Sheakespeare – Nosso Contemporâneo >> Jan Kott COSAC & NAÏF
O Menos Vendido Ricardo Silvestrin NANKIN
Tavinho Paes é poeta, compositor e agitador cultural.
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Tanto Faz - Reinaldo Moraes
Como dizia Bukowski: bom tempo é como boas mulheres, não acontece sempre e quando acontece, não dura pra sempre. Digo o mesmo para os livros, mas com uma pequena diferença: o tempo passa, as boas mulheres te deixam, mas os bons livros ficam com você, ali na estante, ao alcance da mão. Os bons livros são mais fiéis do que os cães. Tanto faz é bacana porque é divertido, hedonista, cheio de vida. Gosto dos hedonistas, se é pra doer, vamos nos divertir, certo? Tanto Faz é uma homenagem ao prazer, ao amor e a amizade. Morri de alegria e inveja da amizade do Rica com o Chico. E por falar nisso, onde estão os amigos, as amizades de verdade, dessas em que até as nossas amigas mijam na nossa frente quando voltamos de uma farra, arrotando cerveja e salame? Mas voltando, Tanto faz é bacana-sacana porque é um jorro de alegria. Não há forçação de barra, a coisa flui naturalmente como deve ser. Até os estrangeirismos se encaixam perfeitamente. A escrita é aparentemente simples, despojada, mas cuidado, ela engana. Num capítulo eu rachava o bico devido a alguma cagástrofe do Rica, no outro, franzia a testa e fechava a cara porque não tinha respostas para os questionamentos filosóficos do personagem embriagado de vida e Demi perdido em uma das Gare. Quando li tanto faz, peguei a mochila e me mandei pra Europa, Paris, como não poderia deixar de ser. No final de tarde parisiense, toda vez que me aboletava numa mesa e pedia um Demi, sempre brindava com um Rica e com um Chico imaginários. Tanto faz é bacana, ponto.Porque é um desses livros que tem a manha de mudar a sua vida, mesmo que você não queira... tanto faz...
1933 foi um ano ruim - John Fante
John Fante escreve como quem se confidencia a um amigo. Você acaba comprando a briga dele, ficando do seu lado. 1933... como o próprio título já entrega, é um livro triste. Um livro que fala de sonhos e amores impossíveis, muito frio, tempos de desemprego, saudade, pobreza, mas tudo isso embrulhado no papelzinho do lirismo e com um lacinho de sarcasmo. O sarcasmo de um adolescente inconformado com a vida que leva. Arturo Bandini com seus olhos de raios-x, disseca Svevo Bandini, seu pai, com tanta minúcia e audácia, com tanto ódio e amor, que até dá vontade de lhe ceder o nosso emprego, nosso salário. Comprar-lhe uma casa. Gosto das passagens em que Fante se refere “os olhos do fogão de minha mãe. Ele só obedecia a ela” ou “ O piso da varanda estalava quando o pai pisava...ela sabia que era ele”
Fante é mais um desses escritores que não se protegem em palavras bonitas, vai direto ao ponto: O Coração. Fante tem o poder de se apossar do leitor. Num dado momento, chegamos a pensar que somos Arturo Bandini, ou seu amigo mais próximo. 1933... Arrebata... toca
1933 foi um ano ruim é bacana porque Fante consegue nos alegrar com a sua tristeza e principalmente com a sua inconformação eletrizante.
Complexo de Portnoy - Philip Roth
Chorei e ri demais. Ou será que ri e chorei demais? Sei lá... só sei que foi catarse total. Só quem não foi criança ou adolescente é que não vai se identificar com o personagem, o Alex Portnoy. O Livro é divertido, é engraçado e como dizia Borges: O livro tem que divertir, se não, o jogue fora, pois é. Resisti anos e anos a fio em comprar o Complexo de Portnoy porque, sinceramente achei que era mais um desses livros paranóicos que tentam tirar você da sua paranóia. Enganei-me. Sorri molhado, chorei sorrindo. Uma frase te leva pra baixo, a outra já te traz pra cima com as lágrimas em gargalhadas. Resisti muito tempo também a Philip Roth, nada mais de livros sobre o holocausto. Nada a ver. Outra coisa. Narrativa simples e direta, mas rica e densa. Alex é um personagem que desengonçadamente tenta abrir as portas do coração dos pais medrosos e protetores ao extremo, como não consegue, fecha a porta do banheiro e se acaba na bronha. O Pinto é seu passaporte para a liberdade. Uma verdadeira e hilária epopéia masturbatória. Quem não conseguir rir com a passagem do problema que Alex Portnoy tem com um de seus testículos, deve calar seu riso para sempre: “Quando eu tinha nove anos, um dos meus testículos se cansou de viver dentro do escroto e resolveu migrar pro Norte... deixando seu temerário companheiro sozinho no meio de chuteiras, cercas de madeira, pedras, paus e canivetes, todos aqueles perigos que enlouqueciam minha mãe...”
O complexo de Portnoy não é só bacana, é do caralho, porque Roth pegou todo o seu passado e com muita coragem transfigurou-o.
Mr. Interlúdio é um livro que aparenta ser um monólogo confessional (“Quem sou você / que me responde / do outro lado de mim?”), com evidente diálogo intertextual com a poesia portuguesa, e em especial com Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Porém, essa é apenas a impressão imediata; o livro de Armando Freitas, com o belo projeto gráfico de Sérgio Liuzzi e ilustração do próprio poeta, com tiragem de apenas cem exemplares, é a meu ver um consistente trabalho de reinvenção do poema longo, aliando a dramaticidade emocional e o sentido da perplexidade do estar no mundo à escolha meticulosa dos vocábulos e à sua orquestração em frases / acordes dispostas espacialmente nas páginas, de maneira quase cinematográfica (seqüências de cortes e montagens). É um livro que prossegue e radicaliza outros trabalhos recentes do autor, como Fio Terra e Raro Mar, que fazem de Armando um dos melhores poetas brasileiros em atividade na cena contemporânea.
Ravenalas é o registro da produção poética de Horácio Costa desenvolvida entre os anos de 2004 e 2008. Os poemas foram incluídos no livro em seqüência cronológica; conforme diz o autor, “esses poemas não foram afetos ao processo de polimento e reescritura aos quais normalmente submeto os meus textos. (…) Há núcleos temáticos, formas e sentidos recorrentes, nexos, reaparições, que o meu leitor estabelecerá com outras partes de minha obra poética. (…) O que me propus fazer ao dispor estes poemas em forma rigorosamente cronológica é arriscar deixar claras as descontinuidades, a porosidade do (meu) processo poético”. De fato, aqui estão poemas narrativos, em versos longos; poemas herméticos, alegóricos, urbanos, satíricos, homoeróticos, num bem organizado museu de si mesmo organizado pelo autor, cuja dicção é única em nossa poesia recente. Destacaria, aqui, o belo poema Abismos, que abre o volume: “Não me obriguem a chegar mais perto dos abismos: / Ícaro despenhou-se; / Ariadne foi abandonada em Naxos / e cantou sua desdita a um abismo / Tristão e a pobre Isolda desceram a falésia / rumo ao barco que os levaria direto / às ondas”.
