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16/3/2009 22:42:00
Hangar



Por Luis Serguilha

 

HANGAR 7

 

A águia da cicatriz funda o redemoinho da fronteira para aventurar-se nos quarteirões-bombeiros da púbis guerreira

                                 e os selos dos fluxos hospitalares estendem as odontíases dos historiadores de elefantes nas escadas lapidadas

                                               das vinhas mais próximas dos reclames oviformes das docas industriais

                      onde os mortalhas de cobalto-baptismal restauram a culinária dos estúdios mímicos

                                     sobre as ultimas transferências das incrustações solares 

As nadadoras de calendários-fósseis maceram os sombreados dos parapeitos 

                                       onde a secretária delinquente do silêncio emaranha-se

                          numa constelação de olhos-diamantes

                                                          prestes a crescer na pausa do hotel-látego

                      que singelamente tropeça no utensílio da astronómica masseira

                                                                                    dos autocarros pintalgados pelas virilhas dos helicópteros universais 

 

Todos juram que viram um longo piano de chuva asilada

      na diligência espiralada dos cirurgiões de trópicos  e os pássaros cientes dos turistas de estaleiros fornicadores

                                                                    ornamentam os catálogos narcóticos

         com as guloseimas das serpentes entremeadas de louças-trompas-radioactivas

                  onde os abdomens-acervos das radiofonias

                                constróem gaiolas espadaúdas com as lâmpadas ensanguentadas

                         pelas tarifas ocasionais das trepadeiras

Todos examinaram as frinchas dos telefones de chocolate

                 para consagrarem a solidão das carruagens nos volumes dos superintendentes naufragados

                                           sobre o palanque lacrado no pedigree da arteriosclerose

Depois derramaram claramente

                                                  o peitilho das ferramentas telegráficas

                      nos andamentos da geologia inominada onde as falangetas da exausta porta reinventam as máquinas convulsas

                        das estrelas sobre o abismo mandibular das borboletas-conexões

 

A clavícula-violino do vendaval ressurge embalsamada na gula compassiva dos gestos-URANÓLITOS como as varandas PRECIPITADAS dos peixes a ocultarem o vocabulário das cordilheiras na dilatação dinâmica das salas agrícolas

                     Um tubo assustadoramente vegetal incandesce as homenagens das caligrafias cabalísticas enroscadas no vapor das calosidades dos bois

e o mergulhador de camisas de electricidade regressa hidrópico de molas da claridade

         porque as gemas das feras pincelam  lunarmente

                  os gladíolos das colmeias (DAS CURTAS

                  METRAGENS-CARROCEL LANCELOLADO ENTRE A DESFLORAÇÃO DO MAPA-MUNDI)

 

As munições progenitoras dos vestíbulos da menstruação RUTILAM

                       as lavadeiras dos damascos pulmonares     

                 (alfarrobeira pluriaberta nos translúcidos talentos dos holofotes maternais) 

As descrições das auto-entrevistas dos seios cavalgam milimetricamente

                          ao absorverem as picadas aguacentas dos animais

                    defendidos

          pelo desenho disfarçado dos pulsos esvoaçantes

 

(AS ROCAS dos insectos peregrinos se desmoronam silenciosamente

            entre os pavios das fístulas dos computadores)

 

A pontaria solitária dos excrementos das luzes retalha os mecanismos

                              das leitosas paredes historiando a nomeação da emergência dos torvelinhos

                         Parecem os compassos das pálpebras a resplandecerem

                      no café dos pequeníssimos abismos onde os silenciadores das pulsações emigram diversamente

                                                 entre os ziguezagues das lâmpadas das sombras

                         como a evaporação da insonolência dos vendedores a sorver as sardas transparentes das braçadeiras-glosadoras dos uivos

A erupção dos dormitórios-húmus pressente os brincos dos epiciclos

                       que dependem dos ovários crescentes das lágrimas aeroportuárias

 

