Café Literário Cronópios

Música grega no I Simpósio de Letras Clássicas da USP
por da Redação




 

TOX
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Gael (e essas seis primeiras quedas)
por Carla Diacov




2113
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Vovô não tem ai póde
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O umbigo
por Edson Bueno de Camargo




Quando apertei o botão vermelho
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Sete cantos selvagens
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Poemas de Wislawa Szymborska
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Bem-vindo à guerra do teu corpo
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O guarda-chuva no caos (quanto mais furado, mais poesia entra)
por José Carlos Mendes Brandão




Série Curt@s Histórias e Poesias
por Edgar Borges




Sexo sem anjos
por Jorge Elias Neto







 
16/05/2011 00:42:00
Senão, elaboremos:



Por Renata de Andrade (texto e arte)


confrontos



mas primeiro um blended scotch whisky, plis
mas olha pro parque, olha que lindo!
mas vá fazer seu dever de casa
mas esse mundo tá é cheio de carente
mas você acha que pode me largar aqui
com o fantasma de uma ideia?!


Tedio é bom



senão, elaboremos:
encarar o muro e seus defeitos com paciência e sistema
o que nos levar a tirar conclusão alguma
isso e muitos outros assuntos abrangentes
nos escaparão, mesmo depois das 20hs

cerre os olhos lentamente
e nem tente


mesmo sem saco



dor dura muito?
o tempo é bem pior que o espaço
esse com promessa, ele com esperança
eu com cuidado, mas nem tanto

obcecado é louco?
vou atrás, no meio centro
e tem risco que eu corro
- um copo d`água, por favor?

o poder é o de (me) adaptar
por exemplo, está no script
o trem rolando suave nos trilhos:
amar pra doer, doer pra amar


ímpar



amanhã começa minha infância
e não consigo dormir

como uma mãe, uma amante
a procura do colo
da aceitação irrepreensível e absoluta

tranquilidade
a copa com algum material grudento
o acaso que acontece e cala

quem fala alto é a consequência


recolhendo os recolhidos



sou, fui e não voltei
vou indo, vou indo sem fim
meu lado loco me levando

não sou pra amadores
não sou pra amantes
não - caminho toda nua
só, às vezes cega
sempre mestra no tato


feito pra ser perfeito



bom dia aderbal, mandamos bem
graças e apesar de nós mesmos
vamos nos amando malamal
mas numa nota pessoal
vamos amar antes ou depois da vírgula?
pensamento é energia, não sabia?

tá um tempo mormacento
amontoado de suor - festa na sexta
pinta na quinta, farta na quarta
e não se esqueça de que os dois presentes abaixo
foram reservados pra você

tudo mais é trivial, meu irmão
nossa voz não


um novo desenvolvimento



é a vida é a morte
duas deusas

faça-me culta, ó face oculta, o suficiente pra ser gente
a vida não é como a morte é, ou algo assim?
lembra de quando se era são?
`o povo não é bobo` diziam em voz alta, sonora

nos sonhos e na perda tudo é lucro
é como cair doente e olhar o muro
olhar para o muro branco, olhar para o muro
é como lembrar constantemente de ser são
- o que era são mesmo?

mas então foi-se com a foice?
sinfonia na sanfona, festa!


seção do contra, em que posso servi-lo?



jogo de palavras vicia porque inicia
é um quebra-cabeças com som tom ritmo sentido
e a falta de - compramos, mesmo devendo -
e você tem que ir que se não for não vai
mas nem dá moral a essa turma que gruda e não larga mais

eis a história: a esposa abandonou o marido
e mudou pra zona, foi cantar pras multidões
músicas de casamento
ela usa enêmarú pra alisar o cabelo
(mas eu passei francisco alves, ficou amarelado..)

carrego uma certeza em mim, que me segura
será isso amor?
ser, a certeza de ser, a convicção de estar permanecer ficar
no tudo sem razão de ser


precisão de princesa



que sabe da ervilha debaixo do colchão
atenta e sonolenta, sete colchões de rainha não bastam

também quero aquele toque, sabe aquele toque
aquele preciosismo da fatura da fartura

o futuro está relutante porque vilão letrado reluta também
e eu refuto, só pra brincar de rimar
- você, meu bem, reluz

mas tem uma tragédia florindo no muro do vizinho
pungente, pra ser notada de repente, e agindo
em níveis abstratos, meta-nível a jato, bombástico
e sem promessa de felicidade na cidade

então vamos falar e beber bobagens no bar do cimbalta
essa a distração pra não pensar no vulcão
- lorelai! ainda te vejo rir, menina!

finalmente o silêncio de longa juventude
fui iniciada na água, no sereno e repique de mão
numa briga de vizinhos, numa distração
da nossa princesa do grão
debaixo do colchão
`
dormiu bem?`
`
dormi não..`


tapa com luva de pelica



me vira e me mexe nesse mundo, eu deixo
ainda sou ingênua, não me leve a mal
sou nós e vice-versa
sou tanta verdade em tão poucas palavras

a vida chega e sai
alguns pagam outros, uns vêm e nos levam também
a alegria em geral é legal, mas vai triste assim mesmo

pergunte-se todas as respostas e tente ser feliz
o mundo ainda não acabou mas só está por um triz


bjs, té manhã



não pense que não me sai da cabeça
esse samba-enredo que me encheu de tristeza
ou que o ser humano não passe de um ser humano
ou desumano, claro
mas não consigo explicar
que não estou mais na coisa com coisa

cuidarmos de uns aos outros
de altos astros
astral mentira!
e senti saudade do que nunca vi
e o acaso é o grande mestre pedra
do tititi

dorme morna menina
que muito quente inquieta a gente


tomie



ela recanta a `ruiva da rodovia`
gostei, quero
ela então me diz `sou sua casa - me usa`

agora me resta o rosto dela
e a ela resta o meu.. ambas abundantes
de presentes, poetas ambulantes

eu me sentindo um pavão
toda recitando, mostrosa
a reverenciar na relva
a ruiva da rodovia dela




                                                * * *
 


Renata de Andrade, artista plástica nascida em Barretos, mudou-se para Amsterdã em 1988 onde estudou na Academia Rietveld, formando-se em pintura. Foi contemplada por quatro vezes pela Fundação Holandesa para Artes Visuais, Design e Arquitetura, com a bolsa de ajuda financeira por 2 anos, para desenvolver trabalho com reciclagem de lixo nas artes visuais. Nunca parou de pintar retratos e escrever textos. Blogs:
http://arxvis.blogspot.com/  e http://gibi-arxvismarvel.blogspot.com/ E-mail: renatadeandrade@yahoo.com

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