Cocatriz, segunda plaquete publicada por Adriana Zapparoli, revela a originalidade temática e semântica de uma das autoras mais talentosas que surgiram na literatura brasileira nos últimos cinco ou dez anos. A autora (que também publicou a plaquete A flor da abissínia, pela Lumme Editor, em 2007) escreve poemas que mesclam a temática erótica, mitológica e científica com um vocabulário denso, enigmático, de forte apelo sonoro e visual, que utiliza inclusive a incorporação (econômica e rítmica) de cores no texto. É uma poeta para ser lida com os cinco sentidos. Destaco, deste volume, um fragmento da última página: “onde permanece beatriz, a louca-irada, / pela aurora-de-retina, aceitando a sugestão / de cantoria e verso, em estação / enfeitada por bijuteria, / enquanto observa as iguanas correndo / em curta distância, sobre as águas”.
Claudio Daniel é poeta e editor.
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Eis 3 livros que me impressionaram em 2008:
-The Huarochirí Manuscript, traduzido do quéchua por Frank Salomon e George L. Urioste
Trata-se de uma das maiores cosmogonias ameríndias, publicada numa edição soberba, quéchua-inglês. Entre outros temas, o texto fala da distribuição das águas na região andina. Nunca se falou tão bem das águas doces e salgadas, na origem do mundo. Li também a versão francesa dessa cosmogonia e a sua recriação em espanhol, de autoria do grande escritor peruano José María Arguedas, que foi muito imfluenciado pelo "Manuscrito de Huarochirí".
-Reading the Maya Glyphs, de Michael D. Coe e Mark Van Stone
Um livro belíssimo e acessível sobre a escrita maia, uma das mais avançadas da Mesoamérica. É possível estudar e decifrar essa escrita-imagem, feita de hieróglifos compactos, que se enrolam sobre si mesmos como a casa do caracol. Uma escrita icônica que os poetas e os artistas plásticos brasileiros precisam conhecer melhor. Influenciou os muralistas mexicanos e toda a iconografia da região. Deixa qualquer um encantado. Corresponde à bela sonoridade do idioma maia.
-Todos os cachorros são azuis, de Rodrigo de Souza Leão
A novela de estréia do escritor carioca me surpreendeu, é curta mas repleta de visões e de invenções lingüísticas. Delírio lúcido, se o oxímoro é tolerável, e sempre bem-humorado, razão por que cativa imediatamente o leitor. No final, o autor nos apresenta a linguagem inumana, a primeira do gênero a ser esboçada na literatura brasileira neste novo século. Espero que esse filão seja desenvolvido e radicalizado pelo escritor em seus próximos trabalhos. Tive o prazer de escrever a orelha do livro, lançado recentemente pela Editora 7 letras, do Rio.
Sérgio Medeiros é poeta e tradutor.
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Bem, você pede três livros, uma seleção bem difícil de fazer, mas vamos lá:
3- Antonin Artaud, meu próximo" - Filosofia - Pazulin
As razões são a da boa leitura: grande trânsito de idéias, imaginação, pensamento impensado, beleza de imagens e escrita. Grande Abraço,
Ney Ferraz Paiva é escritor.
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Livros que li em 2008
1.
Posso dizerqueA Viagem ao Oriente de Le Corbusier é umbelolivro.
Eleme impressionou nãoapenaspelaedição super cuidada da Cosac Naify, comilustrações do próprio Le Corbusier (empapel de gramatura densa) comotambém pelas notas do autor inseridas nosrodapés. Vale a viagemescritadesde Berlim, Praga e Viena até Pompéia, Florença e Lucerna, passando porlugarescomo Istambul e Atenas. Escritoem 1911, e revisto em 1965, é seuúltimotexto.
2.
Passagensde Walter Benjamin, editado pela UFMG em 2006, no aspectomais parece uma bíblia, de tãovolumoso. O texto corrobora a experiência à qual se propõe o escritor ao longo de suaobrahistórica, filosófica e inventiva. É umlivroparaser lido, visitado e revisitado ao longo do tempo
3.
Entre os livros de poetas, vou citarapenasum: Histórias da GuerradeCharles Bernsteincomtradução e prefácio de Régis Bonvicino (Ed. Martins Fontes): “Seuspoemassãoinstigantes, desafiadores, extremamente articulados com as tendênciasestéticas modernas da literaturaamericana do pós-guerra.”
E aindadoislivros de ensaiosescritosporpoetas: La boca del testimonio Lo que dice la poesiade Tamara Kamenszain (GrupoEditorialNorma) e Alejandra Pizarnik de Cesar Aira (Beatriz Viterbo editora). Recolho, na maneira de dizer o poema e/ou a poética, a singularidade de cadaexperiência de escrita.
Solange Rebuzzi é poeta e psicanalista.
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A Viagem do Elefante - José Saramago (Ed. Companhia das Letras)
Um dos melhores momentos de Saramago. Humor e genialidade falam do Tempo, da alma humana, da morte, da vida; tudo cabe dentro de um Elefante. Que também pode ser um Elefante de Tróia. Metáforas e alegorias literárias ajudam o autor a transformar um livro inteiro num silencioso grito por mais alguns anos de vida.
Senhor Proust - Célest Albaret - ( Ed. Novo Século)
A intimidade de Marcel Proust contada por sua governanta e única confidente. Célest viveu ao lado de Proust durante os oito anos em que ele escreveu sua obra-prima: Em Busca do Tempo Perdido. Depois da leitura desse livro ganhamos uma importante chave para entrarmos na genialidade proustiana e compreendermos melhor a sua obra e os seus principais personagens.
O Local da Cultura - Homi k. Bhabha ( Ed. UFMG)
Livro de ensaios escrito por um dos pensadores mais importantes do século XXI, o crítico indo-britânico Homi BhaBha. Esse livro faz análises originais e polêmicas de temas centrais da atualidade e contribui muito para diversas áreas, sobretudo a crítica literária e os estudos culturais.
Lucius de Mello jornalista e escritor.
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Caro,
Em resposta a sua questão. Os três livros dos que mais gostei este ano são:
1.- Um ensaio: "Gilberto Freyre. Um vitoriano dos trópicos", de Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke (Editora UNESP) porque é uma reflexão sobre os livros que permitiram a formação intelectual do autor de Casa Grande & Senzala. É toda uma biografia literária e entendo que deveria servir de modelo para as biografias dos escritores, já que um autor é os livros que escreve e as leituras que lê.
2.- Um romance: "Órfãos do Eldorado" e "Cinzas do Norte", de Milton Hatoum. Esses dois romances dão continuidade ao ciclo amazônico do escritor. Acho que se trata de uma saga e abre novos caminhos a literatura do nosso tempo. A escrita se multiplica em novos planos da escrita e a historia no fim é narrada por uma comunidade humana. Poderia dizer mais, mas remeto ao artigo que publiquei sobre Milton na minha coluna "Las voces y los ecos".
3. Um clássico: "Tristram Shandy", de Laurence Sterne. Reli este livro no passado mês de agosto. É fundamental para entender As memórias póstumas de Brás Cubas e também é uma nova forma de narrar, além de descrever os assuntos humanos com lucidez e ironia. O humor é fundamental para nos enfrentar as grandes verdades.
Antonio Maura e escritor e professor espanhol.