(UMA cova de manta QUADRICULADA

           a inclinar-se nas térmitas das catanas mutiladas

               pela sinalização do sémen dos itinerários sonambúlicos

como se o marulhar da ancianidade dos tambores fosse o manancial inesgotável dos cães PISTEIROS

como se o silvo das costureiras das fanfarras esqueléticas esquadrinhassem    as braçadas do relâmpago(AÇUCAR-PROFUSÃO) deserdado ocasionalmente na bebedeira das serpentes

como se os lábios dos peixes das sílabas acumulassem as garras

                         dos pirilampos nucleares nas navalhas desarrumadas dos neurónios-celeiros 

como se as poeiras altivas dos lubrificadores de fendas estilísticas interrogassem os acordeões das rosas-teatro concentradas

                       nas auto-estradas hipnóticas dos rostos)

 

                                                

***

 


HANGAR 4

 

A latitude viajante do fôlego impacienta luminosamente

                               as recamaduras da gelosia pubiana  este diamante de respirações babilónicas exibe-se

                             sobre o alcance da invenção do dia e extrai todos os decoradores excitados no relevo infringível da orquídea

                   para quadrangular a longevidade das aberturas

            da    águia-estância-cinematográfica onde os teoremas dos pêssegos começam a esquadrinhar a alucinação do penhasco-xadrez-corporal e tudo se desfolha na turbulência das cíclica rugas dos venenos aperfeiçoados maliciosamente

              nos tabuleiros esfuziantes das ladras de luzes (esta fímbria de triunfos aguacentos a inventar as conexões do corredor de fogo escrito

                                       sobre a permuta das gravadoras de insectos  

                                        os cercos abismais das águas a pulsarem no fundo das hospedarias dos felinos)

O zodíaco das âncoras-animais isola-se mais resistente na hegemonia

                                                                                              do cotovelo terrestre e as esquinas hiperbóreas dos ourives desfraldam o empoçamento

                                                                                      dos aplausos dos galgos para desagregarem os voos das uvas passadoras

                     que identificam os mostruários mortíferos das penínsulas citadinas

As alianças bífidas dos répteis incandescem as escarpas

              das camisas das metrópoles

                     como bandos intraduzíveis a tossirem nos encaixotamentos geológicos

                 para apaziguarem as plumas das heranças das formigas caçadoras de biografias enclausuradas

 

                      (os espelhos esverdeados surpreendem a confidência dos fogos de artifício nas minerações do corpo

                              uma margem de uísques escritura as amplificações dos tipógrafos no adestramento das borboletas que se abrem nas mangas vulcânicas das citações das casas)__________Os pássaros esplendorosos dos arquivos interagem com as infiltrações estridentes dos minúsculos transportes

                                                      invocando a gravitação medicinal dos olhares e as reentrâncias dos telégrafos repousam na rua

                                                                          concêntrica dos pilotos nocturnos

aqui o encadeamento dos estúdios do grito impulsiona

                             o abandono da cornucópia teórica nos dentes da canoa solar e os pomares congeniais das devastações mitológicas retrocedem

                                               sobre as circunferências avançadas das lunaçõesOs cometas atam as delinquentes aves dos batimentos meteorológicos

                            no instinto estancado dos penhascos

                           estes mármores de desobediências policromas liquefazem-se no funambulismo da visão

    estes anéis centrífugos dos aviadores coroando a portada-harpista do silêncio com outros maquinismos dos cânticos   

                    com outros ferrolhos da cloroformização marítima    

 

A perseguição imaginária da raiz estala na compensação do brio-circulatório dos ninhos

        onde transparece as cavalgadas das projecções das buscas tresmalhadas

                     Os chifres da sarça definitiva do verão são dissolvidos

               pelos  estratagemas do caudal excêntrico que impulsiona a lei inerte nos

                                                       encaixes–maconhas dos olhares

                  aqui um réptil talhador de folhas alonga-se como um incêndio rítmico no câmbio da água

                    para confundir o pressentimento das provisões dos piscos-ferreiros

                                entre os semicírculos dinamitados dos eléctricos

              onde o corpo do horário inaudível esvoaça nas gargantas desencontradas da cidade envidraçada

                                e tudo se desintegra nos untuosos estopadores dos bordéis financeiros

             onde nascem as DUBLAGENS do suicídio das torres subterrâneas e os apeadeiros das carroças dos bichos ciclónicos

