Apresentação de José Carlos Brandão:
Aqui está uma amostra do livro “OSTRAS AO VENTO, Humor disposto a nada”, uma coletânea de frases, textos de humor e cartuns .
O título em si é um achado, desses que só a melhor poesia pode ter. Ostras ao vento! Não é preciso dizer mais nada. É um livro de humor, mas a poesia é irmã do humor, a poesia se faz com humor.
Ostras ao vento é um sintagma pleno de nonsense, que só a poesia pode explicar. Aliás, poesia e humor não se explicam. Você ri ou se extasia com aquele quê especial de um texto – que chamamos de humor ou poesia.

O livro “Ostras ao vento” é isso aí. O mais puro humor. Aquele de que você dá um sorriso – mesmo um sorriso interior! – como para uma boa imagem de um poema. Às vezes, dá uma gargalhada. Também um poema às vezes toca mais fundo.
Não é à toa que o Vasqs frequenta os saraus de poesia de São Paulo – são dezenas! – e diz suas frases de humor e é ouvido como a um poeta. Não há muita diferença, se há. Os bons poetas foram também, se não humoristas, tocados pelo humor.

Eis aqui com vocês Fernando Mendes Vasques, que assim se apresenta: “Nascido em Dois Córregos, SP, Vasqs é redator de humor e cartunista. Iniciou no Diário de Bauru, onde morou 24 anos. Em São Paulo teve suas primeiras publicações nos jornais Ex e Movimento. Escreveu e ilustrou para o Pasquim/São Paulo e foi colunista do Jornal da Tarde, de O Estado de São Paulo. Por 12 anos foi ilustrador do jornal Diário Popular, hoje Diário de São Paulo. Entre outras publicações, colaborou com O Pasquim, O Pasquim-21, Jornal do Brasil e para as revistas Bundas, Revista do Faustão e Mad. Hoje participa dos sites de literatura Overmundo e Canto do Escritor e de charges Chargeonline e Brazilcartoon. Como freelancer, ilustra livros didáticos e infantis e pilota o blog Ostras ao Vento: http://ostrasaovento.blogspot.com.”
J. C. B.
jcmbrandao@gmail.com
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FÁBULA
“O rei está nu” não foi tudo que o menino disse. Depois ele contou que o rei tinha o pinto pequeno.
SOLIDÃO
Vai indo e o solitário briga consigo mesmo. Depois compra uma revista erótica e vai para o banheiro fazer sexo reconciliatório.
DECISÃO
– Nélson, vou-me embora. Encontrei alguém que mata barata melhor que você.

DESCOBERTA
Então o Livro dos Recordes descobriu o homem mais anônimo do mundo. Bastou pra que na mesma hora ele virasse celebridade.
FREUDIANA
Quando uma mulher passa por uma vitrine de loja e não olha, a vitrine fica toda complexada e sofre o dia inteiro com dor de cabeça.
CONSOLO
Deixe estar, o pão que o diabo amassou pelo menos já vem quentinho.

NOVO ENDEREÇO
Agora estou morando em mim mesmo. Achei mais perto.
PREDADOR
Homem não tem
pena de passarinho.
Tivesse, voava.
RODRIGUEANA
O pior que pode acontecer a um cadáver é ele ouvir alguém dizer:
– Repare a expressão, esse cadáver não amou.
ERGOMETRIA
Um homem correndo na esteira sem sair do lugar. Não quer dizer nada, mas que bela imagem pra o que é a vida, hein?
BODAS
– 25 anos, viva!, exultou-se ele. Se fizéssemos hoje uma peça de teatro os dois juntos, ainda assim seria um monólogo.
O NORBERTO
– Norberto, Israel está bombardeando a Palestina!
– Hum.
– Norberto, já mataram mais de 500!
– Hum.
– 200 são crianças!!!
– Hum.
– Pô, Norberto, você não se entusiasma com nada?!
QUESTÃO DE ARTE
Se arte fosse coisa séria, os turistas deveriam ser proibidos de visitar os museus.

ANEDOTA
Tava o mineirinho de cócoras, quietinho, debaixo duma paineira, pitando cigarrinho. Horas a fio, tempo estancado que nem paisagem de quadro. Passou outro, quis saber:
– Tanto tempo aqui fazendo quê?
O mineirinho suspirou:
– Ioga, uai.
ANEDOTA, OUTRA
Mineirinho quietinho, agachadinho, debaixo dum pé de jatobá. Imóvel, impassível como uma tartaruga gigante das Ilhas de Galápagos. Só movia a fumacinha saindo do pito no canto da boca. Foi juntando gente. Um até passou a mão na frente pra ver se piscava, pra ver se respirava, pra ver se tava morto. Nada, imóvel feito peso de porta. Até que outro num guentou e cutucou:
– Ei, que é? Tá fazendo quê?
Aí o mineirinho rangeu:
– Estátua viva, uai.
ANEDOTA, MAIS OUTRA
Mineirinho calado, escondidinho, amoitadinho, no lusco-fusco da tardinha, debaixo da mexeriqueira. Teeeeeempo ali. Um que passou – povo mais implicante, sô – se meteu:
– Uai, num sai mais daí? Que que faz tanto?
Dessa vez o mineirinho ralhou entre dentes:
– Cocô, cacete!
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Fernando Vasques ou Vasqs é redator de humor e cartunista.
Blog: http://ostrasaovento.blogspot.com E-mail: fvasqs@ig.com.br