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Meu caro,
não sei se alguém já falou isso (e eu estaria sendo repetitivo), mas limitar minhas escolhas a 3 chega a ser sacanagem... Entendo bem que, pela quantidade de pessoas com suas opiniões, o número de indicações é enorme. Mas não facilita nossa vida.
Bueno, vou tentar me ater.
Em verdade, não vou sair muito do lugar comum.
Em primeiro lugar, no começo do ano saiu PERSÉPOLIS, de Marjane Satrapi, em um único volume, pela Companhia das Letras. A obra, que já era extraordinária e uma das coisas mais bonitas que já li em minha vida, adquiriu com essa edição um status ainda maior de obra de arte tratada com respeito e dignidade. Já sinalizava também o foco maior que a editora estava dirigindo para a área de Quadrinhos e que irá aumentar no ano que vem.
Não posso deixar de citar a soberba edição dos IRMÃOS KARAMAZOV, de Dostoiévski, editora 34. O que posso dizer? Primordial, fundamental, absurdamente belo, essencial na formação cultural de qualquer pessoa do mundo (como foi para mim mesmo), com (finalmente) uma tradução que está à altura do desafio, realizada direta do russo.
CONVERSAS COM WOODY ALLEN, de Eric Lax, da Cosac Naify, traz entrevistas realizadas durante um período de décadas com um diretor que sempre conseguiu realizar os filmes que quis e não deveu em nada à maquinaria escorchante da indústria hollywoodiana, que sempre seguiu seu próprio caminho, mesmo com tropeços pelo meio de sua carreira, as quais ele reconhece e aproveita para se reinventar. Aliás, um grande traço do caráter de Allen é sua tremenda humildade e sua profunda auto-crítica.
Pelos brasileiros, amei e vibrei com a indicação e posterior premiação pelo Jabuti com o Histórias do Rio Negro, de Vera do Val, Martins Fontes. O prêmio serviu não só para reconhecer o patente talento da escritora, mas também como uma forma de quebrar a pressão desse lado sudeste do país, o que por si já demonstra o valor do trabalho da Vera. Devo dizer, no entanto, que apesar de gostar, e muito, desse livro, eu sou absolutamente apaixonado por outra obra da Vera, O IMAGINÁRIO DA FLORESTA - Lendas e Histórias da Amazônia, onde consegue alcançar um auge de beleza narrativa que tomou por completo.
E recém houve o lançamento do que acredito ser uma obra que deveria balançar o quadro da poesia, e da literatura brasileira em geral, A Musa Chapada, de Ademir Assunção e Antonio Pietroforte, pela contundência do seu tema (poemas que versam e se referem ao universo das drogas), pela força e beleza dos textos em si, pela imponência e força do projeto gráfico da editora Demônio Negro, aliados todos por esse impressionante trabalho das ilustrações de Carlos Carah.
É isso.
Abraços!
Claudinei Vieira é ficcionista e editor.
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A Ordem Secreta dos Ornitorrincos, Maria Alzira Brum Lemos (São Paulo: Amauta, 2008) A Ordem Secreta dos Ornitorrincos (cuja referência mais antiga data de 1570, arquivada na Torre do Tombo em Portugal) é o subterfúgio para criticar a produção intelectual sem sentido, aliada ao modo de vida igualmente gratuito da contemporaneidade. O livro é um pastiche de gêneros propositadamente irônico, entre bicos de pato de romance, botando ovos de relatórios científicos, dando de mamar a fábulas de meninas abusadinhas. Sem largar o livro, minha leitura sobreviveu a 5 embarques na linha da CPTM às 6h da manhã.
Antologia Frágil, Oficina Moda y Pueblo, org. Diego Ramírez (Santiago, 2008) Em edição xerocopiada que documenta um processo, a antologia retrata as idas & vindas da oficina de criação poética, sediada na Carnicería Punk, em Santiago do Chile. Vem embalado em caixinhas personalizadas pelos oficineiros, com objetos dentro, "mi pequeña industria cultural". Os texto são sobre a sobrevivência digna antes as luzes da disco, de emos a metaleiros, sobre a melancolia do plástico, das compras possíveis e impossíveis, sobre amores e desamores. A indicação é pela agressiva ternura desse bando, cuja própria existência se documenta como poema. Vídeo a respeito aqui (http://tinyurl.com/4f6c79).
Os Detetives Selvagens, Roberto Bolaño (Cia das Letras, 2006) (dica: não acrescente um s no nome do autor, senão ele vira o Chapolin) Documentário ficcional epistolar detalhado sobre toda a paranóia que ronda o meio dos poetas, trata da saga dos poetas reais-visceralistas Arturo Belano e Ulisses Lima na procura por Cesárea Tinajero, poeta vanguardista desaparecida no deserto de Sonora, fronteira entre México e EUA. Bolaño retrata, com admiração e sarro, esses poetas, que somos muitos, os quais dedicam seus instantes mais preciosos de vida a perseguir fanaticamente a fiel idéia traiçoeira de Poesia.
Ana Rusche é poeta e romancista.
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Durante esse ano, estive envolvido com alguns temas que têm me deixado inquieto:
1- A privacidade, anonimato, vigilância e espetáculo;
2- A memória e esquecimento;
3- O modelo, padronização, hedonismo
4- O mal e monstruosidade
Por isso recomendo os seguintes livros:
JEHA, J. (org.). Monstros e Monstruosidades na Literatura.
Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.
São ensaios que discutem a construção e o modelo do mal e das monstruosidades na literatura, o que nos ajuda a entender o imaginário construído dessas representações e suas relações com os fenômenos atuais.
DEBORD, G. A Sociedade do Espetáculo.
Rio de Janeiro: Contraponto, 2007.
Nesse livro, a espetacularização da vida, a coisificação do homem e os modelos padronizados pelo mercado- mesmo da desobediência e da rebeldia - construídos por nossa sociedade, são examinados e iluminados por uma crítica que não poupa credo, ou tendência política. Um livro esclarecedor, principalmente para uma releitura.
FOUCAULT, M. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 2005.
Pensando os efeitos dos meios de comunicação, o escancaramento da vida privada pelos meios virtuais, e a paixão da sociedade pela sua imagem refletidas nesses meios, o livro de Foucault ainda é muito atual. Principalmente quando cruzamos a vigilância e o poder disciplinador de Foucault, com o estudo dos meios de comunicação de Mcluhan. Se Dorian Grey não conseguia vislumbrar o próprio retrato, imagine quando nos olharmos no espelho.
WEINRICH, H. Lete: Arte e Crítica do Esquecimento.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
Finalmente, Weinrich nos revela a necessidade do esquecimento em uma era da informação. Algo que nos parece irreal, pois hoje somos capazes de arquivar uma quantidade enorme de informações. Mas o risco de não esquecer é trazer a informação sem pensar, o efeito previsto por Borges em seu conto "Funes, o memorioso". O pior é que parece que tanto Borges, como Weinrich estão certos, basta olhar a utilização da informação em nosso tempo.
Espero que gostem. Boa leitura.
Patricio Dugnane é poeta e professor.
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Ontem não te vi em Babilônia - Lobo Antunes: pelo desassossego com a estrutura tradicional do romance, com ruptura do tempo-espaço tradicionais, e pelo trabalho insistente com a linguagem. Um homem que dorme - Georges Perec - pelo intrigante delírio do personagem, exercício de uma depressão do homem moderno, de sua negação diante do mundo. Ribanceira - Dalcídio Jurandir - (releitura): pelo trabalho com a linguagem.
