroes, Uberlândia, MG, 2008. E-Mail: hogenerio@hotmail.com
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José Aloise Bahia (Belo Horizonte/MG). Jornalista, escritor, pesquisador, ensaísta, colecionador e crítico de artes plásticas e literatura. Estudou Economia (UFMG). Graduado em Comunicação Social e pós-graduado em Jornalismo Contemporâneo (UNI-BH). Autor de Pavios curtos (Belo Horizonte: Anomelivros, 2004). Participa das antologias O achamento de Portugal (Lisboa: Fundação Camões/Belo Horizonte: Anomelivros, 2005) e H2HORAS (São Paulo: Cronópios/Dulcinéia Catadora, 2010), dos livros Pequenos milagres e outras histórias (Belo Horizonte: Editoras Autêntica e PUC-Minas, 2007), Folhas verdes (Belo Horizonte: Edições A Tela e o Texto, FALE/UFMG, 2008) e Poemas que latem ao coração! (São Paulo: Editora Nova Alexandria, 2009). E-mail: josealoise@terra.com.br