Café Literário Cronópios

O romance inédito e esquecido de Jorge Amado na voz da velha e negra senhora – Parte VIII
por Carlos Emílio C. Lima






 

2113
por Maíra Ferreira




Vovô não tem ai póde
por Mauricio Vieira




O umbigo
por Edson Bueno de Camargo




Quando apertei o botão vermelho
por Davi Araújo




Sete cantos selvagens
por Célia Musilli




Poemas de Wislawa Szymborska
por Josette Monzani




Bem-vindo à guerra do teu corpo
por Augusto Cesar Cavalcanti




O guarda-chuva no caos (quanto mais furado, mais poesia entra)
por José Carlos Mendes Brandão




Série Curt@s Histórias e Poesias
por Edgar Borges




Sexo sem anjos
por Jorge Elias Neto




Engrenagem
por Marília Miranda Lopes




Fliperama, Dirk von Petersdorff
por Viviane de Santana Paulo







 
16/05/2012 19:12:00
Em silêncio, devagar



Por Lalo Arias


o maior amor do mundo

Ontem saltei pela sétima vez
da ponte
A mesma ponte sem rio por baixo
sem trovoadas por cima
Imaginei um oceano
coroando a noite
como um mar de pétalas
que se junta
a um mar de pérolas
que resulta
num mar de pedras
rolando
por baixo da ponte
E o frio era tanto
que abraçar a mim mesmo não bastava
Agarrar o ar
revendo
um barco que aderna
por trás do horizonte
enquanto salto
pela sétima vez




eu amo você, Kate Winslet

Quinta, sexta-feira, sábado também
foi tudo muito dolorido
quase como uma felicidade
Bem, não era isto o que eu sentia
Era um torpor, um delicado e selvagem
torpor
Medo é coisa que passa
eu sei
mas desta vez o medo nem veio
Parecia mesmo tudo estacionado
Sabe aquela mínima pétala de luz
que sobe
sobe
e depois paira suavemente
acima das nossas cabeças?
Então
estes últimos dias foram assim
Pensei muito em você
como sempre
mas eu precisava delirar
todo poeta precisa
Olhar para os dias sem delirar
é jogar com a poesia
e isto não é um jogo
muito menos confissão
também não são memórias
nem declaração
de amor
meu amor
Domingo que vem você vai chegar
aí então a vida se completa
nada tenho a fazer até lá
a não ser crescer mais um pouco
e melhorar
Posso ver um filme
agora
sem qualquer delírio
Nossa mãe do céu, Kate,
é você mesmo?
ali?
no centro da sala?




em silêncio, devagar

Esfregue os olhos
e você irá de norte a sul
num só segundo
Veja
tem um cordeirinho ali
marcado
pronto pro abate
Rasteje
você pode escolher
qualquer lugar
entre o leste e oeste
A pólvora te alcançará
tampe o nariz
não respire
Alguém acenderá o rastilho
Esta é a casa dos insones
há uma rosa dos ventos
presa ao telhado
Não recite seu poema
você sabe o que ela pensa
a respeito da poesia
Imagine vagamente
você no oceano
Arraste-se em silêncio
não há motivo algum
para enlouquecer





*Poemas do meu mais recente livro,
Deus Morreu Ontem à Noite



                                            * * *

Lalo Arias nasceu em São Paulo em 1953, é jornalista e atua na área de edição de arte. É autor do livro Cidade Desaparecida (Editora Scortecci, 2010, poesia). Tem 5 livros de poesia publicados na internet que podem ser lidos através dos links à disposição em seu blog:www.laloarias.blogspot.com  Email: laloarias@uol.com.br

  Licença Creative Commons

Publicações de um autor no Cronópios
Outras publicações de Lalo Arias no Cronópios.