Carlos Pessoa Rosa é médico, escritor e editor.
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Heterodoxia, de Ernesto Sabato, pela clareza da exposição de idéias complexas e pela convicção com que vão contra a corrente, de esquerda ou de direita. O Vôo da Madrugada, de Sérgio Sant´Anna, pela segunda vez; a síntese de amor e morte encontra a sua gramática perfeita no Brasil pelas palavras deste escritor.
O Conto do Amor, de Contardo Calligaris, o livro sobre os anos de chumbo italianos, escrito em português e fora da Itália: seria impossível pensá-lo e escrevê-lo ali. Trata-se do livro italiano mais importante dos últimos 20 anos. Brasileiro, vejam só.
Um Diálogo, não chega a ser um livro propriamente dito: Sinfonia do Desbravador, Daisaku Ikeda com Kodama, imigrante japonês da primeira leva, de 1908. Um relato simples e despretensioso conta muito de nossa história e deita uma boa luz em sombras esquecidas do Brasil da Primeira República.
Maurício Paroni é professor e diretor teatral.
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Lá vai essa coisa de livros.
Allegro- Fernando Portela:um contista de primeira. São 91 contos em um estilo conciso, elegante, limpo.Nada sobra e nada falta. Eu já conhecia Portela como um dos maiores jornalistas deste país. O ficcionista me surpreendeu. Em tempos em que se escreve muito, belas imagens, etc etc, e na verdade se diz pouco, Allegro é imperdível.
Rita no pomar - Rinaldo de Fernandes: outra delícia e outra surpresa de 2008, acabei de ler e gostei muito. De não me engano é o primeiro romance do autor. Um livro que a gente lê de um galope. Rinaldo encontrou uma bela maneira de contar uma história. E fez isso muito bem.
Pastoral americana - Philip Roth: O autor põe o dedo na ferida sangrenta da sociedade americana.O sonho acabou. Um dos poucos livros que eu reli partes dele qdo acabei de ler. E uma das melhores coisas que li na vida.
Vera do Val é escritora. Mora em Manaus.
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Indico apenas um, mas acho que vale por muitos.
Pequeno manual de procedimentos, César Aira (Arte & Letra, 2007). Edição organizada por Eduard Marquardt e Marco Maschio Chaga. Trata-se de uma reunião de textos publicados na internet, jornais, revistas etc. Crônicas e artigos que transitam entre o ensaio e a ficção. Destaco “A boneca viajante”: para consolar uma menina que chorava por causa da perda de sua boneca, Kafka teria escrito uma série de cartas. Assinadas pela boneca, as cartas contariam suas aventuras pelo mundo e explicariam o seu desaparecimento. Aira não é apenas um dos mais inventivos escritores contemporâneos, é também um desses escritores capazes de pensar a literatura com ousadia e originalidade.
"Depois dos 50 anos de vida de um leitor, os livros ou são uma releitura ou um conserto, concerto e acerto de contas de formação.
1) Lazarilho de Tormes: esse clássico, que eu não conhecia, dele tive notícia pela primeira vez em uma palestra de Ariano Suassuna. Vale a pena pelo humor e pela crueza das aventuras de um personagem, sobrevivente que parece ter saído das terra do Nordeste brasileiro. Não é nenhum Dom Quixote, porque não possui a grandeza, humanidade e graça da escrita de Cervantes, mas arrisco dizer que sem ele talvez não existisse o Dom Quixote.
2) Travessias Singulares - Pais e Filhos: poderia dizer: "Não tínhamos no Brasil até aqui um livro sequer parecido. Não por falta de conflito, ternura ou guerra nessa relação, é claro. Não por falta de escritores que aqui e ali não se furtaram a essa coisa tão íntima quanto a relação com o útero materno. Uma relação-correspondência que nem sempre chega ao destinatário, fundamental para a definição da identidade, do caráter que somos...". Mas digo: participo da antologia, o que é sempre um motivo de boa lembrança.
3) Paris é uma festa: entra no capítulo das releituras. É um livro para escritores maduros ou iniciantes, leitores maduros ou iniciantes. Mais de um escritor já teve sua vocação despertada por essas memórias de Hemingway. Mais de um escritor maduro já identificou nelas sua própria história, em uma Paris que pode estar em São Paulo, Recife, Quixeramobim ou Porto Alegre. Leitores de todo o mundo lêem-no com prazer, até hoje. Recomendo: se você está cansado, estafado, chateado, desencantado ou puto, pra fugir da rima, leia Paris é uma festa. Faz bem ao espírito.
4) Machado de Assis, ensaios e apontamentos avulsos: não estranhem os três livros que são quatro, porque não poderia deixar de lado esse presente que ganhei neste dezembro. O autor é Astrojildo Pereira, aquele intectual que beijou as mãos de Machado um dia antes da morte do nosso maior escritor. Astrojildo é aquele intelectual que fundou o Partido Comunista do Brasil, que "ganhou" Prestes para o comunismo, e depois foi expulso do Partido e depois reintegrado. Só fazemos bem as coisas que fazemos por amor. O afeto de Astrogildo Pereira por Machado de Assis fez com que ele pulasse o sectarismo, a estreiteza de concepções mecânicas dos companheiros de luta nos anos 30. Leio o livro com prazer e carinho, para aprender com Astrogildo uma visão nova da grandeza de Machado."
Urariano Mota é jornalista e escritor.
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Uma ponte acima do mundo
Pachachaca, palavra quéchua que encontrei no romance – Os rios profundos – de José María Arguedas. Metáfora da leitura. Pachachaca – uma ponte acima do mundo - caminhar acima de seus rios profundos em êxtase. Arguedas nos leva para o interior de Cuzco, suas ruas de pedra, seus palácios incaicos, suas casas com pátios internos. Uma seqüencia de lugares, pontes, rios e fazendas. A vida de um menino no internato, suas descobertas, seu amor ao povo Inca. Um relato autobiográfico de suas andanças com seu pai, um advogado itinerante, antes um juiz. Destituído de suas funções, o pai caminha pelas cidades peruanas e descortina para o menino um universo único. Arguedas, um escritor etnólogo, para mim se apresentou como o maior narrador peruano.Os índios e as palavras belas no idioma quéchua.Siwar k’enti é beija-flor. Arguedas suicidou-se em 1969, aos 58 anos. O amor pelo idioma quéchua surgiu na infância, quando a madrasta sempre o castigava mandando dormir na cozinha com os índios.Tornou-se antropólogo, etnólogo, escritor. O livro me preencheu de encanto. Exótica narrativa dos lugares por onde ele caminhou e sentimentos que experimentou em carne viva. A lembrar que a realidade é sempre mais profunda.
Os rios profundos – José María Arguedas.
Tradução: José Bento.
