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1/3/2006 23:57:00
O Amor Esquece de Começar



da Redação








O amor, como a atmosfera, nos envolve, nos alimenta. Também pode envenenar. O amor é o mais intenso dos sinônimos da vida, o mais permanente, o que de fato salva. O amor nos consome e nos consuma. Na coletânea de crônicas O Amor Esquece de Começar, Fabrício Carpinejar, autor dos aclamados livros de poemas Cinco Marias, Como no Céu/Livro de Visitas e As Solas do Sol, comparece pela primeira vez vestido em prosa, em linguagem fluente, conversando quase num sussurro generoso – porque o que ele nos traz são notícias, impressões, e mais, a força impactante, reconfortadora e capaz de fazer nascer o ser que sempre fomos. Só que, desta vez, completos. O amor nos toma, mesmo antes de abrirmos a porta e percebermos sua entrada. Convém não deixá-lo ir embora, convém deixá-lo entrar. O Amor Esquece de Começar é um alerta, um aviso, uma porta aberta.

Carpinejar, desta vez, abre a sua guarda, única forma (exposição plena na ação corajosa e generosa de ser quem é) para chegar ao coração de seu tema: a paixão, que nos envolve, que nos abandona muitas vezes ressecadas, que nos ressuscita, que leva quem ama e mesmo quem não ama na direção do inesquecível, do definitivo, da salvação que nos mergulha no perder-se para se encontrar. Sem posses, mas possuídos. Desarmados, mas enfim saboreando o alimento supremo: nossa alma gêmea, que nos olha num silêncio a narrar por gestos suaves o que o discurso mais inflamado nem cogita.

O amor é uma surpresa e uma confirmação. Um renascimento para quem até então não o encontrava. Um espelho a mostrar a beleza e o vigor a quem sempre soube identificá-lo. O Amor Esquece de Começar é esse espelho. A mulher, principal interlocutora de seus textos certeiros, não está sozinha. O homem também pode participar dessas revelações que, apontadas numa direção, atingem todos e tudo. O amor, afinal, é o sentido da vida e o conforto para a assustadora dimensão do universo. “Quero recuperar o romantismo, uma visão cristalina e verdadeira das relações amorosas, um cuidado na fala, a sedução”, revela Carpinejar. “Sem idealismo, mas com idealização. A expectativa e a confiança fazem bem ao amor e não podem ser abolidos. Desejo, com as mulheres, o consenso das mãos durante o dia e dos pés durante a noite.”

 

 

 

 

 

 

Leia a “orelha” do livro, por Martha Medeiros

 

 

 

         Alguns críticos, quando querem falar mal do trabalho de alguém sem ser demasiadamente ofensivos, dizem: "Fulano, como cineasta, continua um grande músico". Pois eu digo que Fabricio Carpinejar, como cronista, continua um grande poeta, e isso é um elogio, pois não o divide em dois: soma. Fabricio seria poeta até mesmo se fosse convocado a escrever obituários, laudos periciais e relatórios de diretoria. É poeta sem chance de fuga. E que poeta.

         Em seu livro de estréia como cronista, escolheu o tema mais recorrente na poesia - o amor - e fez uma exaltação às mulheres, todas as dele (mãe, esposa, filha, amigas) e  todas as que ele conhece a fundo sem jamais ter posto os olhos. Ele domina o universo feminino a ponto de demonstrar uma cumplicidade inquietante com nossa solidão e nossas vertigens mais secretas. Como na crônica "Quando Ela Goza", em que descreve uma mulher após o orgasmo: "Quase chorava de tanto que se expulsou. Quase chorava de tanto que se recebeu de volta".

         Fabrício flutua entre a concisão e o esbanjamento. Às vezes deixa as palavras à solta, como se elas não tivessem dono, como se não fosse ele a escrevê-las e sim elas a si próprias, livres do patrulhamento do autor, e então de repente ele interrompe este passeio com um frase rápida e genial, a exemplo da crônica em que condena os namoros longos e planejados: "Não faço futuro, caso logo para fazer passado".

         Entre o nonsense a realidade, Fabricio Carpinejar é mestre em acertar no alvo, ora nos emocionando muito, ora nos emocionando bastante - as duas únicas reações que se pode ter diante deste livro escrito às ganhas. "Eu sou embaralhado de desejos", revela. 

Ele nos atordoa, de fato. "Se você não entender o que quero dizer, estaremos quites". Fabricio, a gente só não entende como esta sua convulsão emocional pode ser tão exata.

 

 

 

Martha Medeiros

 

 

 

 



 

 


 

EDITORA BERTRAND BRASIL E LIVRARIA DA VILA CONVIDAM

 

 

para o lançamento do livro de crônicas

"O AMOR ESQUECE DE COMEÇAR",

 

de FABRÍCIO CARPINEJAR

 

que será antecedido por debate com

 

IVANA ARRUDA LEITE E JOÃO CARRASCOZA

 

e leitura de textos por DENISE SILVEIRA E FERNANDO CHUÍ

 

na quinta (16/3), a partir das 19h30,

na LIVRARIA DA VILA

 

Rua Fradique Coutinho, 915

Vila Madalena São Paulo

 

 

 

 

 







 

 

Fabrício Carpinejar é poeta, jornalista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Filho do casal de poetas e escritores Maria Carpi e Carlos Nejar, nasceu na cidade de Caxias do Sul em 23 de outubro de 1972. Foi diversas vezes premiado: Prêmio Destaque Literário da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre (2000), Prêmio Nacional Fernando Pessoa da União Brasileira de Escritores/RJ (2000), Prêmio Literário Internacional Maestrale/San Marco (2001), Prêmio Açorianos (2001 e 2002), Prêmio Nacional Cecília Meireles (2002), Prêmio AGES (2003), Prêmio Nacional Olavo Bilac (2003) e Prêmio O Sul (2004). Do autor, a Bertrand Brasil publicou também Cinco Marias (2004), Como no Céu/Livro de Visitas (2005) e As Solas do Sol , que acabou de ser relançado em uma edição revista pelo autor. Serão reeditados, também pela Bertrand, Um Terno de Pássaros ao Sul, Terceira Sede e Biografia de uma Árvore.  O autor foi traduzido ao alemão por Curt Meyer-Clason e assinou contrato com a Éditions Eulina Carvalho, de Paris, para a edição francesa de Cinco Marias. Participou de antologias no México, Colômbia, Índia e Espanha. E-mail: carpi@terra.com.br

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