                                 vergam a espadelada das cabeças contagiosas da sombra 

 

(são os ofícios minúsculos das importações das  fogueiras a recuperarem os contornos sibilíticos das varandas dos metropolitanos     

                são as pulsações dos mercadores de areias descoradas

             pelo sangue da lentidão das árvores artificiais onde os arados-morféticos dos chulos empantanam de moelas segadoras os peixes-martelo das fossas cambistas )

 

As bétulas sifilíticas são estropeadas

                                   pelas matracas da gradaria solar

            e os pecíolos roucos das framboesas dinamizam as cinzas da claridade

                     como um  rastilho discreto da rotação dos fiadores nocturnos a incendiarem as bibliotecas dos animatógrafos  

                as pérolas dos produtos químicos das praças

                                         são triangulares e fanáticas na contraluz dos bolores dos poços atómicos

                           onde pousa um sol de cor-tremulante ( formigueiros-sibilantes) com o cheiro do rapto das válvulas do fosforescente estorvo

    Ardósia exilada eternizando as paredes incestuosas das universidades para escorregar nas confidências inalteráveis das sementes das ratazanas

O encontro das barbatanas das legiões está descalço num porto injectado de redes sanguíneas e as trompas fantasmagóricas das ruas estrondeiam repetidamente

                                     sobre as amoras iluminadas das ventanias fugindo ao sono alanceado dos estranguladores citadinos

                          e a grafonola hipotecada do combóio do arquipélago alinha-se soberanamente

          aos atiradores dos peixes-morcegos prolongando as foices  incertas das cavidades do louco murmúrio

                            como uma luta de ondas jugulares na mesma queda   na mesma fraseologia amarelada do suor      (talvez as poeiras dos ponteiros entranhados das flautistas a formarem centralmente

                                                               um morro embocaduras no sal-hipnótico  para decifrar a disposição da abstinência dos guarda-sóis)

                           é o odor dos chochos perpendiculares à unha solar 

                           é a partilha tumular do fôlego do fruto a descortinar o lóbulo ensopado do chamamento das espaldas dos insectos

Os sobrolhos inumeráveis das lendas emprenham

                         as madrugadas dos soldados fabris com o cansaço das estrelas

               onde os cofres-relâmpagos das asas engolem

                                  as náuseas das dilacerantes velas

              AQUI as borboletas esgotadas esboçam os meridianos dos mausoléus crepusculares imitando as balanças oblíquas do verão

                                           que abocanha timidamente os assombrosos juncos

Os esquadros ESPASMÓDICOS das locomotivas

                                                                          amontoam cinematograficamente

                      as cápsulas extemporâneas das lunações

                     entre os anzóis galácticos mergulhados nas voltagens incessantes das indígenas laranjas

                                 onde as bandarilhas nocturnas emparedam continuamente

                                         uma corrente de artérias com os pólos-ateliers do tórax solar

 

             não afastem AS GRAFITES dos ventrículos dos cenógrafos porque os dedos dos caçadores de ideogramas descoroam a mancha do cios polifónicos e as pautas inconstantes dos açudes pacificam as manobras solares dos bíceps da fecundação        ( barreira bombardeada pelos cronómetros da eflorescência )

             não digam arena de faróis no refinadura bifronte do comboio impaciente porque os hóspedes das fuselagens gramaticais abotoam as saudações das gôndolas às serpentes talhadoras de anuários   

             não digam orquestra nocturna na gaze ferradora de passaportes celestiais porque

as panteras-diamantistas dependuram-se nas bocas autenticadas das manadeiras

             não digam luz-vara na tradição dos gemidos dos canários porque as campânulas das historiógrafas contrabandeiam gramofones vegetais

entre as ONOMATOPEIAS das navalhas encantadoras de orvalhos

 

 

 

 

Luís Serguilha, poeta, nasceu em Vila Nova de Famalicão, em 1966. Publicou, entre outros livros de poesia, O périplo do cacho, O outro, Embarcações, O externo tatuado da visão, Lorosa’e boca de sândalo e A Singradura do capinador. E-mail: lf.serguilha@hotmail.com

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