Ed. Assírio & Alvim
Outro livro que amei ler em 2.008 – Um ensaio sobre Mário de Andrade. O ensaio se propõe a falar do leitor Mário de Andrade e dos leitores de Mário de Andrade. Um mergulho na intimidade e no pensamento dele. Um texto pincelado de ternura, que desperta uma saudade de Mário. “O importante não é ficar, é viver. Eu vivo” E vivendo, viajando, mesmo se nominando antiviajante ele narra um País que o assombra – “A vitória-régia, a grande flor, é a flor mais perfeita do mundo, mais bonita e mais nobre, é sublime. É bem a forma suprema dentro da imagem da flor (que já deu idéia de Flor).” A certa altura o livro narra o ócio de viver sem ter o que fazer, posando para Anita Malfatti, que pintou muitos retratos dele no ócio repartido. Mas, algumas obras são construídas neste ócio, pois mesmo as cartas são obra prima: “Não posso me esquecer da frase que ele [Portinari] disse um dia enquanto eu posava para ele. Parou de pintar de repente, me olhou, olhos luzindo de outra luz mais dadivosa e falou estourando: ‘Você parece um santo espanhol de madeira, do século treze!’. Nunca fui procurar nos meus livros os santos espanhóis do ‘século treze’ exatamente, pra ver si ele acertou na data. Mas sei o que ele queria dizer, vendo atrás da minha feiúra dura e minha cor que são bem de madeira, uma bondade, o sujeito bom que ele exigia de mim pra me querer bem”.Ler este ensaio é mesmo adubar as raízes, como vaticinou Mário - “As almas são árvores. De vez em quando uma folha da minha vai avoando poisar nas raízes da de você. Que sirva de adubo generoso.”
Mário de Andrade e a Cultura Popular - Maria Aparecida Silva Ribeiro
Vencedora do Prêmio Nacional de Ensaios - Prêmio Xerox - 1997
- Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, Câmara do Livro, The Document Company Xerox (1997)
Para concluir, 2008 apresentou a prosa poética de Rodrigo de Souza Leão com o relato nonsense – Todos os cachorros são azuis. Dentro do caos emerge a poesia e beleza de Rimbaud com flores na lapela e a dor de pessoas que desconectaram do mundo e vivem neste espaço de limbo azulado onde tudo é permitido.Foi uma grata surpresa o romance do Rodrigo, um dos projetos premiados com a bolsa de escritor _Petrobrás_ do ano passado.
Quando somos crianças engolimos grilos e quando crescemos engolimos chips, e tudo traz este barulho infernal em nossas vidas.
“Todos os cachorros são azuis? Engoli um chip. Engoli um grilo. O que falta devorar neste mundo?
O carnaval só tem cores de felicidade curta. Tratar com loucos ou com gente normal. Qual a diferença?Com quantos paus se faz a canoa da realidade? Com quantos morteiros se afunda o barco das coisas?”
Todos os cachorros são azuis
Rodrigo de Souza Leão
7Letras, 2008
Bárbara Lia é poeta.
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Eis os três livros mais interessantes que li neste ano:
1. Leituras de Infância, de Jean François Lyotard: neste livro, o filósofo francês faz uma releitura de autores como Joyce, Kafka, Satre, dentre outros, do ponto de vista da infância que, para ele, não é um idade da vida que passa, mas algo que povoa o discurso e portanto habita em nós sempre. A infância é o primeiro olhar, é poder conceituar algo, é livrar-se de um "pré-conceito", de um nome. Assim fazendo, Lyotard nos oferece uma crítica fresca, um olhar renovado sobre esses autores tão consagrados e já conceituados pela crítica. Esclareço que li a ótima tradução espanhola do livro, lançado pela editora Eudeba, Argentina.
2. Relatos de um corvo sedutor, de Péricles Prade. O livro, mais do que uma narrativa, é uma experiência de leitura. Tudo no livro é veloz, as cenas, os personagens. A estória se perde num turbilhão de imagens, informações, referências, nada detém o narrador nonsense do livro, que, mesmo ao final, tendo devorado os próprios dedos, não consegue por fim à sua narração. O livro acabou de ser lançado pela editora Letras Contemporâneas.
3. O presidente negro, de Monteiro Lobato, livro que mostra o perfil eugenista do escritor e clama por um novo olhar e uma nova leitura de sua obra, incontestavelmente paradoxal e maior do que ela nos tem sido apresentada.
Dirce Waltrick do Amarante é escritora, tradutora e pesquisadora.
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Não foi fácil escolher os 3 melhores livros de 2008. Outra tarefa árdua foi falar a respeito dos eleitos. Sou um bom leitor, mas um crítico lamentável. Durante o cumprimento do pedido, percebi o quão difícil é discorrer sobre livros que lemos, mesmo que de maneira sucinta (embora eu conheça alguns pseudo-intelectuais que falam de livros que nunca leram mais que a orelha. Mas deixa pra lá.). Graças ao seu pedido, percebi o porquê de não haver muitos críticos literários pelo Brasil.
Mas vamos lá!
Jesus Kid, romance.
Autor: Lourenço Mutarelli.
Já fazia algum tempo que eu queria ler um livro do Lourenço Mutarelli. “O cheiro do ralo” não servia, pois já tinha visto no cinema. Então procurei pelo “Natimorto”. Não tinha na livraria. O vendedor me ofereceu o “Jesus Kid” e resolvi aceitar a sugestão. Não me arrependi. Mutarelli ganhou, não só um leitor, mas também um fã. Alguém que parte da claustrofóbica premissa de escrever sobre um escritor escrevendo sem cair na mesmice, surpreendendo e divertindo mais a cada capítulo, merece nossa atenção. A saga do escritor Lourenço, autor de livros baratos, vendido em bancas de revista, enclausurando-se em um hotel, deparando-se com os tipos mais curiosos e patéticos e ainda tendo que conviver com Jesus Kid, seu principal personagem e amigo imaginário, é engraçadíssima. Recomendo.
A ponto de explodir, contos.
Autor: Sérgio Fantini.
Conheci o autor antes de ter lido sua obra. Nessas andanças literárias Brasil afora, acabamos por nos tornar amigos. Quando soube que ele lançaria um livro com edição independente lá em BH, encomendei um exemplar. Li, gostei e encomendei 10 para presentear amigos escritores natalenses. Os contos do livro “A ponto de explodir” são de uma fluidez deliciosa. Os temas das histórias variam já que se trata de uma reunião de textos feitos para coletâneas, suplementos literários e publicações diversas. Mas todos têm um ponto em comum: a ótima qualidade, transformando o amigo Sérgio Fantini na maior surpresa de 2008 para mim.
Quem quiser encomendar um exemplar ou simplesmente aperrear o autor, o e-mail dele é: sergiofantini@gmail.com
Fora de órbita, contos.
Autor: Woody Allen.
Woody Allen é histérico, cínico e hilariante. Faz do absurdo, um playground inesgotável de novas possibilidades ficcionais. Este livro é mais uma prova disso. Recomendo, assim como todos os anteriores do autor. Leiam e tentem não morrer de rir.
Carlos Fialho é escritor.
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Minhas três indicações de livros lidos em 2008:
Machado e Borges - Luís Augusto Fischer - Arquipélago Editorial
Um notável ensaio sobre Machado de Assis e Jorge Luis Borges, escrito com lucidez e profundidade e que aponta com frescor, leveza e contemporaneidade, luzes e identidade sobre os dois grandes autores latino-americanos.
Escolhido como o Prêmio Livro do Ano Açorianos 2008.
