ESTACIÓN DEL CANTO
Para Juan Carlos Macedo
PÁJARO es canto
Ícaro: caída
pájaro es vuelo:
canto y vuelo:
plural de pájaro
Ícaro: plural
Ícaro es pájaro
porque pájaro en Ícaro es caída
idea
de alas
lugar del pájaro o canto que
Ícaro
(agua de acuerdo con)
agua no es página:
árido
(página)
árido es
cuero
árido ahora donde el canto no-
palabras
gesto de inútil
abras
habla baldía
ciegos
manos de no-
vacío de palabras:
no para un índice o cruce aquí
(de pájaros
giros
lejos)
ESTAÇÃO DO CANTO
Para Juan Carlos Macedo
PÁSSARO é canto
Ícaro: queda
pássaro é vôo:
canto e vôo:
plural de pássaro
Ícaro: plural
Ícaro é pássaro
porque pássaro em Ícaro é queda
idéia
de asas
lugar do pássaro ou canto que
Ícaro
(água de acordo com)
água não é página:
árido
(página)
árido é
couro
árido agora onde o canto não-
palavras
gesto de inútil
angras
fala baldia
cegos
mãos de não-
vazio de palavras:
não para um índice ou cruz aqui
(de pássaros
giros
longe)
ESTACIÓN DE LA FÁBULA
I
ENTRE la lámpara y la
frente de luz:
puente
tridente blanca
ahí se ahogan las palabras
gotas
blancas
rojas como el poema:
traspaso
— dos —
gotas
ahí se ahogan las palabras
blancas
rojas
en blanco: como morada
agua
tintas moviendo
(peces)
focos:
frente y lámpara
luz de-
moviéndose peces
(tintas)
ESTAÇÃO DA FÁBULA
I
ENTRE a lâmpada e a
fronte de luz:
ponte
tridente branco
aí se afogam as palavras
gotas
brancas
vermelhas como o poema:
traspasso
— duas —
gotas
aí se afogam as palavras
brancas
vermelhas
em branco: como morada
água
tintas movendo
(peixes)
focos:
fronte e lâmpada
luz de-
movendo-se peixes
(tintas)
ESTACIÓN DE LA LANGOSTA
CORTE: langostas
líneas
hierbas
barbas
pasto: langosta línea
aspa
larva a larva la
seca sobre espesa
escasa agua
dando
alarvando entre (estos
caídos ojos) estas
verdes caídas hasta
caída: langosta lenta en
(en el 42 fue la langosta
última)
ojos de langostas
antes
atrás un tiempo antes
tardes
antepuesta:
puesta de verde
este
oeste verde puesta sobre cielo
blanco
estanco
ancas
(como estanque estábamos a ver
blanco: langostas
cáscaras
puesta
caídas
idas
ESTAÇÃO DA LAGOSTA
CORTE: lagostas
linhas
ervas
barbas
pasto: lagosta linha
aspa
larva a larva a
seca sobre espessa
escassa água
dando
alarvando entre (estes
olhos-declínio) estes
verdes declínios até
declínio: lagosta lenta em
(no 42 foi a lagosta
última)
olhos de lagostas
antes
atrás um tempo antes
tardes
anteposta:
posta de verde
este
oeste verde posta sobre céu
branco
estanco
ancas
(como estanque estávamos a ver
branco: lagostas
cascas
posta
caídas
idas
ESTACIÓN FINAL
(AGUA) al fin es la canción
del fin
canto de ir: decir
canción es ir en arcos
arco es ir al aire adónde
vuelve donde a
arco
adónde vuelve
a donde aire al ir es arco
límite: aire suelto
devuelto en corte
al agua en arcos
o en paréntesis
al agua en rama
líneas de agua
(se cimbre como rama)
tenso
címbrase:
gotas de rama
picos
garras
hojas
tenso
acude extenso
va hacia
(aspira)
a donde escancia
vacía
(canción fuera
áspero: agua
vuélvese adentro)
ESTAÇÃO FINAL
(ÁGUA) enfim é a canção
do fim
canto de adeus: dizer
canção é ir em arcos
arco é ir ao ar aonde
volve onde a
arco
aonde volve
a onde ar ao ir é arco
limite: ar solto
devolvido em corte
à água em arcos
ou em parêntesis
à água em ramos
linhas de água
(se dobra como galho)
tenso
dobra-se:
gotas de ramos
bicos
garras
folhas
tenso
acode extenso
vai até
(aspira)
a onde escancia
vazia
(canção fora
áspero: água
volta adentro)
Traduções: Claudio Daniel
Nota: Estes poemas foram publicados originalmente no livro Estación, Estaciones, de Eduardo Milán. As traduções integram o volume Estação da Fábula, primeira antologia de Milán editada no Brasil, que organizei e traduzi para a Fundação Memorial da América Latina (2001).
Eduardo Milán nasceu em Rivera, Uruguai, em 1952, e reside no México desde 1979. Licenciou-se em Letras pela Facultad de Humanidades de la Universidad de la República Oriental del Uruguay. Sua produção poética, inclui, entre outros, os seguintes títulos: Estación Estaciones (1975), Esto es(1978), Nervadura (1985), Errar (1991), Circa 1994 (1996), Son de mi padre (1996), Algo bello que nosotros conservamos (1997), Manto (México, Fondo de Cultura Económica, 1999), que reúne su poesía hasta 1997, Ostras de coraje (Filodecaballos, Guadalajara, 2003), Querencia, gracias y otros poemas (Barcelona, Galaxia Gutemberg-Círculo de lectores, 2003), Habrase visto (Montevideo, Arte-fatos, 2004), Acción que en un momento creí gracia (Tarragona, Igitur, 2005; Habla ((2001-2003), Pre-Textos, Valencia, 2005; Unas palabras sobre el tema (2001-2003), Umbral, México; Por momentos la palabra entera (Canarias, Atlántica, 2005). Como ensaísta, publicou: Una cierta mirada (México, Juan Pablos-Uam, 1989), Resistir. Insistencias sobre el presente poético (1ª. Edición 1994, México, CONACULTA; 2ª edición, México, Fondo de Cultura Económica, 2004), Trata de no ser constructor de ruinas (Filodecaballos, Gudalajara, 2002), Justificación material. Ensayos sobre poesía latinoamericana (México, Universidad de la Ciudad de México, 2004); Crítica de un extranjero en defensa de un sueño (Huerga y Fierro, Madrid, 2006), Un ensayo sobre poesìa; (México, Umbral, 2006). Também a sua atividade como tradutor tem sido intensa. Entre seus principais trabalhos, Transideraciones. Antología poética de Haroldo de Campos, em colaboração com Manuel Ulacia, além das antologias Prístina y última piedra. Antología de poesía hispanoamericana presente (1999), em colaboração com Ernesto Lumbreras; Las Insulas Extrañas. Antología de poesía iberoamericana (1950-2000/2002), junto com José-Angel Valente, Blanca Varela y Andrés Sánchez Robayna. Em 1997, ganhou o Premio Nacional de poesía Aguascalientes com o livro Alegrial. E-mail: eduardomilan6@yahoo.com.mx
Claudio Daniel é poeta, tradutor e ensaísta. Publicou, entre outros títulos, os livros de poesia A Sombra do Leopardo (2001), Figuras Metálicas (2005), o volume de contos Romanceiro de Dona Virgo (2004) e a antologia Jardim de Camaleões, a Poesia Neobarroco na América Latina. É co-editor da revista Zunái (www.revistazunai.com.br). Mantém na Internet o blog Cantar a Pele de Lontra (http://cantarapeledelontra.zip.net).