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23/3/2007 11:11:00
Meu filho, minha filha



Por Fabrício Carpinejar



 


 

Depois de um ano de jejum lírico, volto a publicar um livro de poesia. "Meu filho, minha filha" será lançado em início de abril pela Bertrand Brasil. Reúne uma série de poemas que medita sobre a figura contemporânea do pai, a partir da experiência de um filho que mora comigo e de uma filha que fica com sua mãe, em outro estado. A obra foi escrita ao longo de cinco anos, e acompanhou o crescimento dos filhotes e nossas alegrias, tristezas, interrogações e perplexidades.

Duas sessão de autógrafos já foram marcadas, em Porto Alegre e São Paulo:

PORTO ALEGRE: 9/4, segunda-feira, Livraria Cultura, no Shopping Bourbon Country, às 19h30, com apresentação do livro por Celso Gutfreind, Carlos Nejar e Mário Corso.

SÃO PAULO: 3/5, quinta-feira, Livraria Cultura do Conjunto Nacional, às 19h30, com apresentação do livro por Celso Lafer e Marcia Tiburi.


O Caderno Pensar, do Correio Braziliense, antecipou alguns poemas no sábado (17/3). Leia abaixo:






INÉDITOS DE CARPINEJAR



MEU FILHO COMIGO

Meu filho, eu me isolo
em algum lugar que não sou eu.
Não abro a correspondência,

Mantenho-me absolutamente calado.
Sentes algo parecido?
Não é solidão, solidão me deixaria inteiro

E sou pela metade.
Ligo o rádio antigo e encosto
Os ouvidos no aparelho

Como se fosse um cofre.
Colho a senha e o estalo.
Vejo as válvulas acesas,

O sangue verde de luzes,
Os fios meticulosamente
Dormindo.

Desapareço no ruído.
O rádio é meu autorama.
Brinco de correr vozes.






MINHA FILHA SEM MIM

Não há tantos terrenos baldios.
Não há tantos pátios ou quintais.
Meus filhos moraram em apartamentos toda a vida.

Não tinham para onde fugir de mim.
Não tinham uma reserva de invisibilidade.
Um canteiro para guardar confidências

E fazer experiências com formigas.
Sempre próximos de uma apreensão,
sempre ao alcance de um chamado antigo,

Sempre com vontade de sair mais do que voltar.
Eu já me abastecia de saudade
dos pais dentro de casa.




MEUS FILHOS SEMPRE

Quando leio meus filhos,
conto as páginas que faltam
para o final do livro.

Por mais que me apresse,
não estarei aqui
para completar a leitura.

 

 

 





 

 

Fabrício Carpinejar é jornalista e escritor, autor de O Amor Esquece de Começar (Bertrand Brasil, 2006). E-mail: carpi@terra.com.br  Blog, http://carpinejar.blogger.com.br ou www.carpinejar.com.br

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