Paris não tem fim - Enrique Vila Matas - Cosak Naify
Um romance magnético sobre Paris, que é a comprovação pelo autor que Paris é sempre singular e individual, a cidade é a de seu habitante ou visitante, peculiar e intransferível, seja ela a de Hemingway, a do próprio Vila Matas, a de Kafka ou a do leitor. Vale no final a imaginação de quem a interpreta, de quem a decodifica e essa será a verdadeira Paris. Um grande livro.
Meu nome é Legião - António Lobo Antunes - Dom Quixote (Lisboa)
Potente e denso romance de Lobo Antunes, uma espécie de sinfonia literária, tonitroante, entremeada de fermatas e muito original, que nos surpreende com intensidade, comprovando aquilo que o autor afirma: "que somente ele escreve dessa maneira". Esse fato é verdadeiro e esse romance é um bom jeito de se descobrir e de se empolgar com essa forma contemporânea, muito particularizada de se criar uma escrita e um ritmo literário de estilo único.
Alfredo Aquino é artista plástico e escritor.
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Os meus três livros
1 – A sagração da primavera, de Modris Ekteins. História contemporânea.
2 – A imitação do amanhecer, de Bruno Tolentino. Poesia brasileira. Relido.
3 – A mudança – O espelho partido, de Marques Rebelo. Redescoberta de um dos mestres da prosa brasileira.
João Filho é escritor e dono de sebo na Bahia.
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Companheiros de leitura
Escolher três livros dentre todos os lidos durante o ano não é uma tarefa muito simples. Por isso, resolvi adotar um critério dos mais objetivos: escolher meus autores por relação de proximidade afetiva. Sei que vai parecer um critério um pouco egocêntrico, mas vir a público e falar de livros preferidos não deixa de ser um exerciciozinho de egolatria.
Portanto, lá vai: Passeios na Floresta (Éblis, 2008), de Ademir Demarchi, Camisa Qual (Éblis, 2008), de Cândido Rolim e Tratado dos Anjos Afogados (Letra Selvagem, 2008), de Marcelo Ariel.
Os livros do Ademir e do Cândido, além de serem muito bons (quem quiser ler uma opinião “isenta” [todos sabemos que isso não existe, nénão?] sobre eles: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=581427), ainda por cima foram publicados pela minha editora (sim, eu sei, a editora não é minha, é do Ronald Augusto e do Ronaldo Machado, mas a Éblis é, sim, minha assim como as revistas Babel [do citado Ademir] e Critério [do meu camarada Marcelo Chagas] também são).
O Ariel, por sua vez, publicou um livro de poemas que deve ser lido por todos os poetas jovens (mas não só) para que estes entendam que APENAS ler um montão de teoria e também todos os clássicos não faz de ninguém um bom poeta.
Na realidade, o mais legal de ler os autores citados é poder acessar “mundos mentais” completamente diversos nos quais tudo o que é humano nos parece tão poética e estranhamente humano.
Paulo de Toledo é poeta e blogueiro.
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Os três melhores livros do ano
(1) BEIJANDO DENTES (Editora Record) - Livro de contos forte e impactante, maduro e certeiro do campineiro estreante, vencedor do Prêmio SESC de Literatura: MAURÍCIO DE ALMEIDA. Uma beleza!
(2) DOBRADURA (Editora 7Letras) - Continuo na lista dos estreantes. E essa poeta tem fôlego e vai longe. Gosto de poesia simples, sem lengalenga e nhenhenhém. É o que ela faz e bem. A carioca, gravem esse nome: ALICE SANTANNA.
(3) MERCADORIAS E FUTURO (Ateliê Editorial) - Para terminar, outro estreante. Um dos livros mais inventivos e inspirados e inspiradores e que inaugura eu-não-sei-bem-o quê na literatura brasileira e beleza! O autor do romance-novela: Lirinha. Sim, o mesmo do Cordel do Fogo Encantado. E avante e até 2009 e fui e aquelabraço.
Marcelino Freire é escritor e agitador cultural.
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Este ano estive:
- Num hotel, deitada de roupão atoalhado, comendo amendoim de saquinho, longe de tudo, de todos, os olhos voltados pro teto branco, maravilhados, com o belo livro de estréia do Chico Mattoso: Longe de Ramiro.
- Num milharal, arrancando casca de ferida do joelho, apostando corrida de besouros, colecionando tampinhas de garrafa pet, no romance O verão do Chibo de Vanessa Barbara e Emilio Fraia. Escrito a quatro mãos, o livro é rico em "singeleza crua", capacidade que só as crianças e poucos crescidos têm.
- No Japão, distante e confusa com a intricada trama de cartas longuíssimas e bilhetes trocados, disfarçada de raposa do teatro Kyogen, sozinha entre japoneses lacônicos e tarados (?), na luxúria da escrita enxuta (uma espécie de pobreza nobre) de Bernando Carvalho, em seu último romance: O sol se põe em São Paulo.
Não saberia como escolher os melhores livros que li no ano de 2008. Teria de comparar coisas muito diferentes entre si.
Mas tenho lido muita poesia e posso facilmente identificar, entre outras, três leituras que me deram muita satisfação, por um motivo ou por outro.
O primeiro destaque foi "Prime - Poesie Scelte 1977-2007", de Gabriele Frasca (Roma: Luca Sossella Editore, 2008). Uma poesia forte e densa, sobre a qual ainda não posso dizer muito, senão que me impressionou e exigirá ainda um bom tempo de reflexão. Apreciei especialmente os poemas breves.
O segundo livro que li com prazer foi "Uns e outros", de Rodolfo Gutilla (São Paulo: Landy Editora, 2005). O destaque, aqui, é o DVD que acompanha e sintetiza o volume impresso. Raras vezes encontrei um equilíbrio tão delicado, agradável e eficaz, do ponto de vista estético, entre a voz, o texto e os recursos de animação.
Uma terceira boa experiência foi o conhecimento da poesia de Thomaz Albornoz Neves ("Sol sem imagem: poemas". Rio de Janeiro: Topbooks, 1996 - e "Exílio: poesia". Porto Alegre: Movimento, 2008). Mais do que pelo desenho de cada um dos livros, que me pareceu algo irregular, é pela alta qualidade da maior parte dos poemas enfeixados em cada volume que essa poesia se afirma.
Paulo Franchetti é escritor, professor e editor.
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Já que não pude acompanhar a maioria dos lançamentos do ano, descaradamente promovo aqui uma ação entre amigos, mas amigos que merecem, entre vários outros. Na poesia, destaco o livro de Elson Fróes, "Poemas diversos" (Lumme), pelos motivos que me levaram a posfaciá-lo: trânsito desenvolto entre o verso livre e a meticulosidade semiótica do pedeuma. No conto, o livro de Luiz Roberto Guedes, "Meu mestre de história sobrenatural" (Nankin), que, apesar do título evocativo de Mário Quintana, evidencia que o autor se afirma como mestre do gênero infanto-juvenil, especialista em vampiros e lobisomens, essas criaturas tão reais, dando continuidade ao "Treze noites de terror". No romance, o livro de Lourenço Mutarelli, "A arte de produzir efeito sem causa" (Cia. das Letras), no qual nosso mais mórbido e sublime quadrinhista se reafirma como ficcionista digno das telas cinematográficas, devassando personagens meio psicóticos ou meio normais, dependendo do ponto de vista, ou seja, iguais a todos nós. Falei e disse.
