Café Literário Cronópios

OFNIs (Objetos Flutuantes Não Identificados) de Guto Lacaz
por Portal Cronópios






 

TOX
por Paulo Franchetti




Gael (e essas seis primeiras quedas)
por Carla Diacov




2113
por Maíra Ferreira




Vovô não tem ai póde
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O umbigo
por Edson Bueno de Camargo




Quando apertei o botão vermelho
por Davi Araújo




Sete cantos selvagens
por Célia Musilli




Poemas de Wislawa Szymborska
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Bem-vindo à guerra do teu corpo
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O guarda-chuva no caos (quanto mais furado, mais poesia entra)
por José Carlos Mendes Brandão




Série Curt@s Histórias e Poesias
por Edgar Borges




Sexo sem anjos
por Jorge Elias Neto







 
22/05/2012 18:54:00
O orvalho & a nódoa



Por Luiz Vitor Martinello


como quem cultiva orquídeas, samambaias
marias-sem-vergonha

eu cultivo poesia



A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA

um cão roendo
um osso

uiva pra lua



DELICADEZA

uma flor em teus cabelos, mariazinha
torna mais bela a flor

(seja cravo, rosa, ou margaridinha)



MENINA & MOÇA

verde ainda, como a onda que não ganhou a praia



POEMA QUE QUASE NASCEU

quando a chuva inventa uma canção mais desesperada...



CRISTAL

teu desejo na ponta de um beijo



DESVELOS

passarinhos cantam nos fios
(de teus cabelos)



LÍRICA

me prendi nos laços de teu amor
(me solta, ó flor)



ORQUÍDEA

- boba!
-boba?
- a vida...



MURAL

(o sol na vitrine)

- compra, mãe!
- deus não vende, filhinho
- e se a gente fosse anjo?



VINHO

pássaros no céu
(muito sol, amigo)
toma o meu chapéu



NOTURNO

- estrelinha do céu, conta pra mim um segredo?
- qual?
- qualquer um...



INFÂNCIA

os brincos vermelhos da dora
que os passarinhos bicavam
pensando que fossem amoras



CONCRETISMO

o o da aurOra
é o sol lá fora!



CIRCUNSTÂNCIAS

tropecei num sapato, dei um passo à frente
(tropeçasse num pássaro, eu voava?)



CREPÚSCULO

quando o céu se incendeia
(o céu é o inferno?)



DOS DESEJOS

o passarinho quando voa
pensa que pode cair?
e se não pensa
pensa aonde quer ir?



QUEM

pensa
que pensa
pensa?



DA DÚVIDA
                               
para kamilla e raissa

peixe bebe água?
(e todos os peixes bebem toda a água?)



INCONSEQUÊNCIA
                         
para tiaguinho

O rio e os peixes brincam de nadar
o rio nada nos peixes

o medo que os peixes têm
(de o rio se afogar)



PRIMAVERA

a chuva chove no jardim público
sem saber que as plantinhas
(coitadinhas)

estão todinhas resfriadas



OURO PRETO

tropecei na rua
do aleijadinho
e dei com a boca

num
diamante!



DAS PAIXÕES SECRETAS

no organdi azul da tarde
um bem-te-vi

(não-me-vê)



NUDEZ

a maçã
cor tada ao
mei/o
expõe seu

silêncio



RESTOS DE GUERRA

um cão roendo
um osso
(osso do moço)

uiva pra lua



PRECE

a aurora que eu falo
não é essa aurora que nasce não
nem essa aurora mulher
é a aurora santa

santa aurora
(rogai por nós que estamos nas trevas)



HORA PATÉTICA

cessou a banda de música
(o sotaque inglês rege o universo)



MORAL DA VELOCIDADE

7 comerciais
7 segundos
7 corpos nus



BÍBLIA

olhai os lírios do campo
mas não os afagueis

(eles podem murchar em vossas mãos)



tem lá no rio de janeiro
o cristo redentor

(de mãos vazias)



AZUL

(se não houvesse céu não haveria limites)



PROPAGANDA

(tudo vai melhor com coca cola?)



DOS SILOGISMOS

o educador não pode ter colégio particular
o educador é universal

(o colégio
é particular)



DAS ILUSÕES

continuava passando antisardina no rosto
(ignorando que o câncer não tem cura)



VIA CRUCIS

o seu mané carroceiro
em quem a criançada
tacava pedras
e xingava de velho manco
morreu

(ontem à noite)



HAICAITANEANDO

entre o inseto e o inseticida
o poeta fica com a vida



MEMENTO MORI

um cão roendo
um osso

uiva pra lua

(osso da mão tua)



DA ESPIRITUALIDADE

n’osso osso
é a única eternidade
que temos

(meditemos)



PETIT FINALE

Fure a lua cheia
com um cabo de vassoura
baby

eu deixo



                                                  * * *

Luiz Vitor Martinello é poeta e professor de Literatura em Bauru – SP. É autor dos livros de poesia “Mãos nos bolsos”, “Os anjos mascam chiclete”, “Lixeratura”, “Me apaixonei por mim mas não fui correspondido” e dos infanto-juvenis “O sapato que sabia andar” e “O penuginha”. E-mail: vitormartinello@uol.com.br

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