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INFERNOS
I
o que não você sim me diz na sua suada língua de
verdades na minha cara na minha boca de contradições
e desconverso em sentido contrário em insinuações como beijá-la e deixá-la nua vazia e calma fazê-la esquecer
o que você não e eu sim simulo um acordo frágil entre nossos nomes em nome de um deus inventado na hora
da nossa morte amém sim eu digo sim uma comunhão de bens e malas a fazer numa impensada concordância
de senões até um porto mais próximo mas trata-se de um aborto de um parto de um pacto sem conjecturas de
juras profanadas estupros estúpidos escrúpulos terminais e óbvios contratos de retardo latente trata-se de
alcançar com sua língua as minhas amígdalas de me amordaçar e presente fugir para um ponto neutro de abstração em que os olhos veem um significado absurdo de silêncio concentrado e impenetrável digamos impermeável de
propostas impróprias e você sim sem a menor dúvida grita seu pulmão seu hálito de bourbon e me implora de joelhos
ah como eu rezava por isso por esta cinta liga por esta putaria religiosa de sim/não ordinário cretino canalha desgraçado
filho da puta ridículo a mandíbula travada de quem cheirou todas te amarro te rasgo e você pede pra eu te comer te
lamber me foda me morda e sinto o momento exato em que você deságua seminua semininfa semiputa te como te
chupo te como te fodo te bato na cara na bunda e você perde o tesão para sim instantes segundos depois pedir mais
e como se estivesse em carne viva engole todo o meu pau a minha porra as minhas cordas vocais estouram e iniciam
uma hemorragia que vai à ferrugem uma dopamina que vai ao tétano eu amordaçado você amarrada desmaios múltiplos
impuros como devem ser e nós sim sinistros sob as minhas barbas e eu imberbe e você sim cínica irônica descarada
sem beijos ou bises me castiga me deixa ao onanismo e ri e rindo se delicia com a minha punheta depravada desesperada
e dolorida com meu priapismo perpétuo mas não suporta o meu não gutural e narcótica lambe o meu períneo e entra numa vertigem vaginal de correntes por corredores estreitos por pés direitos altos saltos de sapatos finos e você sim condenada à síntese exerce o auto exorcismo e animicida animal perde-se totalmente de Virgílio eu não te perdoo mas te salvo da castidade perene à qual você quer se impor te trago ao sim simétrico da copulação doentia e sã blasfemo e digo talvezes diversas vezes quantas desnecessárias são e os nervos levados à fervura e ali petrificados pigmaleão a sua secreção sobre meu ventre enfio meu pau em sua angina (sobre) você nua de ver dentro endríaco e omófago como tua buceta e definitivamente te digo sim com todos os sintomas da besta do anticristo do antissanto e humano levo o amor a sua perfeição íntima e última e te transformo em um anjo carnal sem asas decretos e culpas ao sexo único e tantos sim tanato.fobia.

Mínimas: Nós
II
nada. e foda-se. e nem a "super-cali-fragilistic-ex-pialidoso" de mary poppins ou o jogo do contente da poliana vai resgatar
hark:
acriangrydoce agrestes hungry agressões da pressão arterial ou cárdio vasca vasculares depressões aftasdaydolosas farto
das artes escleroses das convectivas de gengivas januárias fivereiros desamores nevers parlêativas avec línguas ou serão enguias ou ínguas disckensões by phone dexcartas ppu pra ptra pí pção arbitrária do códigos morse braille esperanto taqui eu fiz tudo prá você gostar de mim grafia e outras biltrelínguas como a de los hipocrytas ou das críptas a dos infernhell skynheads no meio decerto deserto o seu amor esta palavra terrivil que me cega ao ouvêla além das cricris críticas premissas promessas otimistas autônomas registradas em cartório dos otários e otomanos.nada poço fazer sem fundo comme ça des garçons o negócio é deixar como está mas aí é que está o busílis os problemas são mesmo assim a gente desce de um jeito que só vendo
à vista ou revendo passa hipoglós que passa não é bem? assim alinho as ideias e as palavras:
nadas e ninguéns bebo todas as possibilidades: nada devemos temer exceto as palarvas e qualquer coincidência com este personagem fictício é mera semelhança. calo-me e vazios:

