Café Literário Cronópios





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Pequenos delitos
por Rodrigo Novaes de Almeida







 
3/3/2007 00:55:00
Trala tradución e outras correspondanzas



Por Andrés Ajens

 

 

Temos que arruinar a tradución... Temos que queimar estas nocións.

                                                                                                                                      Erin Mouré

 

moving with me as philosophes

into felicity and in the midst of elation

the thrones of Erin’s vowels

                                                         Lisa Robertson

 




i.

esta é mais ou menos a estória: ia un menino passar dias no lugar onde se construia a grande poesia. abriam-se assim as margens da alegria, do vagalume (guimarães) rosa, que desavergonhadamente alguém em mim traduzia quando apenas era un menininho e não falava português nem sequer galego (ainda que tivera unha avoa que viña da galicia — e antes da borgoña francesa e antes da arca de noé, ¿non é? —, só máis tarde, grazas aos teatriños aturuxados de erin mouré e aos teixos parisienses de chus pato, comecei a gaguexar a lingua da fonte do miño).

 

as marxes non deliñan taxativamente unha estoria de tradución malia internarse no non sabido, no máis; mas poden co-marcar unha estoria certa como o acto de respirar dos lindes da tradución, da súa ruína coma da súa desaparición — o seu transbordamento. ao comezo das marxes a descuberta da tradución dáse como o descubrimento do “peru”, un peru que non é pois o país dos inkas e de vallejo senón o páxaro alucinóxeno de mil cores ou pavo salvaxe, a pesar de que entre un e outro os pasaxes non sexan enteiramente imposibles: belo!, belo! tinha cualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento; sua ríspida grandeza tonitruante, sua colorida empáfia; satisfacia os olhos, era de se tanger trombeta. colérico, encachiado, andando, gruziou outro guglo. o menino riu, com todo o coração. mas só bis-viu. outras falas já o chamavan para o ensaio.

 

su alucine alias fascinación con el ave de colores llevara al niño ora a una identificación devoradora (ego [soy] el perú), ora a un intercambio sin resto (ego x perú : perú x ego) ora a una desembozada asimilación apropiadora (el perú = mi perú), mientras el perú, ¡o peru em pessoa!, empezaba, cómo no, a ser triturado por la máquina del progreso infanto-literario: o peru-seu desaparecer no espaço — só no grão nulo de un minuto, o menino recibia em si um miligrama de morte.

 

já o buscavan: “vamos aonde o grande poema vai ser, a língua...” 

 

y ¡paf! que me encuentro con erin en la old combination room, junto a la fuente de la great court y al puente sobre el río cam (cambridge’s conference of contemporary poetry), leyendo antes o después que michel deguy leyera su soberbia Traduction (Je ne parlerai jamais ta langue... [qui d’ailleurs?] Est-ce l’Amérique qui entraînera la terre dans son rêve, dans sa Protection Funerale, dans sa survie; ou...), but then i didn’t understand her calgaryan quebecois galician french romanian English, bueno, sí, un poco, y ese poco me bastó para olvidar a jack el destripador, digo spicer, escribiéndole a garcía lorca when i translate one of your poems and i come across words i do not understand, i always guess at their meanings, si, si, i guess my guest, adiviño a arruinaación da tradución que viña na túa boca, non só a ruína da noción de nación qua mononación (where it, and its desires of empire, meets the other ruins, celles des autres que cet état de [la] nation, fondamental, auto-nome, impérieux, est venu à conquister et à écraser), a ruína da pulcra ruína tamén, e entón dígoche, erin, algo en tal dirección sin dirección viene allende (donde hay por demás no poca translucinación), esto: ¿¡cómo no traducir!? se a dución que leva tal operación, cuxo trans — aquén e alén e ó través — non desactiva enteiramente a súa compulsión de luz, de transparencia incorpórea ou (morte) ideal, iso chama tanto a unha aberta reserva como a pasos por paraxes menos luciferinos e/ou divinos (raíz ind-europ., ‘brillar’, ‘iluminar’), a intervindas trans-sombras e aínda inter-asombros tal vez... hors commerce? hors-texte? hors-série du moins: na vizinha (and flowers too, like giant water lilies) comarca outra vez: uma vez um menininho foi colhêr crisântemos perto da fonte; perto da fonte havia un rio escuro, dentro do rio havia um bicho medonho. aí o menininho viu um crisântemo partido, falou ai, o pobrezinho está se quebrando todo, ai caiu dentro da fonte, ai vai andando pro rio, êle vem até a margem, aí pego êle no fluxo-floema da hilda hilst (o floema? si, si, o tecido das plantas vasculares — como os crisantemos — encargado de levar a savia elaborada pelo talo ata a raíz!).

 

del fluxo tan topué de se de cirque trad u ce como que notra duc e as margens, arruín ando arruinando, sí, si, suspendiendo, y no sin riesgo, el antagonismo entre original y traducción que se salta, cómo no, lo entreveraz, lo mejor: mas pensa, se você é o bicho medonho, você só tem que esperar menininhos nas margens do teu rio e devorá-los, se você é o crisântemo, a flor d’ouro, você só pode esperar ser colhido, se você é o menininho, você tem que ir sempre à procura do crisântemo e correr o risco. de ser engolido. pela tradução: pelo ideologema do originario, meu deus! há outras gemas porém, o entrevisto, sim, não assimiladoras, não devoradoras; co-marcantes — a flor d’ouro queimando-se mesmo no fluxo do amazonas d’autrefois (I Hillé also called D, I Nothingness, I Nobody`s Name; D for Dereliction, do you hear?), e nas margens do rosa em prosa, o peru de ninguém.

 

e. (un peru)

 

 

                                         

qullaymara jaqitaki k”it”itasa *

 

como que chéirame que non fala janjamarakisa aymarsa parlktati aymara

como que chéirame que nin gaguexa quechua janjamarakisa q”ichwsa arsktati

de que comarca vén kawksa tuqitsa jutawayta que fala fala kunäsa

arumaxä, kunäsa parlamaxä lingua, cal?

non é acaso a súa proxenie awk taykamaxä janiti aka uraqita

 

destos páramos terreos p’axälluriki, yuritakarakixä? dende o nacer?

e non fose colleita enteira jumäxa janiti qülla jaqina wawapaktasa? abrocho tal?

quen fora... k”it”itasa... ch”uy... k”it”itasa... quen fora... cal?

 

 

 

 

 
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* El pasaje aymara, de aymar yarawiku, por Rufino P”axi Limachi, Inmenaqubol, Chukiyawi (La Paz), s/d, p. 30; la entremuda romance y coloreada, mías. El yarawi o arawi, canto o endecha surandina, siguiendo a Waman Puma, fuera préstamo del quechua ahí donde los collas aymara-hablantes decían wanka. Vistas las no tan recientes dudas en torno al alcance de la autoría de la primer nuea corónica y buen gobierno y vista también la hipótesis en torno a un supuesto fondo común aymara y quechua, o  proto-aymara-quechua, dejo la índole del pasaje visiblemente entreabierta aquí.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Andrés Ajens é editor, poeta e tradutor. Publicou Conmemoracíon de inciertas fechas y otro poema, Intemperie, 1992, La última carta de Rimbaud, Intemperie, 1995; Mas intimas mistura, Intemperie, 1998. E-mail: ajenswa@lenguandina.org

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