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Que será de ti, Amazônia?
por Jorge Tufic





 
Coluna: NAS DOBRAS DA LÍNGUA
Solange Rebuzzi


Na língua materna
por Solange Rebuzzi




Antes e depois
por Solange Rebuzzi




Carta ao amigo desconhecido
por Solange Rebuzzi




Ficção carioca
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Uma cena de inverno?
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Mãos
por Solange Rebuzzi




Entrevista com a poeta argentina Tamara Kamenszain
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Laure Limongi Rio/São Paulo
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Retrato
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Vacas sem pasto
por Solange Rebuzzi




Cidade gris
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Janela e chão
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A mulher e o chapéu
por Solange Rebuzzi







 


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Artur Matuck
    
22/7/2010 11:13:00 
Na língua materna


Por Solange Rebuzzi

 

No dia 10 de julho de 2010 caminhei pelas ruas de minha cidade. Procurei um local para um café. E escrevi em português do Brasil.




1.

Imagine a solidão de um estrangeiro.

Um árabe. Um chinês.

Um norueguês. Qualquer um.

Um país. Um lugar. Qualquer.

Os olhos. As mãos. Um café.

Um canadense.

Um alemão. Um.



Qualquer lugar.

(... e aqui não se fala inglês!)





2.

Um árabe procura um café. Está tudo fechado.

Um alemão deseja um interlocutor.

A francesa se queixa do calor.

Palpitação.

E o norueguês não encontra o caminho de casa.

Miséria.

As praias estão poluídas.

O diálogo não se faz,

embora a mímica ajude.

Copa do mundo? Onde? Quando?

Começou. Vai começar. Acabou.



Sou obrigada a pensar muitas coisas.

Talvez, a hospitalidade possa ser o fruto da resistência!





3.

Mês de julho. Final da Copa.

Quero crer que o futebol importa

para além das vaidades, dos palavrões e da violência.

Chutar. Pisar. Vocação sórdida.

Mas já será tarde demais?



Nenhum oceano a ver,

apenas um mar negro de óleo!

Pássaros enlameados:

negro petróleo.

No movimento do tempo

não vejo mais nada claro.

Em solidão... os homens.

Qualquer um.






                                                 * * *




Solange Rebuzzi é carioca, poeta e psicanalista. Publicou Leblon,
voz e chão
e o ensaio Leminski, guerreiro da linguagem (7Letras).
Blog: www.solrebuzzi.blogspot.com   E-mail:
solrebuzzi@uol.com.br

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