Café Literário Cronópios

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por Nilson Oliveira






 

Um lugar ao sol
por Thiago Secco




Para um menino na guerra
por Leila Guenther




Juntando os cacos
por Agnes Sofia




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O livro dos 1001 microcontos
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Ada, assim
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A sobrevivência dos pequenos
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Desnorteio
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Quando a sorte lhe sorri mas faltam dentes em sua boca
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por Waldemir Marques




Vestido de noiva
por Fernando Lionel Quiroga







 
30/05/2012 22:06:00
Coleção de outono



Por Alberto Bresciani



INSTINTO

Ainda discutiram no aeroporto. Ela embarcou. Pane no avião: a voltar e reencontrá-lo, preferia a queda. Parecia-lhe mais segura.



ANOS DE PRAIA

Idosos. Eram capazes de adivinhar os desejos recíprocos: jornal, chá e, na hora certa (!), dizer boa noite e apagar a luz.



COLEÇÃO DE OUTONO

Demorou a sair do armário. Quando abriu a porta, estava coberto de mofo e fora de moda.



RITUAL

Benze-se, beija a foto, desliga o abajur e, a cada noite, morre.



RESPOSTA

Ela reclamava. Filhos, marido, a casa. “Quando acaba esse castigo?” O deslizamento de terra a tudo levou. Naquele dia, encharcada de dor, calou a própria vida diante do carro de bombeiros.



CASTIGO ORIGINAL

Acima do peso, mas feliz: o emprego! Não vendeu a quota do mês. Por castigo, vestiram-na de Eva: malha e píton de pano. O último dia da falsa primeira mulher. Amarrada à grade, enforcou-a a serpente.



BILATERALIDADE

Dora e Júlia amavam Pedro, que, meu Deus, feliz, também só se amava.



SEGUNDA CHANCE

Deixaram-na juventude, saúde, amigos, família, o tempo. Oferecia uísque a Alzheimer e, em delírio e delícia, reencontrava o único amor.



EROS

Fugiu com a cunhada. Trinta anos depois, a condenação ainda os inflama.



ORGULHO

Um boa-praça, como se dizia. E famoso. Eram festas, presentes valiosos de lado a lado, parentes, afilhados. Só e quase cego, sequer enxerga a praça defronte da casa. Vermelhos os olhos e os braços - nos pontos em que as mãos do enfermeiro sem palavras o içam e arremessam no castigo de mais um dia.



CRACOLÂNDIA

Ele não exatamente a amava; não exatamente a agredia. Mas quando a barba a tocava, ela se perdia entorpecida.



REANIMAÇÃO

Despertou. “Está tudo bem”, disse-lhe o médico. Agradeceu quase comovido. Não pelo resultado. Era pela sedação profunda (naquelas horas, a vida não doía).





                                               * * *
 

Alberto Bresciani é poeta e escritor. Em 2011 publicou o primeiro livro de poemas, Incompleto Movimento, pela Editora José Olympio. Alberto é juiz em Brasília.
E-mail: albertolbresciani@gmail.com

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