tornei-me assim liqüefeita quando daquela feita despi-me de nãos e sins
de mim então me perdi nessa vontade inconclusa acumulada no rim
ficou a mágoa comigo fincada dentro do umbigo um enorme chafariz
minha tristeza de chuva essa amargura profusa trago olhos túmidos
sou tal e qual um dilúvio transbordo-me enxurro-me sangro os pulsos
insuficiente
estou assim passarim a me arrastar numa asa a outra quebrei faz tempo naquele dia o vento atravessou-me a carcaça forçou-me a aterrissagem
desde então sinto-me lassa o corpo dói se ancora o peito se descompassa tateio a alma escoro-me não mais decolo não vôo igual voava outrora
num dia desses quem sabe um anjo venha me salve eu volte a planar no espaço tal como tu lindo pássaro no pensamento no sonho nos largos braços do cosmo
infante
imaturo tão frágil precisa de amparo de peito de abrigo
o filho do homem passa a vida atado ao cordão d'umbigo
invisibilidade
essa dor que quando olhas não compreendes porquê não é de fratura exposta é de amor sem resposta a solidão ninguém vê
pelas trompas de eustáquio
não lhe dê ouvidos ele é bom de bico e seu jeito adunco é pura fachada no fundo no fundo são fossas nasais
ele tem mania de chegar primeiro de sentir o cheiro de estar na cara cobrir-se de sardas de ficar vermelho meter-se no meio enfiar a ponta de arrebitar-se ir no pitangui