Por Silas Corrêa Leite

As vacas chegaram
Duras, como a estupidez de tantos texanos broncos
Aqui, tropicalizadas
São ainda assim vacas imagéticas
De gordas tetas anglo-saxônicas
Na vacância de nossa arte moreno-tropical
(Estrumes, currais, estábulos)
Importamos vacas e ubres
E demos a nossa cara brasileiríssima
Cifras, grifes, friezas: ferraduras de consumos
Vacanizamos a macunaímica arte pau-brasil
Avacalhamos a malazártica cultura local
E todos embasbacados em rodeios de insanidades
Aceitamos o pacote pronto
Kit básico de vacas midiáticas
Os seres entre exóticas vacas emboabas
São como pobres reses contemplativas
E as vacas aparecem mais do que as torpes mazelas de origem
Para o open-doping no refil
do povo, gado marcado
Hosanas às sagradas vacas apátridas
Viva o histórico estrume babaquara do que elas representam
Por descarga de consciência
Serão vendidas e o quantum arrecadado
Doado
Às instituições que tentam substituir o estado neoliberal suspeitamente falido
Por um insano império do capitalhordismo americanalhado
Silas Corrêa Leite é poeta, autor de Porta-Lapsos, Editora All-Print.
E-mail: poesilas@terra.com.br Site: www.itarare.com.br/silas.htm