02/12/2011 18:14:00
A Cripta de Poe
Divulgação
A Cripta de Poe coroa o ano de comemorações de uma década de existência da Cia. Nova de Teatro, convergindo linguagens de teatro, dança, canto, vídeo, música eletrônica e moda.
O espetáculo multimídia será protagonizado pelo ator italiano Omero Affede, discípulo de mestres como o italiano Antônio Fava e o russo Anatoli Vassiliev, destacando o processo colaborativo em parceria com a Cia. Teatro Del Contagio, grupo estabelecido em Milão, que divide o palco com atores brasileiros. A peça conta ainda com a participação em vídeo do ator Paulo César Peréio, sólido colaborador do grupo, como o “Velho Poe”.
“O Retrato Oval”, “Berenice”, “O Espectro”, “Ligéia” e “O Corvo”, dentre outras obras são a base da dramaturgia do espetáculo, concebido em formato de “palco-instalação”, aliado a intervenções videográficas, ressaltando elementos repletos de suspense e fantasmagoria, onde as personagens/figuras criam jogos neuróticos obsessivos. No elenco estão os atores Omero Affede, Carmen Chimienti, Carina Casuscelli, Rosa Freitas e Daniel Sommerfeld.
O espetáculo tem a concepção cênica e dramatúrgica de Lenerson Polonini, carioca que vem construindo sua trajetória teatral em São Paulo. Aos 31 anos, o fundador da Cia. Nova de Teatro tem seu trabalho reconhecido por encenações estilizadas, com grande apelo visual, utilizando o vídeo como fonte de luz e reverberação inconsciente das personagens.
A base de toda a prosa de Poe apóia-se no fantástico das exacerbações da natureza humana: alucinações, cuja lógica ultrapassa a da consciência habitual; mentes irrequietas e febris; personagens neuróticas; o duplo de cada homem. Nesse sentido, busca-se refletir sobre questões que assombram o homem contemporâneo, seus conflitos psicológicos, seus medos e fantasmas, o “desconhecido” da alma humana e seus reflexos no comportamento e nas relações interpessoais.
O fatalismo e o mergulho no desconhecido da alma humana revelam uma vivência pessoal que fez de Poe um dos principais escritores malditos da literatura universal. A influência do autor estendeu-se à poesia simbolista, à ficção científica, ao romance policial moderno e psicológico, ao cinema e às artes. Mas também é vista nos costumes por diversas épocas e encontra reverberações no comportamento de jovens pelo mundo todo, nos estilos “dark” e “emo”, por exemplo.
A programação inclui a residência artística da Companhia Nova de Teatro e Cia. Teatro Del Contagio, na Oficina Cultural Oswald de Andrade (veja programação), com workshops e palestras sobre a construção do processo de montagem.
O Teatro del Contagio é uma associação de artistas de Milão, fundada em 2006, que trata da concepção, produção e projetos artísticos relacionados à integração entre as artes e artistas de diferentes campos criativos. É dirigido por Carmen Chimienti e Omero Affede.
O projeto tem o apoio do Istituto Italiano di Cultura, Oficina Cultural Oswald de Andrade da Secretaria de Estado da Cultura, Centro Cultural São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura e Centro Cultural da Espanha.
SINOPSE : A Cripta de Poe é um espetáculo “multimídia”, inspirado livremente no universo poeta e escritor Edgar Allan Poe. Com uma estrutura fragmentada, a peça faz um mergulho no desconhecido da alma humana, apresentando histórias sobre personagens neuróticas e o duplo de cada homem.
SERVIÇO
Centro Cultural São Paulo – Espaço Cênico Ademar Guerra Rua Vergueiro, 1.000 – Liberdade- São Paulo. Tel. 11 3397-4002
Quintas, sextas e sábados: 21h00 Domingos: 20h00 Temporada: 01 a 18 de dezembro Classificação: 14 anos 80 lugares R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia. Venda de ingresso pela Internet - Ingresso Rápido Contatos da Cia: 11- 7225 3466/ 73228625 021- 9491 6198
Ficha Técnica
A Cripta de Poe Baseado livremente na obra de Edgar Allan Poe
Com a Companhia Nova de Teatro.
