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25/04/2012 11:10:00
Ostras ao vento



Por Vasqs


Apresentação de José Carlos Brandão:

Aqui está uma amostra do livro “OSTRAS AO VENTO, Humor disposto a nada”, uma coletânea de frases, textos de humor e cartuns .

O título em si é um achado, desses que só a melhor poesia pode ter. Ostras ao vento! Não é preciso dizer mais nada. É um livro de humor, mas a poesia é irmã do humor, a poesia se faz com humor.

Ostras ao vento é um sintagma pleno de nonsense, que só a poesia pode explicar. Aliás, poesia e humor não se explicam. Você ri ou se extasia com aquele quê especial de um texto – que chamamos de humor ou poesia.



O livro “Ostras ao vento” é isso aí. O mais puro humor. Aquele de que você dá um sorriso – mesmo um sorriso interior! – como para uma boa imagem de um poema. Às vezes, dá uma gargalhada. Também um poema às vezes toca mais fundo.

Não é à toa que o Vasqs frequenta os saraus de poesia de São Paulo – são dezenas! – e diz suas frases de humor e é ouvido como a um poeta. Não há muita diferença, se há. Os bons poetas foram também, se não humoristas, tocados pelo humor.


Eis aqui com vocês Fernando Mendes Vasques, que assim se apresenta: “Nascido em Dois Córregos, SP, Vasqs é redator de humor e cartunista. Iniciou no Diário de Bauru, onde morou 24 anos. Em São Paulo teve suas primeiras publicações nos jornais Ex e Movimento. Escreveu e ilustrou para o Pasquim/São Paulo e foi colunista do Jornal da Tarde, de O Estado de São Paulo. Por 12 anos foi ilustrador do jornal Diário Popular, hoje Diário de São Paulo. Entre outras publicações, colaborou com O Pasquim, O Pasquim-21, Jornal do Brasil e para as revistas Bundas, Revista do Faustão e Mad. Hoje participa dos sites de literatura Overmundo e Canto do Escritor e de charges Chargeonline e Brazilcartoon. Como freelancer, ilustra livros didáticos e infantis e pilota o blog Ostras ao Vento:
http://ostrasaovento.blogspot.com.”

                                                                          
                                                                                             J. C. B.
                                                                jcmbrandao@gmail.com


                                                  *

FÁBULA
O rei está nu” não foi tudo que o menino disse. Depois ele contou que o rei tinha o pinto pequeno.


SOLIDÃO
Vai indo e o solitário briga consigo mesmo. Depois compra uma revista erótica e vai para o banheiro fazer sexo reconciliatório.


DECISÃO
Nélson, vou-me embora. Encontrei alguém que mata barata melhor que você.





DESCOBERTA
Então o Livro dos Recordes descobriu o homem mais anônimo do mundo. Bastou pra que na mesma hora ele virasse celebridade.


FREUDIANA
Quando uma mulher passa por uma vitrine de loja e não olha, a vitrine fica toda complexada e sofre o dia inteiro com dor de cabeça.


CONSOLO
Deixe estar, o pão que o diabo amassou pelo menos já vem quentinho.


NOVO ENDEREÇO
Agora estou morando em mim mesmo. Achei mais perto.


PREDADOR
Homem não tem
pena de passarinho.
Tivesse, voava.


RODRIGUEANA
O pior que pode acontecer a um cadáver é ele ouvir alguém dizer:
Repare a expressão, esse cadáver não amou.


ERGOMETRIA
Um homem correndo na esteira sem sair do lugar. Não quer dizer nada, mas que bela imagem pra o que é a vida, hein?


BODAS
25 anos, viva!, exultou-se ele. Se fizéssemos hoje uma peça de teatro os dois juntos, ainda assim seria um monólogo.


O NORBERTO
Norberto, Israel está bombardeando a Palestina!
Hum.
Norberto, já mataram mais de 500!
Hum.
200 são crianças!!!
Hum.
Pô, Norberto, você não se entusiasma com nada?!


QUESTÃO DE ARTE
Se arte fosse coisa séria, os turistas deveriam ser proibidos de visitar os museus.





ANEDOTA
Tava o mineirinho de cócoras, quietinho, debaixo duma paineira, pitando cigarrinho. Horas a fio, tempo estancado que nem paisagem de quadro. Passou outro, quis saber:
Tanto tempo aqui fazendo quê?
O mineirinho suspirou:
Ioga, uai.


ANEDOTA, OUTRA
Mineirinho quietinho, agachadinho, debaixo dum pé de jatobá. Imóvel, impassível como uma tartaruga gigante das Ilhas de Galápagos. Só movia a fumacinha saindo do pito no canto da boca. Foi juntando gente. Um até passou a mão na frente pra ver se piscava, pra ver se respirava, pra ver se tava morto. Nada, imóvel feito peso de porta. Até que outro num guentou e cutucou:
Ei, que é? Tá fazendo quê?
Aí o mineirinho rangeu:
Estátua viva, uai.


ANEDOTA, MAIS OUTRA
Mineirinho calado, escondidinho, amoitadinho, no lusco-fusco da tardinha, debaixo da mexeriqueira. Teeeeeempo ali. Um que passou – povo mais implicante, sô – se meteu:
Uai, num sai mais daí? Que que faz tanto?
Dessa vez o mineirinho ralhou entre dentes:
Cocô, cacete!


                                                * * *

 

Fernando Vasques ou Vasqs é redator de humor e cartunista.
Blog:
http://ostrasaovento.blogspot.com  E-mail:
fvasqs@ig.com.br

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