Café Literário Cronópios

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por Nilson Oliveira






 

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Vovô não tem ai póde
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Quando apertei o botão vermelho
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Sete cantos selvagens
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Bem-vindo à guerra do teu corpo
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O guarda-chuva no caos (quanto mais furado, mais poesia entra)
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Série Curt@s Histórias e Poesias
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Sexo sem anjos
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Engrenagem
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Fliperama, Dirk von Petersdorff
por Viviane de Santana Paulo







 
06/09/2012 15:48:00
Rodas



Por Carla Diacov




sou carla diacov. de qualquer forma. não me importa tanto ser. e também vou e volto e babo durante. nasci (09/04/1975) e moro em São Bernardo do Campo e brinquei na praça-dos-meninos. morei a Londrina e ela a mim. fiz teatro e me desfiz. então escrevo e sei que vou, mas volto. de qualquer forma. e gosto tanto de pão de forma com amendocrem. de qualquer forma, que é como eu sou, mas volto. babando.


(uns escritos inéditos)


carrossel

é o abandono entre teus dedos
é o meu cabelo nisso de abandono aos cabelos
são fechadas minhas às tuas pálpebras
é levada minha boca pelo teu sono
é a aflição tão agreste desse dia
que sequer pode ser planta
carrossel
sequer pode vir
infinito
esse dia que sequer e canta.




carroça

e partiste ao meio
a maçã
sob a chuva
dum intenso pomar.
feridas dos vermes
chuva e maçã e larga roda
e na parede da casa escura
beirando à meia-noite
um súbito pé-de-vento dando de fisgada na última luz da vez
sem saber por que jazer
sem saber da carroça no fumo, que com névoa de nervos,
faz a luz voltar, a porta ranger
e minha cara cair justo e bem
onde o teu intento nasce.
quer partir outra maçã. e outra.





cabriolé

é uma estrela?
uma estrela correndo os olhos contrários
de tanto idealizá-la
cabriolé dourado
vai e volta ao céu da boca da memória
corre as águas
dos corpos sem margens
estes cujas estrelas nos olhos:
Meu Deus, que vida mocha a da estrela afixada!





carruagem

Voltarás ao caminho apagado
das letras
escrevíamos areia
areia
Voltarás iludindo ao meu véu
em ondas que se encontram entre os meus olhos fechadíssimos
(minha força em manter os olhos ao não, não)
rendar
ainda agora
da formação dum espírito
desses que aos milhares, faz o mar
dele, do espírito, virá outro a rebentar meu ventre.
daí que por mim
voltarás
com ele
ele que ponta minha alma às dedadas.
Já nem sequer as letras
o caminho
o caderno de caminhos
saber que se ele
fosse uma chama
tu estarias por fazer significação
Voltarás
diurno
e agora além de desconfortável
diurno.
Mas veja,
não te lembres de mim ao nevoeiro
que já reganha os olhos e encerra os barcos
onde aos pedaços
voltarás.





carriola

palavras, eu quis escrever sobre elas
quando era eu por sob.
a palavra dobrando minha língua, minha linguagem gestual quando do amor vindo a cavalo.
a palavra
inda pelos modos da esperança
de ter vivido entre palavras santas,
MÃE, PAI, ESTENCIL, COMIDA, ASAS, CARRIOLA, FURTACOR.
durante essa época de esperar
da espera em chegar
escrevia desenhado
de maneira que não pudessem, não o podem, corrigir-me os solavancos
/não se deve corrigir a ninguém dos rabiscos/
escrevo agora
enquanto me observam pitangas passantes
escrevo
nos teus cabelos tristonhos
no caminho dessas lágrimas
na pitangueira duma parada
escrevo inté neste lugarzinho
que é a tua ausência nos objetos que ainda estão a vir
virão
descobertos serão
e eu te amo tanto
e posso rabiscar palavras com maçã, tua favorita
palavreio o mundo, o passarinho que te acorda, a vizinha a estudar violino
e como eu poderia definhar das que te fazem bem, sorris, sorris
e caminhamos durante
e usando de palavras como sapatinhos
e despimos todo um mundo de pudores pois que nossas as palavras
os objetos que não
os que descobertos serão
nossos instantes em mim
tu, minha melhor invenção.
minha palavra, Eu.
palavras, eu quis escrever sobre elas
quando era eu rabiscando por sob indo a carriola.





coche

todos os olhos, aos pares, vão vazar
já os corações, também aos pares,
irão estourar
fazendo marés vermelhas
de enormes proporções epidêmicas
para todos os olhos vazantes
poderem dum outro olhar
pois que nem todas as águas nascem das montanhas
e nem todas as montanhas dão de se olhar
e eu te odeio tanto, amor, eu te detesto.




                                                 * * *

Carla Diacov é atriz, diretora e produtora teatral, poeta e escritora.
Blog: http://carladiacov.blogspot.com  Facebook: http://www.facebook.com/carla.diacov  
E-mail: carladiacov@gmail.com
 

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