Participação especial da Cia. Teatro Del Contagio (Itália).
Direção, dramaturgia e iluminação: Lenerson Polonini
Elenco: Omero Affede, Carina Casuscelli, Carmen Chimienti, Rosa Freitas e Daniel Sommerfeld.
Participação especial em vídeo: Paulo César Peréio
Direção de Arte, figurinos e maquiagem: Carina Casuscelli.
Música: Wilson Sukorski.
Videocenários e fotos: Acauã Fonseca
Assistente de imagem: Henrique Oda
Realização: Companhia Nova de Teatro- 10 anos
PORQUE EDGAR ALLAN POE?
Edgar Allan Poe, que em 2009 completou 200 anos de nascimento, é considerado um dos precursores do conto moderno, mais ainda pouco conhecido no Brasil. Contudo, sua obra revela um vasto território fértil para diversos níveis de descobertas, capaz, também, de alimentar ricamente a cena teatral. Autor e obra reafirmam a sua atualidade e importância, revelando imensa capacidade de adaptação a novos contextos.
Montar um espetáculo com base nos contos e poemas de Allan Poe significa não só revisitá-lo e celebrá-lo, mas também reafirmá-lo como um autor que trata de questões filosóficas ligadas intimamente à nossa época.
Por meio das fantasmagorias de Poe, reconhecemos esse homem contemporâneo, seus questionamentos, alucinações, suas neuroses cotidianas, questões relacionadas à saúde mental que ceifam o gesto funcional com que atuamos socialmente, assim como temas ligados à morte ou à proximidade dela.
Essas questões extremamente relevantes e que abordam a condição dessa sociedade são matéria prima para a criação das “imagens” que comporão o videocenário da peça - uma cripta cênica.
O intercâmbio promovido pelo grupo brasileiro, recebendo a Cia. italiana Teatro del Contagio, reafirma a vocação da Cia. Nova de Teatro para o novo, estabelecendo parceria com artistas de irrefutável importância e de grande reconhecimento na cena teatral européia, possibilitando não somente a troca de experiências artísticas entre essa diferentes culturas, mas também abrindo possibilidades concretas para que o resultado desse trabalho seja compartilhado e visto também na Itália, e em outros países da Europa, mostrando o melhor do teatro contemporâneo brasileiro.
SOBRE A COMPANHIA NOVA DE TEATRO
Fundada em 2001, pelo diretor Lenerson Polonini em parceria com a atriz e figurinista Carina Casuscelli, a companhia desenvolve um trabalho de pesquisa contínua a partir da performance, das artes do corpo e do chamado teatro visual, valorizando a experimentação não apenas de uma dramaturgia de autor, mas também das mais diversas escolas vanguardistas do século XX.
A Cia. iniciou seus trabalhos a partir dos estudos da dramaturgia de Samuel Beckett e de encenadores como Edward Gordon Craig e Meyerhold, um corpo de experiências de sistemas e métodos criativos relacionados a toda estrutura de comunicação cênica: cenário, figurinos, luz maquiagem, música, videoprojeções, etc. - meios potencializadores para o desenvolvimento de uma dramaturgia própria do grupo.
A Cia. Nova de Teatro é uma companhia aberta e a cada novo projeto convida atores, bailarinos e artistas de diversas áreas para colaborarem com suas produções. Atualmente, a Cia. Nova de Teatro é formada por um núcleo de profissionais de diversas disciplinas artísticas e serve como plataforma de pesquisa de linguagens, propondo o diálogo entre teatro e outras artes e mídias.
