Por Luiz Guerra
[declaração de princípio]
aqui não se esfinge de poeta _
o desferir e alvejar do verso
se dá entre tensão e suspeitas
[oráculo]
amanhã saltou-me da gaveta
meu retrato de moça infinita,
que me olhava aflita,
tão bela
[insular]
hóspede de mim,
sou também o anfitrião
e o escanção de venenos
[improviso]
moeda especiosa a eternidade,
lastro de barro malcozido
soprado às pressas
[weltanschauung]
mitologias do menino —
janela e pedaço de cais —
alma-escafandro
sem respirações de história
Luiz Guerra é poeta e cronista carioca. E-mail: lyguerr@uol.com.br