Vampiros -1987 - arte Marcelo Negrini
III
nem sei se saberia dizer o que sinto ou como seria se você estivesse tímida e suada e diria envergonhada mesmo sou sua agora e depois vejamos e eu também estaria suado porque isso significa que sou seu neste momento é isto o que importa não precisa dizer mas é necessário por ex. falar das suas pernas maravilhosas e suadas das suas coxas duras até chegar ao seu sexo e ao cheiro do seu sexo aos pelos ao apelo dele e falar do desejo bocabocabocabocabocaboca convenhamos é importante falar disto porque é fogo úmido e secreto e da sua política interna falar do medo que se esconde explícito um medo quase infantil e complexo porque a minha cabeça mais a sua cabeça e isto dá medo quando se pensa nisso e pior sente-se isso então pára que quero descer então paro porque não quero pagar e é chato mesmo cobrar mais bom receber beber com você é bom beijar você também imagina o resto como deve ser ótimo mas é bom te ver clara e confusa é como flor não gosto de flor mas gosto da palavra flor gosto de camisa florida como não gosto de perfume mas um cheiro bom de pele é intransferível. penso sinto muito tento falo tanto na lata tudo na mala na cara e nenhum dedo de deus nos acuda acenda sacuda manjuba
de leão manjas? marmanjos de bermudas mármores estelares solários prismáticos minha prima asmática minha chuva minha capa 007 mina barriga na sua bunda minhas brigas desço bêbado noites dias becos madrugadas por estrias abertas mas de cem mentiras sílabas ciladas mas de mil palavras gastas desapareço desço canso-me em quantos abissais incômodos degraus me custam em quantos cânceres cárceres cactus cômodos fechados etcetéra me fecho.zero hora agora maravilhosa deusa densa zero grau agora me ajoelho e desço mais à procura de uma cura nos seus beijos e celebro o sóbrio amor e bebo do ódio ou ao contrário celebro bêbado amor e o sóbrio ódio.

Mínimas: Engolindo Sapos
IV
o texto. as várias formas de fazê-lo. de desfazê-lo. e tenta-se o suicídio em cada uma delas. Abismos. Infernos. transpô-los a única solução...
mas não é. texto de textos, poesia para poetas, como já dizia oswald de andrade. Traduzi-los, sabendo-os incomunicáveis. a vida no telegrama. nas entrelinhas. é quando as histórias se confundem ou os nomes: maria lígia ana lúcia margot... e é um bolir das cousas. as várias línguas. e suga-se o sangue de uma mulher. Kamikazi. e alguém que chora por mim. fulor, fraca, azul, funil e faca manhã na pele. pelé na televisão. caiu um cílio, mesmo levando a sério, eu confesso: entrou no meu erro, morreu: eu mesmo me
copio. jamais e mesmo assim no mais íntimo resumo: silêncio nas profundezas da ironia. as pernas abertas e eu penetro...
e isto é uma síntese do que pretendo, uma súmula,um epítome. uma história que é um pretexto para o texto.

Entrodução - arte final: Silvio Gurgel

Entrodução - vidro jateado
Gil Jorge (Gilberto José Jorge) é poeta, editor e promotor de eventos culturais. Boa parte dos poemas que realizou desde os anos 80 se situa na vertente de uma caligrafia gestual e tipográfica. Foi co-organizador da mostra Poesia Evidência, em 1984, na PUCSP; co-editor da revista de caligrafias impressa em serigrafia pela Entretempo, AGRRAFICA, em 1987; co-editor do álbum Atlas, com mais de 80 participantes, entre cineastas, artistas plásticos, poetas, músicos etc. Participou com vários poemas ao longo das edições da revista Artéria, editada por Omar Khouri e Paulo Miranda. Viveu e trabalhou em São Paulo, porém, há nove anos vive em Paraty. E-mail: birutabar@yahoo.com.br