
1 Procure fazer amizade com um proprietário de alguma grande editora.
Se você for rico, seguramente logrará êxito nesta tarefa.
2 Procure fazer amizade com algum integrante da “grande mídia”.
3 Fixe residência em São Paulo.
4 Siga todos os dogmas dos “conventículos e seitas que as crédulas universidades veneram” [1].
5 (#1º) Se você for poeta, procure “turvar as águas do poema” [2].
Os críticos costumam elogiar aquilo que não conseguem compreender.
(#2º) Se você for contista ou romancista, prefira os temas mais vulgares e comezinhos. O seu estilo deve oscilar entre o humorismo fácil e a pornografia.
6 Participe ativamente da chamada “vida literária”.
7 Um prefaciador de renome é condição “sine qua non”.
8 Procure aderir aos mais recentes modismos literários, imitando descaradamente todos os cacoetes dos escritores contemporâneos “eleitos”.
9 Atenha-se aos aspectos mais mesquinhos e sórdidos da natureza humana.
10 Seja um “performer” e, sobretudo, um “self-promoter”.
NOTAS
1. A frase é de Jorge Luis Borges.
2. A expressão “turvar as águas do poema” foi inspirada no filósofo Friedrich Nietzsche.
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Bernardo Valois Souto (Recife/PE). Bacharel em Crítica Literária pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre em Literatura e Cultura: Estudos Comparados pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Publicou poemas e ensaios, dentre outros, em revistas literárias como Zunái, Germina e Eutomia. É autor de dois livros de poemas: Elogio do silêncio (2010) e Teatro de Sombras (2011). E-Mail: bernardosouto@live.com