TRAJETÓRIA
Nos anos de 2002 e 2003, a companhia encenou o Repertório Beckett, com as peças Ato sem Palavras I e II, Vaivém e Aquela Vez, esta última com participação de Paulo César Peréio, nos teatros Cultura Inglesa e unidades do SESI e SESC do interior paulista. A performance Berceuse, versão em francês de Cadeira de Balanço, de Beckett, com a dançarina Renée Gumiel, é apresentada durante o evento Bloomsday, na ocasião organizado por Haroldo de Campos. Em 2003, é realizada a montagem do Repertório Beckett 2: Eu não, Improviso de Ohio e Catástrofe, em cartaz no SESC Consolação, e, em 2004, em outras unidades do SESC - SP.
O Repertório Beckett 3: Esperando Godot e Respiração esteve em cartaz em julho de 2005 no Teatro Sérgio Cardoso; e, em setembro, no espaço da Galeria Olido, na capital paulista. Ainda em 2005, a Cia. cria a performance Ulisses, inspirada na obra de James Joyce, com participações em duas edições dos eventos Virada Cultural e Bloomsday. Em 2006, o Repertório Beckett 3 é apresentado em diversas cidades do interior do estado, com o apoio do projeto Caravana Paulista de Teatro, da Secretaria de Estado da Cultura - SP. O evento Samuel Beckett 100 anos é organizado por Polonini e conta com a realização do SESC Santana, onde são exibidos, na íntegra, os Repertórios Beckett 1, 2 e 3, e reunidos vários grupos teatrais e pesquisadores, como: Gerald Thomas, Rubens Rusche, Luis Fernando Ramos, Célia Berrerttini, entre outros. Em 2007, a Cia. apresenta a performance Dante e Beatriz - um passeio pelos infernos de São Paulo, inspirado em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, com duração de seis horas, durante a Virada Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Outra destacada realização da companhia, novamente com curadoria de Polonini, é o Ciclo Heiner Müller, com espetáculos, debates, exibição de vídeos, performances, workshops, bem como demonstrações de processos com atores, diretores e pesquisadores, abrangendo o universo cênico deste grande dramaturgo alemão e suas influências. Durante o mesmo evento, numa realização do SESC Pinheiros, a Cia. Nova de Teatro apresenta Heiner Müller em Repertório, com as peças Medeamaterial, Hamletmaschine e Descrição de imagem.
Em 2008, a companhia apresenta mais duas edições do Ciclo Heiner Müller, no Espaço SESC - Rio de Janeiro, em parceria com o Goethe Institut, e no Sesc Campinas – SP. Realiza também as performances Eu, Machado de Assis e M de Machado, com o ator Paulo César Peréio e o músico Wilson Sukorski - atrações da Virada Cultural Municipal.
Em 2009, com “Dr. Faustus Liga a Luz”, a Cia. cumpriu temporada de março a abril, no Teatro da Oficina Cultural Oswald de Andrade, recebendo ótimas críticas em diversos meios de comunicação e a indicação ao Prêmio CPT de melhor projeto visual no primeiro semestre daquele ano.
Em seguida, a companhia reestréia “Heiner Müller em Repertório”, por ocasião dos 80 anos do autor, cumprindo temporada na Galeria Olido e Oficina Cultural Oswald de Andrade nos meses de agosto e setembro.
Ainda no mesmo ano, a Cia. produziu, no Sesc Paulista, o espetáculo “Escuta, Zé Mané!”, baseado nas idéias do polêmico Wilhelm Reich, tendo no elenco o ator Paulo Cesar Peréio como protagonista, ficando em cartaz de outubro a dezembro. Em 2010, o mesmo espetáculo teve sua estréia nos palcos cariocas, no Centro Cultural Oi Futuro, cumprindo temporada nos meses de janeiro e fevereiro.
Em 2011, ano das comemorações de uma década de pesquisa continua em torno do teatro visual e multimídia, a Cia. remonta duas peças importantes de seu repertório: Doutor Liga a Luz e Heiner Müller em Repertório, ocupando o Teatro Cacilda Becker, em São Paulo, durante o mês de julho.
“Caminos Invisibles... La Partida” ultima montagem da Cia., abordando a temática dos povos andinos nas grandes metrópoles, esteve em cartaz no Centro Cultural São Paulo de setembro e outubro de 2011, obtendo excelente aceitação do público, com todas as sessões esgotadas.
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