TRAVEN, B. O Visitante Noturno. Trad. Luciano Machado. São Paulo, Conrad, 2008. Um grande exemplo de literatura fantástica soturna e misteriosa. E feita por um norte-americano enigmático que viveu escondido no México (suspeitava-se até que fosse Jack London).
Bolaño, Roberto. A Pista de Gelo. São Paulo, Cia. das Letras, 2007. Ler Bolaño é descobrir, com alívio imenso, que a literatura não acabou. Muitos escrevem, mas nem todos são escritores. Bolaño é, goste-se ou não do seu estilo. O vigor de sua escrita indica que viveu e morreu para isso.
FRANCHETTI, Paulo. Oeste. Cotia, Ateliê Editorial, 2007. Nada de poemas-piada, paronomásias ou tercetos pretensamente haicaísticos: em Oeste, o haicai aparece em estado puro, com a limpidez dos grandes mestres, como Bashô e Issa.
não sei se atenderá, de todo, a seus propósitos, mas aí vão meus 3 livros - 2 deles, por força de estudos e apontamentos para obras que publicarei neste 2009, a saber:
* as coletâneas de contos de Arthur Azevedo: Contos possíveis, Contos fora da moda, Contos efêmeros, Contos em verso, Contos cariocas, Vida alheia, Histórias brejeiras — para efeito da obra "Contos efêmeros de Arthur Azevedo: edição crítica", que lanço em março.
Por que Arthur Azevedo? Porque é um dos melhores contistas da literatura brasileira, seus contos constituem um painel da própria sociedade brasileira de seu tempo, envolvendo diversos gêneros e criando novas possibilidades de criação literária; forneceu a matriz para uma espécie de contística carioca – os contos eram até mais populares que os de Machado de Assis na mesma época --e seus contos são considerados os introdutores das classes médias na literatura nacional
* as obras de Euclides da Cunha: Contrastes e confrontos, À margem da História, Outros contrastes e confrontos, DA Independência à República [além de todos seus artigos publicados em A Província de S. Paulo - hoje o jornal O estado de S.Paulo]-- para efeito da obra "Escritos políticos de Euclides da Cunha", que lanço em agosto.
de Euclides, o mínimo a se dizer é trata-se de um dos maiores escritores não-ficcionais que o Brasil já produziu, um dos grandes cientistas sociais - sim, senhor -- haja vista que quem escreveu todos esses textos aos quais me reporto, e referências obrigatórias da ensaística brasileira, e que criou a obra-prima Os sertões [vide meu ensaio in Cronópios, dez.2008], insere-se inquestionavelmente na galeria dos primordiais artistas brasileiros. * o terceiro livro, bem, veio ao chamado apagar das luzes de 2008 e é, a meu juízo, uma das melhores obras da literatura brasileira - no caso, de estatura universal - dos últimos tempos: A chave da casa, de Tatiana Salem Levy, uma quase obra-prima de temática étnico-histórica, reflexão existencial e em especial de construção literária no que Tatiana faz uso perfeito, lapidar, de vozes narrativas, ora na própria do narrador ora na de personagens, umas se transmutando com as outras, e isso, a meu juízo, constitui juntamente com a história da família o fio condutor do romance.
Mauro Rosso é escritor e pesquisador.
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Aí vão os livros:
Noturno do Chile, de Roberto Bolaño (Companhia das Letras). Sem falar no talento do escritor chileno, a admiração que tenho por seu calibre de romancista, minha identificação com suas emoções fundas, seu mergulho na, digamos, pesada carga humana, nesse Noturno Bolaño foi capaz de fazer um retraro admirável do inimigo, sem maniqueísmos, pois o narrador é um padre que dá aulas de marxismo ao ditador Pinochet. E acaba por testemunhar algumas torturas inconcebíveis que foram uma das marcas registradas da página mais negra da história do Chile.
Austerlitz, de W.G.Sebald (Companhia das Letras), romance admirável do escritor alemão, em que o narrador, contando seus encontros com o excêntrico Austerlitz nos leva por "passeios" inequecíveis por uma sinistra arquitetura símbolo das tragédias e da cultura da Europa. Um livro especialmente significativo para mim por passear pela cidade de Praga, em que ambiento o romance que escrevo atualmente. E vale apontar que o jogo de palavras com imagens funciona de forma admirável nesse livro.
Acenos e afagos, de João Gilberto Noll (Record). Uma epopéia libidinal, como define o próprio autor, dentro de um livro em que predomina a obsessão sexual, a repetição sem culpa de atos que indicam determinadas preferências. Esse romance, à parte a sua audácia e a maestria da linguagem de Noll, adquiriu também uma importância especial para mim, pois fui chamado para escrever a sua orelha e me desincumbi da tarefa, muitas vezes com o coração batendo.
Lembrei-me de um quarto e excepcional livro, Edson, que li em 2008. O náufrago, do austríaco Thomas Bernhard (edição brasileira da Companhia das Letras). Dois pianistas têm suas vidas e carreiras arrasadas ao se darem conta de sua mediocridade diante do pianista (real) canadense, Glenn Gould (aliás, colega deles de curso), especializado em tocar as Variações Goldberg, de Bach. A narrativa é escrita por um deles, na primeira pessoa, aliás uma narrativa excepcional que coloca em xeque o que os também medíocres pensam ser o romance.
A viagem do elefante, A imitação do amanhecer e Homem no escuro são alguns. O do Saramago pela talvez óbvia conclusão: independente do bicho que somos, sempre se chega aonde se tem de chegar, quer se percorra uma auto-estrada ou um pedregoso caminho. Minha Bíblia de cabeceira, o do Tolentino, me relembra, noite após noite, que o mundo é morada do fugaz e o melhor que tenho a fazer é "recolher nas calçadas do real/meus cacos frágeis, meus jasmins estilhaçados/e fazer o meu vitral desses legados". O do Paul Auster (além de concordar com o autor: a fuga para dentro de um livro, por mais obsessiva que seja, é frutífera porque ativa), só fez referendar o que, por força da profissão, conheço sobejamente: "que os atos sórdidos que os seres humanos cometem uns contra os outros não são meras aberrações - são parte essencial daquilo que somos".
Ana Guimarães é escritora.
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Este ano eu tive a astúcia de anotar o nome dos livros que fui lendo ao correr dos meses. Isso me levou a apurar que, até agora, li 45 deles. Só pra ilustrar que escolher três entre eles é uma tarefa desumana, principalmente para uma criatura nascida sob o signo de gêmeos. Mas vamos lá. Tentar não custa. Ah! Cabe uma observação: os livros citados foram lidos durante este ano, não necessariamente lançados durante o mesmo.
No começo foram os personagens. Alguns deles mexeram com meu juízo este ano por isso não poderia ignorar suas histórias nesta tentativa de eleger três livros: Júnior de Lourenço Mutarelli, A arte de produzir efeito sem causa (Companhia das Letras, 2008) e Félix Gurgel de Raimundo Carrero, O delicado abismo da loucura _ A dupla face do baralho(Iluminuras, 2005) estão entre eles.
Júnior me perturbou com sua loucura líquida, escorregando entre as frestas do cotidiano, da banalidade, procurando refúgio nos números, nos códigos de peças automotivas. Félix Gurgel com sua loucura terra, enraizada e firme, esteio para sua vida rude e cheia de certezas, governando o destino dos mais fracos. Os dois se contrapõem à primeira vista. Os dois são lados distintos de uma natureza igual.
