Cortante
Venta num domingo
A tarde, e a tristeza de
Perder uma pipa.
Disfarce perfeito
Nem desconfia,
Mas justo o despertador
Impede seu despertar
Dia após dia.
Água e sais
Uma lágrima
Brota
Rola
Cai.
Uma gota
Estraçalha-se no chão
Alheia a tudo.
O que dizem
Dizem,
Por vezes:
A filosofia
É muito dura.
Ela diz
Que dura
É a vida.
E,
Por vezes,
Nem dura.
Suculência
Ensinamento:
Comer tomate
Como fosse fruta.
Sobremesa perigosa
O perigo de um cravo
No arroz-doce
Na brancura.
Saboreia o menino
O medo.
Asas
Fui fisgado pelo céu
No caminho para casa
Confundi azul e anzol.
Injeção de maturidade
Perdi boa parte
De meu tempo de pequeno:
Não fazia arte;
Chorava, o corpo doendo.
Lancinantes dores
De reumatismo infantil,
Expurgado a duras
Doses de benzetacil.
Agora, já adulto,
Injeção alguma eu temo,
As dores aceito
Pois sei: serei sempre arteiro.

* * *
Anderson Petroni nasceu em 1985 em São João da Boa Vista-SP. Reside atualmente em São Carlos - SP. É formado em Imagem e Som pela UFSCar e cursa atualmente Bacharelado em Filosofia nesta mesma instituição. Publica seus poemas e delitos no blog “Pequenos Delitos” (http://delitospequenos.blogspot.com) desde 2007.
E-mail: antoniocontini@gmail.com