Café Literário Cronópios

O Teatro no Amazonas
por Márcio Souza






 

Um lugar ao sol
por Thiago Secco




Para um menino na guerra
por Leila Guenther




Juntando os cacos
por Agnes Sofia




Sonata para piano
por Diego Tardivo




O livro dos 1001 microcontos
por Rinaldo de Fernandes




Ada, assim
por Sylvio Back




A sobrevivência dos pequenos
por Jorge Miguel Marinho




Desnorteio
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Quando a sorte lhe sorri mas faltam dentes em sua boca
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por Cláudio Feldman




Etceteras cotidianos
por Waldemir Marques




Vestido de noiva
por Fernando Lionel Quiroga







 
04/04/2012 16:26:00
A árvore invisível



Por Fernando Rocha da Silva



       Da vida no campo, trouxera a falta de pressa, a vontade de olhar para o que aos outros parecia nada, a falta de proteção em se entregar aos diálogos com estranhos, com os quais talvez, nunca mais voltasse a encontrar.

       A saudade existia mais como forma de transformar o que não tinha acontecido em algo belo, lembrar era duro demais, o melhor era fantasiar. No bolso de uma calça encontrou uma semente. Onde poderia plantá-la? A paisagem que o cercava era composta de asfalto e cimento.

       O plantio que fora motivo de tristeza e desengano, era agora forma de comprovar sua existência, mas como florescer em meio ao embrutecimento erva daninha da metrópole?

       O sonho de ser alguém, o motivou a mudar, deixando para trás pessoas próximas que mesmo não o compreendendo, mascaravam a solidão.

       A semente que só brota depois de ser soterrada, indicava que para concretizar algo era preciso doar-se por completo, desaparecer, para que a obra pudesse florescer. Embarcou no ônibus e depois de um longo tempo prolongado pelo trânsito, desceu.

       Sua habilidade no trato com a terra, antes maldição hereditária, agora lhe seria útil como nunca. Com uma pequena pá, cavou o que parecia uma cova, ali deixou os papéis encadernados em dois longos volumes, que logo foram cobertos, aquecidos e esquecidos.

       Não voltou para o pequeno apartamento, passou na rodoviária e comprou uma passagem para o primeiro destino que ainda tinha passagens disponíveis, adormeceu no banco do ônibus e sonhou com o germinar da sua obra, que floresceria quando ele não mais aqui estivesse.





                                                 * * *

 

Fernando Rocha da Silva é professor, ex-blogueiro, ex-poeta, contista. Trabalha no momento em livro de narrativas curtas. E-mail: fernando.umcaracomum@gmail.com

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