A arte de produzir efeito sem causa traz a prosa estranha e com sugestões de fantástico. Mutarelli continua sem dó de seus personagens. Larga-os à beira do abismo com a mão invisível do leitor colada às costas deles. Adoro isso. O delicado abismo da loucura é na realidade uma reunião de três novelas do autor: A história de Bernarda Soledade, As sementes do sol e a dupla face do baralho, e embora tanto a história de Bernarda e sua família quanto o triângulo amoroso constituído por Ester, Lourenço e Davino, das outras novelas sejam bem construídos, fortes, foi Félix Gurgel quem roubou minha atenção. Félix foi um dos melhores personagens que li, não neste ano, na vida.
Os outros foram Ilonka, Péter, Judit, Lázár e o baterista de cabaré de Sándor Márai, De verdade (Companhia das Letras, 2008). A força com que se cruzam e se debatem, os conflitos gerados pela teia de relacionamentos entre eles são “dissecados” com delicadeza. E isso é possível. E é maravilhoso.
Valeu a tentativa, mas não vou resistir. Não vou conseguir ficar calada a respeito de dois outros livros:
1.Mercadorias e futuro de José Paes de Lira (Ateliê Editorial, 2008) porque a maneira de brincar “poeticamente” com a filosofia, o resgate do que há de poético no profético, características do texto de Lirinha me acertaram em cheio. Nocaute. O livro é belíssimo. Cheio de vigor e expressividade. Primeiro livro do autor que, acredito, chegou com o pé na porta.
2.Rasif – Mar que arrebenta de Marcelino Freire (Record, 2008). Eu não ia falar. Ele é meu irmão, eu sei, soa falta de ética, de compostura, sei lá, o escambau. Dane-se. O livro é bom. O livro é lindo. As gravuras de Manu Maltez sugerem o clima. Os personagens continuam doendo, continuam gritando. Por isso eu falo. Tá falado. E é isso aí.
Adrienne Myrtes é escritora.
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Leituras em 2008
Costumo ler com certa rapidez e por isso leio muito. Leio por obrigação e algum gosto as leituras de trabalho e leio com maior prazer os livros que escolho para ler sem obrigação. (Decerto, gosto mais de ler do que escrever. Aliás, sou melhor leitor do que escritor. Ainda bem que é assim, pois, caso contrário, escreveria mais do que leio e ler é bem mais feliz.).
Com o avançar da idade minhas leituras em escolhas por conta própria têm-se tornado seletivas e exigentes. Não há tempo para lermos tudo numa só existência, daí, por prazer e gosto próprio, hoje só leio livros com justa certeza de que são bons, bem escritos, essenciais e densos no entrelaçar de seus temas e tramas, com personagens encorpados, bem talhados, enredos vivos, inteligentes e precisos.
Leio mais narrativas do que ensaios. Também gosto de reler. Cada vez releio mais, com releituras que se repetem ano após ano, certo da felicidade nessas releituras.
Sem me entediar, todo ano releio “Memorial de Aires”, no meu modesto entendimento o mais iluminado romance de Machado de Assis. E, desde há algum tempo, sempre releio “O Amor nos Tempos do Cólera”, que penso ser a melhor obra de Gabriel Garcia Márquez.
Igualmente faço outras releituras teimosas ano após ano e creio que na plena velhice só vou reler e reler livros felizes, plenos de ânimo e sapiência a favor do desmedo da vida. Fortalecem mais o gosto por viver.
Esse meu modo atual de escolher textos para leitura me dificulta um tanto determinar os três melhores livros lidos por mim em 2008. Tudo o que li por escolha própria gostei de ter lido e li com a certeza de que iria gostar. Mas, vamos à escolha dos melhores entre os melhores, no cumprimento da intenção presente na pergunta a respeito dos três melhores livros lidos este ano.
Dentre os romances, destaca-se com justo mérito A LONGA HISTÓRIA, obra em prosa inventiva, exuberante e agradável de autoria do escritor capixaba REINALDO SANTOS NEVES, livro publicado pela Bertrand Brasil. Intelectual discreto em seu magnífico desempenho literário, REINALDO SANTOS NEVES, embora pouco referenciado pela mídia, no meu entender, hoje é o maior e mais caudaloso romancista brasileiro vivo.
Quem ainda não leu A LONGA HISTÓRIA, trate de ler se deseja ler um excelente romance. E leia, igualmente, outros livros do autor, todos de boa qualidade literária com intenso prazer do texto para o leitor, em especial leia a mais recente obra desse escritor, publicada em 2008, A CEIA DOMINICANA: ROMANCE NEOLATINO, livro que estou lendo por esses dias de dezembro. Com o que já li da obra, asseguro que é romance oportuno, vigoroso, literatura grandiosa.
De poesia, o que de melhor li em 2008 foi, sem sombra de dúvida, a obra ÉPICOS, reunião, em um só volume dos mais importantes poemas épicos da história da literatura brasileira, publicação da Edusp/Imprensa Oficial. Livro fundamental, organizado pelo professor IVAN TEIXEIRA. Traz, igualmente, excelentes ensaios de outros estudiosos a respeito das epopéias que reproduz. Poetas e leitores de poesia de todo o Brasil uni-vos na leitura de ÉPICOS !
Ensaios? Li poucos e o que aqui referencio li por obrigação em pesquisas de trabalho. Tornou-se, entretanto, obra fascinante, provavelmente inscrita em minha lista de releituras no porvir. Trata-se de “A CIÊNCIA DE LEONARDO DA VINCI”, estudo minucioso de FRITJOF CAPRA a propósito da obra científica do gênio renascentista, publicação da Cultrix/Amana Key. Leitura obrigatória para todos os amantes do conhecimento em quaisquer áreas do saber.
A lista poderia ser maior, mas fiquemos nessas três referências e que 2009 me conceda a bênção da vida viva para outras leituras igualmente prazerosas.Não sei viver sem ler. Que assim seja.
José Arrabal é escritor.
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1) Umberto Eco, Ensaios Sobre a Literatura, Editora Record.
Sempre é bom ler um teórico como Umberto Eco dizendo coisas tipo: "As obras literárias nos convidam à liberdade de interpretação, pois propõem um discurso com muitos planos de leitura e nos colocam diante das ambigüidades e da linguagem e da vida." Um toque pra quem pensa a literatura. E pra quem pens que pensa, também.
2) Michèle Petit, Os jovens e a leitura, Editora 34.
Uma leitura um tanto quanto ideológica, até. Depois de ler em Roland Barthes que "a literatura contém muitos saberes", passei a me interessar mais por experiências de leitura no Brasil e no mundo. Este é um livro que instiga todos que se envolvem de alguma forma com a necessidade da formação de leitores de boa literatura.
3) Jardim de camaleões - a poesia neobarroca na América Latina, Iluminuras.
Penso que a única coisa que salva uma antologia é o rigor nos critérios de escolha. Cláudio Daniel conseguiu produzir um recorte muito exato do que há de mais representativo na poesia neobarroca da América, nos dando a oportundiade de ler em um mesmo volume, Harondo de Campos, Peulo Leminski, Severo Sarduy e Wilson Bueno.
Lau Siqueira é poeta.
Publicações de um autor no Cronópios
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