Café Literário Cronópios











O blog da procrastinação
por Italo Moriconi






 

Cavalo Azul
por Flávio Viegas Amoreira




Terça-feira
por Clarice Linden




De Clarice para Clarice
por Jorge Miguel Marinho




Seleta Twitter - Desvairados inutensílios
por Silas Corrêa Leite




Haikai coletivo
por Gustavo Felicíssimo




Uma porta (entre)
por Vagner Muniz




Dilema da aranha
por Eryck Magalhães




Servicinho extra!
por JC.Pompeu




Adeus cativeiro da métrica
por Gerson Chagas




Poesia para dançar
por Karen Debértolis




No comprimento de águas e conchas
por Marco Aqueiva




Antologia Poenocine
por Grupo Poenocine







 
29/10/2005 16:43:00
Ruta graveolens



Por Arruda










antes de sair do teu exílio kitnet

 

faça

 

uma enquete com os astros

 

traça

 

uma rota anti-desgraça

 

passa

 

teu terninho todo traça

 

caça

 

tua coragem na dispensa e dança

 

e quando estiver como sempre: quase pronta

 

recolha as pontas segura as pontas que a vida é lança não é tonta

 

mas não se esqueça: proteja a cabeça

 

com seu boné, sua bandana

 

que a vida não é toda orla mas também é

 

 

copacabana

 

 



***



fecho

 

os olhos e olho

 

para a imensidão sem porto deste mar negro quase

morto

 

remo rumo ao sul – a caminho de minha Istambul

 

a cidade - dividida - a cidade

 

entre

 

dois continentes

 

navego por rotas traiçoeiras. como são

as nossas fronteiras

 

desafio

este fio

 

do estreito sempre suspeito. meu bósforo

sem leito

 

fecho

 

os olhos e olho

 

para a imensidão sem porto deste mar negro quase

outro

 

navego nevoeiros

 

minha âncora pesa vento meu barco brinca desatento e o horizonte enfim

 

em mim. se anuncia

 

 

a tempo:

três graus e meio de miopia

 

para dentro

 




***


                               

tenho

seis

obses-

sões

sem

rosto

 

 

 

inventar uma cor que não exista. nem depois de inventada

 

coisar a solidão para um objeto que caiba na

terceiragaveta@domeuarmario

 

esquecer os caminhos dos meus cemitérios

 

fazer uma disneylândia das desistências. com brinquedos para todas as idades

 

viver uma vida sem sacolas

 

a sexta sou eu mesmo. em meus sonhos

 

 

tenho

seis

obses-

sões

sem

rosto

 

 

e uma fotografia sua






***








essa

press

a

 

atravessa

 

sem

olhar

pros

lados

essa

pressa

 

de quê?

 

essa

prece-bala

vem tanta

e sem

socorro

 

na garganta

 

ah,

 

essa pressa

 

me

 

atravessa

 

 

atrasa

à beça

 

a

volta

à

festa

 

 

 

 

 

 

 

essa pressa atravessa de ponta a ponta feito sonda a minha avenida sapopemba lembra?

 

em obras

 

nem

me

lembra

 

do

sinal

fechado

 

"vai abrir, vai abrir"

 

não vai

não vai

dar pra

 

esperar

 

 

-longe é medida de medo-

 

 

1 minuto. por favor. vou me

 

e

s

p

r

e

g

u

i

ç

a

r

 

entre essa insônia de ser

e um novo travesseiro para a existência. que acabo de inventar

 

 

 

 

 

 

ah

 

essa

pressa

 

 

disse

o

mar

ao

ver

a

ilha

antes

do

beijo

 

 

saliva de água viva

e sal

 

disse

o

menino

 

que

não

vi

crescer

 

mas

vi

chorar

 

feito homem

 

que

morre

criança

 



 

essa

pressa

atravessa

procura

vem

me

acha

 

essapressavemmeachanas b  r   e    c  h    a     s

 

desse muro de

contenção

 

escorado em nuvens

 

de nós

 

 

em nós de nuvens

 

que bichos você vê?

 

 

 

 

 

 

                                                                 











 

 

-- arruda. ----

[Do lat. ruta, pelo ár. ar-ruTâ.]

S. f.      Bot.     

            1.         Designação comum a várias espécies da família das rutáceas, nativas da Europa meridional, aromáticas e medicinais, das quais a mais comum é a Ruta graveolens.

E-mail arruda.arruda@uol.com.br

  Licença Creative Commons

Publicações de um autor no Cronópios
Outras publicações de Arruda no Cronópios.